Durante o mês de junho, é comum que os bancos de sangue do país sofram com uma baixa nos estoques, pois além das pessoas saírem menos de casa, nesse período ocorre um aumento da incidência de doenças respiratórias. Por isso, para prestar uma homenagem aos doadores do mundo inteiro e alertar a população sobre a importância de doar sangue, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou o Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado nesta sexta-feira (14).

Contudo, a médica da Fundação Pró-Sangue Helena Sabino esclarece que, não somente o dia 14, mas também todos os outros dias do mês de junho serão marcados por ações de conscientização movidas pela Campanha Junho Vermelho, uma alusão à cor do sangue.


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A ações serão coordenadas pela Pró-Sangue, em parceria com outras instituições Uma delas será realizada com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), mais 21 concessionarias que operam os 8,4 mil de rodovias paulistas. A mensagem “Seja gentil. Doe Sangue. Ajude o próximo! @prosangue” será exibida nos 377 painéis de mensagens variáveis (PMVs) nas estradas ao longo do mês.

De acordo com a legislação brasileira, toda pessoa saudável, sem distinção de cor, raça, sexo ou condição social, que estiver na faixa dos 16 anos aos 69 anos de idade pode tonar-se um doador voluntário de sangue. No entanto, por medo e desconhecimento, apenas 1,9% da população doa sangue anualmente no Brasil.

Por que o brasileiro não tem o hábito de doar sangue? 

A médica Helena Sabino esclarece que o problema deve ter origem cultural. Acredita-se que pelo fato de o Brasil nunca ter sofrido com grandes catástrofes e guerra, a população não desenvolveu o hábito de doar sangue.

Os defensores dessa opinião utilizam como base de sustentação as guerras mundiais que massacraram a Europa no século XX. A barbárie dos dois conflitos teria sido a responsável pela mudança de comportamento dos europeus. Ao verem amigos e parentes doentes, as pessoas passaram a encarar o fato de doar sangue como um ato moralmente obrigatório.

O sangue salva vidas 

É comum ouvir muitas pessoas falando a frase “quem doa sangue não salva apenas uma, mas até quatro vidas”. Isso porque cada bolsa de sangue coletada pode ser fracionada em plasma, hemácias ou glóbulos vermelhos, crioprecipitado e plaquetas. O plasma pode ser usado em pacientes com problemas de coagulação, as hemácias ou os glóbulos vermelhos são usados no tratamento de anemia, o crioprecipitado é utilizado no tratamento de coagulopatias e as plaquetas podem ser aplicadas nos casos de hemorragia ou em concomitância com quimioterapia nos pacientes oncológicos.

Requisitos básicos para doação sangue

  • Estar em boas condições de saúde;
  • Ter entre 16 e 69 anos (é importante ressaltar que para doar aos 69 anos, é preciso que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos);
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;
  • Estar bem alimentado (evitando uma alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação);
  • Apresentar documento original com foto (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).

Impedimentos temporários 

  • Resfriado: aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas;
  • Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
  • Qualquer procedimento endoscópico (endoscopia digestiva alta, colonoscopia, rinoscopia etc). Nesses casos, é preciso aguardar 12 meses;
  • Tatuagem ou maquiagem definitiva nos últimos 12 meses;
  • Extração dentária ou tratamento de canal (verificar medicação). É preciso aguardar 7 dias;
  • Período gestacional;
  • Transfusão de sangue: 1 ano;
  • Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina;
  • Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses
  • Quem esteve em estados onde há alta prevalência da Malária, como Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins. Nesse caso, é preciso aguardar 1 ano para doar sangue novamente.

Impedimentos definitivos 

  • Hepatite após os 11 anos de idade;
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis;
  • Malária.
  • Evidência clínica das seguintes doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue como Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas.

Mitos e verdades sobre a doação de sangue 

A doação de sangue engrossa ou afina o sangue 

Mito. A doação não interfere na textura do sangue. O que acontece é que o organismo leva um tempo para recuperar os componentes sanguíneos.

É preciso fazer jejum para doar sangue 

Mito. A recomendação para o voluntário é que tenha feito uma alimentação mais leve 4 horas antes da doação, evitando comidas gordurosas.

Durante a gravidez não pode fazer doações 

Verdade. Durante a gravidez, realmente a mulher não pode doar sangue. Após o parto, a mulher pode voltar a doar depois de 3 meses, se o parto for normal, e de 6 meses, se for cesariana.

Doar sangue dá direito a folga 

Verdade. A folga está prevista na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e prevê que o funcionário apresente comprovação para a falta.

Há risco de contrair doenças na doação de sangue

Mito. Todo material utilizado durante a doação de sangue é esterilizado e descartável. Dessa forma, o processo não é responsável pelo desenvolvimento de doenças.

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