O envelhecimento populacional tem chamado a atenção tanto de governos quanto da sociedade civil acerca das condições de saúde dos idosos. Durante todo o processo de envelhecimento fisiológico, o corpo sofre modificações como a perda de massa, conhecida como sarcopenia, e a redução da resistência e da função muscular, além de rigidez articular, redução da amplitude de movimento e alterações na marcha e no equilíbrio. Todos esses fatores podem comprometer significativamente a mobilidade física da pessoa idosa, aumentando as limitações físicas e, principalmente, o risco de quedas.

Mas como lidar com essas questões? A psicoterapeuta Ana Paula Madeira explica que a chegada das limitações físicas e a perda da autonomia podem gerar consequências na saúde mental dos pacientes. "Ninguém gosta de se sentir inútil ou de ser um peso na vida dos outros", afirma a psicóloga. "Imagina uma pessoa que sempre foi independente e que conquistou várias coisas na vida. De repente essa pessoa se vê completamente dependente dos outros, precisando de ajuda para realizar tarefas simples do dia a dia".


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Ana Paula destaca que é preciso estar atento aos sintomas, uma vez que o problema não surge de uma hora para a outra, mas vem se apresentando ao longo do tempo. "A natureza é sábia, essa perda de autonomia, quando é natural, e não causada por algum incidente, vem se apresentando aos poucos, justamente para que a pessoa possa ir se acostumando, aceitando suas novas condições e, principalmente, buscando se adaptar".

Mas quais seriam os sinais de que está na hora de parar?

Quem responde é a fisioterapeuta e professora de pilates Isaura Machado. "Os sinais geralmente são as quedas com frequência que podem estar associadas à perda do equilíbrio. Tanto que o idoso muitas vezes tem um andar com uma base mais alargada, o arrastar de pés, o corpo projetado mais pra frente. Isso tudo é pra compensar essa perda de equilíbrio que vai acontecendo com a idade", enumera.

Outro sinal importante a ser observado, de acordo com a fisioterapeuta, é a perda de força nos membros inferiores, que vai causar, entre outras coisas, dificuldade na hora de se levantar. "Muitos idosos não se levantam com muita facilidade de uma superfície mais baixa por conta dessa perda de força dos membros inferiores. Muitos também têm dificuldade de levar o braço para pegar algum objeto que esteja no alto, por falta de força ou devido a problemas articulares causados pela artrose".  

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Para Ana Paula, é importante que a família participe desse processo dando total apoio ao idoso e tomando certos cuidados. "É importante que o idoso se sinta útil, capaz. Ele precisa ter consciência de suas limitações, de que não poderá fazer algumas coisas, mas há outras que ele pode e deve fazer", enfatiza. A terapeuta ainda lembra que, em muitos casos, a limitação é apenas física, e a capacidade mental permanece intacta. "Muitos familiares acabam partindo para o tratamento infantilizado do idoso, uma atitude que deve ser evitada ao máximo".

Isaura também reforça o papel da família neste momento. "A gente costuma muito querer proteger os nossos idosos. Às vezes, um objeto cai no chão e a gente corre pra pegar, não deixa que o idoso realize esse movimento de baixar para pegar aquele objeto", exemplifica. "A gente muitas vezes quer impedir o idoso de fazer atividades dentro de casa, deixá-lo sentadinho no canto. O próprio idoso acaba se limitando diante dessas coisas, acaba se achando incapaz de realizar as próprias funções dentro de casa". Na opinião da fisioterapeuta, é importante não permitir a prostração e o sentimento de incapacidade por parte da pessoa idosa. "Acho que isso é muito importante, além da realização de exercícios físicos e de uma boa alimentação. A gente estar sempre dando motivações para o idoso, para que ele faça as tarefas, realize as atividades dele de vida diária".

É possível reverter as limitações físicas

Ana Paula lembra da importância do lado psicológico para reverter a perda da autonomia. "Quando a pessoa acredita que não é capaz de realizar alguma tarefa, ela desiste de tentar e torna aquilo uma verdade. É preciso saber que a mente desempenha um papel muito importante sobre o funcionamento do corpo", destaca a psicoterapeuta, que atua com terapia corporal. Contudo, há os casos em que a limitação realmente existe e que o psicológico não influenciará tanto.

Isaura reforça que os exercícios são importantes em todas as idades, seja no alívio da dor ou mesmo na melhora de uma limitação física. "O corpo não foi feito para ficar parado, foi feito para ficar em movimento. Quando esse corpo para, a tendência é sentir dor", explica. "Algumas limitações podem ser modificadas e melhoradas. O desempenho [físico] pode ser melhorado. Só quando existem algumas restrições desses movimentos, quando a pessoa está acamada, que as articulações já estão mais endurecidas, aí é mais difícil que haja uma melhora. Mas sempre vai estar ajudando na questão da dor". E concluiu: "Movimentar sempre vai trazer benefícios".


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