Qual a melhor atividade física para quem tem tendência a engordar? Segundo um estudo feito pela Universidade de Taiwan com 18.424 pessoas entre 30 e 70 anos e publicado em agosto no periódico científico “PLoS Genetics”, a prática do jogging é a melhor forma de controlar a obesidade, hoje um dos maiores problemas de saúde pública no mundo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram, além do IMC (Índice de Massa Corporal, que relaciona altura e peso; clique aqui e calcule o seu), outros quatro indicadores de obesidade que também estão ligados a problemas do metabolismo: porcentagem de gordura corporal; circunferência da cintura e do quadril; e relação entre cintura e quadril.

Das 18 modalidades praticadas pelo grupo, “o jogging apresentou consistentemente a evidência mais forte para mitigar os efeitos genéticos em todas as cinco medidas de obesidade”, conclui o estudo. Alpinismo, caminhada, caminhada com exercícios, dança e práticas longas de ioga também atenuaram os efeitos genéticos no IMC.


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Por outro lado, atividades como alongamento, ciclismo e natação não evitam os efeitos da genética sobre a obesidade. Vale ressaltar, no entanto, que nem toda atividade física foi popular o suficiente na população da amostra para ser incluída, como basquete e treinamento com pesos, por exemplo – portanto, não havia dados suficientes para avaliá-las.

O que a ciência mostra é que ter uma disposição genética em relação à obesidade não significa que ela seja inevitável – o tipo certo de exercício, realizado regularmente, pode combatê-la. "A obesidade é causada pela genética, por fatores de estilo de vida e pela interação entre eles", diz Wan-Yu Lin, da Universidade Taiwan.

Por que o jogging é a melhor atividade física?

O jogging “é uma corrida moderada caracterizada por trabalhar sem atingir o estágio de exaustão, e sua velocidade varia de acordo com a capacidade cardiorrespiratória de seu praticante, alterando de pessoa para pessoa, tendo como fatores determinantes a idade e o condicionamento físico”, explica a educadora física e gerontóloga Daniela Gabriel.

atividade físicaFoto: lzf/Shutterstock 

Segundo ela, essa atividade física “é uma das formas não farmacológicas de retardar o desenvolvimento, estabilizar e até reduzir níveis de doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão arterial e tabagismo”, além da obesidade.

E os benefícios do jogging, pontua, vão além dos cardiovasculares:

  • Acelera o metabolismo;
  • Aumenta o HDL (colesterol bom);
  • Diminui o LDL (colesterol ruim);
  • Impacta positivamente a ansiedade e as defesas do organismo;
  • Libera endorfina, hormônio do prazer;
  • Melhora a disposição na rotina diária;
  • Reduz o peso corporal.

Para quem não tem o hábito do jogging, a educadora física sugere, depois de uma avaliação médica, começar com caminhadas curtas, aumentando a frequência e o tempo; e depois passar para o trote até chegar à corrida propriamente dita. “Sua evolução deve ser sempre de maneira gradativa, objetivando condicionar o corpo para a prática regular”, explica.

“Sempre que se inicia qualquer atividade física, o ideal é respeitar os limites e ir aumentando o tempo e a velocidade a cada semana”, corrobora a também educadora física e coach em fisioculturismo Michelly Boechat, que sugere o seguinte treino pré-jogging:

1ª semana: caminhada leve por 30 a 40 minutos;
2ª semana: caminhada em ritmo acelerado por 30 a 40 minutos;
3ª semana: 30 minutos de corrida (4 minutos) intercalada com caminhada (1 minuto);
4ª semana: jogging por 30 minutos pelo menos 3 vezes por semana.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere a prática de 150 minutos de exercícios por semana. As contraindicações, pontua Daniela, “vêm aliadas ao exagero, chamado ‘overtraining’, quando se faz mais exercícios do que o corpo é capaz de se recuperar”.

As consequências? “Queda do condicionamento físico e do sistema imunológico, resultando em dores musculares constantes, levando a insônia, lesões agudas e crônicas, desequilíbrio no sistema hormonal e irritabilidade, entre outras”, enumera.

“Para correr, não é necessário fazer grandes investimentos: basta escolher um local agradável e seguro e começar”, sugere Michelly. “Mas não é só correr e pronto, achar que já está com qualidade de vida, fazendo exercício físico. É preciso beber bastante água e investir em uma alimentação saudável, rica em fibras, como frutas e grãos integrais; oleaginosas e legumes, que ajudam a eliminar o inchaço e as toxinas ruins.”

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