Independência, autonomia e liberdade são três condições proporcionadas a pessoas mais velhas que conduzem automóveis cotidianamente. O fato de não precisarem da ajuda de ninguém para irem e virem facilita o dia a dia, mas é um cenário que pede atenção. Isso porque, com o avançar da idade, o organismo humano registra algumas alterações que refletem diretamente na habilidade de dirigir. O portal do Instituto de Longevidade conversou com o neurocirurgião Renato Chaves e com o neurologista Saulo Nader, que apontam alguns sinais que devem ser observados na hora de decidir se é preciso parar de dirigir.

Sinais de que chegou a hora de parar de dirigir

1. Visão prejudicada

Por trás da dificuldade em identificar um sinal vermelho, ler placas de trânsito ou mesmo perceber alguém que está começando a atravessar a rua, a visão debilitada revela-se uma das grandes vilãs. E sua acuidade depende de vários fatores.

Não é de hoje, por exemplo, que a catarata se revela um problema que assombra com o avançar da idade. "Com o tempo, em algumas pessoas, a transparência das lentes naturais dos olhos – o cristalino – vai se perdendo, o que leva à perda da capacidade de enxergar com nitidez", resume Saulo. O problema é facilmente solucionado através de cirurgia, mas, se não for tratado e prejudicar a visão de forma significativa, afeta a capacidade de dirigir.



Além disso, pode existir uma associação com outras situações, caso da presbiopia. "Ocorre depois dos 40 anos e não deixa as pessoas enxergarem as coisas tão de perto. É a vista cansada. Aliada à diminuição da acuidade visual por catarata e outras patologias, faz com que isso afete a direção", reforça Renato.

2. Destreza motora reduzida

De acordo com Renato, o pico da habilidade motora humana se dá por volta dos 40 anos. Depois, começa a declinar. Essa redução, que é paulatina, pode fazer que, dentro de alguns anos, seja constatada menor agilidade para trocar a marcha ou maior chance de confundir os pedais.

3. Presença de tontura e zumbido

Idoso geralmente apresenta lesão do nervo auditivo, principalmente nas frequências da fala – o que leva a um zumbido no ouvido, como também a uma tontura, conforme explica Renato.

Não só isso, sofre com as consequências da labirintite, desordem em que a vertigem é constante e que pode interromper a capacidade de direção, quando a pessoa enfrenta momentos de tontura. "Ocorre bastante depois dos 50 anos e é uma queixa muito comum nos consultórios", diz o especialista.


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4. Reflexos limitados

Outra questão que afeta bastante a habilidade do motorista é a diminuição de reflexo. Acontece porque o arco-reflexo humano – ou seja, a resposta involuntária a um estímulo sensorial – já não se mostra tão eficaz com o passar dos anos.

Uma criança que entra na frente do carro ou mesmo outro veículo vindo em encontro são situações problemáticas para quem não consegue reagir tão prontamente, em tempo hábil. Essa redução do reflexo pode começar a ser sentida a partir dos 40 anos.

5. Menos força 

A redução natural da força motora já é situação delicada, que pode ser ampliada por conta de doenças como artroses, hérnias de disco e estenose de canal. Tais patologias impedem que a pessoa se movimente normalmente ou impõem limitações, como não conseguir virar o pescoço para olhar o espelho retrovisor ou impedir que alguém fique muito tempo sentado.

6. Memória afetada

Em idosos com problemas de memória, decorrentes da doença de Alzheimer, ocorre um prejuízo importante de funções neurológicas essenciais à condução, entre as quais a velocidade de processamento de informações ou a capacidade de atenção e concentração.

"Assim, pessoas com mais idade que apresentam prejuízo significativo da cognição não devem conduzir veículos", opina Saulo, já que podem se esquecer do destino ou mesmo como voltar para casa.

Parar de dirigir: o que diz a lei

De acordo com o advogado José Augusto da Rosa Valle Machado, não existe na legislação brasileira uma regra ou data limite para que o direito de dirigir seja interrompido. Porém, a resolução 007/98, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), alterou os procedimentos para renovação da habilitação, afetando esse grupo etário.

Com isso, motoristas de até 65 anos precisam renovar seu exame de aptidão a cada 5 anos. A partir dessa idade, o intervalo passa a ser de 3 anos. Acima dos 80 anos, a avaliação para renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) torna-se anual.

Fábio Antunes, também advogado, acrescenta que todo tipo de tratamento de saúde que o idoso começar a fazer precisa ser relatado ao médico no momento do exame de renovação.

Benefícios aos idosos


José Augusto observa que a legislação brasileira, principalmente com a criação do Estatuto do Idoso, através da lei 10.741/03, trouxe ao motorista com 60 anos ou mais uma série de benefícios, como o direito de preferência nos estacionamentos públicos e privados, com área privativa; atendimento preferencial em locais públicos e privados e a gratuidade em transporte coletivo público urbano, entre outros.

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