Verdade seja dita, a maioria das pessoas não sabe ou não tem traquejo para lidar com quem tem depressão. Seja por falta de conhecimento suficiente sobre a doença ou até mesmo por preconceitos infundados, quem está isento do problema nem sempre consegue ajudar adequadamente.

A depressão não tem idade e acomete todas as classes sociais. Entre os mais velhos, porém, o cenário é preocupante. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 15% dos idosos desenvolvem a doença, lembra a psicóloga Daniele Oliveira de Souza. Esse número aumenta para 30% se eles são moradores de ILPs (instituições de longa permanência).


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O quadro deve ser tratado com intervenção profissional (leia mais abaixo). Enquanto isso, no dia a dia, quem está ao redor do deprimido tem de ficar atento ao que diz à pessoa. "É preciso estar devidamente informado e praticar a empatia com o outro para ajudá-lo de forma assertiva, evitando frases que podem desprezar o que está sendo dito e demonstrar preconceito e desinformação diante da doença", pontua a psicóloga.

Com ajuda de Daniele Oliveira de Souza e dos também psicólogos Adriana Politi, especialista em saúde mental e psicoterapia junguiana, e Yuri Busin, doutor em neurociência do comportamento e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental - Equilíbrio (CASME), listamos frases que você não deve jamais falar para alguém que sofre com depressão.

11 frases que você não deve falar para uma pessoa com depressão

"O que você está sentindo é frescura"

Depressão não é frescura, nem tristeza passageira. É um transtorno no humor que atinge muitas pessoas e pode se agravar a ponto de levar a um suicídio. Não menospreze o sentimento alheio. Ao contrário, entenda e ajude a pessoa a procurar um bom tratamento.

"Por que você não para de tomar este remédio?"

Nunca indique a alguém com depressão ficar sem determinado medicamento ou interromper tratamento indicados por médicos, dando exemplos pessoais de superação. Apenas um especialista na área é capacitado para definir o que o paciente deve fazer.

"Você tem tudo! Olha o fulano..."

Evite discursos moralistas, pois isso pode fazer a pessoa se sentir ainda pior. Lembre-se: ninguém escolhe ter depressão. Além disso, a doença não tem nenhuma ligação com bens ou conquistas pessoais.

"Você é preguiçoso"

Uma vítima da depressão mal tem vontade de levantar da cama. Tarefas simples, que para os outros costumam ser corriqueiras, podem se tornar um grande fardo para o depressivo.

"Anime-se! Você tem que sair dessa"

Quem sofre com depressão pode vivenciar muitos sentimentos, como tristeza, angústia, ansiedade, irritabilidade e medo. Dizer para se animar pode demonstrar que você está simplificando o problema. É preciso entender que ninguém pode nem consegue sair da depressão por vontade própria, pois é necessária ajuda especializada.

"Por que está deprimido? O que aconteceu?"

Lembre-se: a depressão é uma doença, que pode afetar qualquer pessoa e não ter uma causa definida. Evite questionar a pessoa, buscando uma razão para a doença.

"Tem pessoas piores que você"

Comparar a condição de alguém com a de outros gera um grande desconforto, pois o deprimido pode entender que você está desconsiderando a situação dele.

"Você é forte! Vai sair dessa e ficar bem"

Dessa forma, pode estar incutindo a ideia de que você julga o outro como fraco, fazendo-o se sentir ainda pior. O depressivo não consegue lidar com sentimentos de desânimo e tristeza, como acontece com pessoas que não se enquadram nesse grupo.

"Isso é algo da sua cabeça"

Dizer que o que alguém está sentindo é algo da cabeça dele e que é necessário ser mais otimista só faz com que a pessoa se feche e se sinta mais incompreendida e deprimida, achando-se culpada pelo seu estado emocional.

"Vamos sair e nos divertir um pouco"

Não tente distrair ou forçar uma diversão com quem está enfrentando a doença. É importante respeitar esse momento e estar ao lado da pessoa, disponível para oferecer ajuda, ouvindo e/ou indicando um tratamento adequado.

"Você deve ter mais força de vontade"

Quem está deprimido, muitas vezes, não consegue usufruir de momentos de descontração e diversão, por mais que tente. Aproveitá-los não depende de seu esforço. Esse tipo de discurso só contribui para que a pessoa se sinta mais deprimida, acreditando que fracassou em sua tentativa de melhorar.

Os sintomas da depressão

São vários os sintomas da depressão, como aponta a psicóloga Adriana Politi. Procure ajuda especializada diante de seguintes situações:

  • Estado de imensa tristeza: quando surgem o choro e o sentimento de desespero, às vezes até sem motivo.
  • Ausência de alegria em qualquer atividade e falta de motivação.
  • Perda ou ganho de apetite e peso.
  • . Alterações do sono. A insônia é mais frequente. Entretanto, às vezes, a depressão também provoca excesso de sono.
  • . Lentidão ou agitação nos movimentos, ou seja, a pessoa caminha ou fala de maneira vagarosa ou manifesta sensação de inquietação.
  • . Fadiga ou perda de energia: sensação de fraqueza física, com semblante abatido.
  • . Sentimentos negativos em relação a si próprio e falta de autoconfiança, além de senso de culpa por coisas sem importância e sensação de fracasso.
  • . Limitações na capacidade mental – lentidão no pensamento, diminuição da atenção e concentração.
  • . Ideias e intenções de suicídio. Surge o pensamento da morte como fuga. O deprimido pode planejar, tentar ou até mesmo cometer o suicídio.

Coração também sofre com a depressão

Quando a depressão acomete uma pessoa, não afeta apenas seu estado mental. O corpo também passa a ter reações físicas e prejudiciais ao organismo. De acordo com Paulo Chaccur, cardiologista e diretor da Cirurgia Cardiovascular no Instituto Dante Pazzanese, estudos têm comprovado que experiências vividas afetam diretamente o coração e podem gerar alterações significativas no funcionamento do órgão.

"Nesse estágio de sentimentos negativos rotineiros, o organismo pode promover uma constante liberação de hormônios que estimulam a vasoconstrição, ou seja, a redução do calibre dos vasos sanguíneos. Em consequência, com o tempo, as artérias vão diminuindo seu potencial de adaptação. Isso gera um aumento da pressão arterial e elevação dos batimentos cardíacos, fatores que obrigam o coração a trabalhar mais", explica.

Dependendo do grau e estágio emocional em que a pessoa se encontra, há chances de surgimento de outros sintomas, como inquietação, tensão muscular, alteração do sono, ansiedade, aumento do apetite, o que acarreta sérios problemas, sobretudo se o indivíduo tiver tendência à doença cardiovascular de base. As emoções negativas podem desencadear uma crise hipertensiva, arritmia ou mesmo um infarto do miocárdio.

Como é o tratamento da depressão 

A psicóloga Adriana Politi explica que, na maioria dos casos, é indicado tratamento farmacológico inicial, prescrito por um médico ou psiquiatra. Simultaneamente, adota-se um plano de intervenção psicológica, bem como adaptações de alguns hábitos cotidianos, como alimentação e exercícios físicos.

"Os medicamentos antidepressivos aliviam os sintomas da depressão, mas não curam a doença. As eliminações dos agentes que causam o estresse e a mudança de atitude e conduta, através da ajuda psicoterápica, podem contribuir para a cura, até o ponto de os medicamentos não serem mais necessários", observa Adriana.

Daniele acrescenta que, para a manutenção e melhora de vida, os deprimidos – sobretudo os idosos – precisam entrar em contato com atividades que lhe proporcionem satisfação.

Dessa forma, podem melhorar a expectativa de vida e assim ter maior esforço em suas atividades. "Além de medicamentos e terapia, ter uma rede de apoio faz toda a diferença no tratamento dessa doença", complementa. Quem tem depressão precisa ser acolhido e ter apoio e companhia.

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