Se você precisa de um motivo para consumir os alimentos da estação, que ocupam a maior parte das bancas de hortifrutis, mercados e feiras livres nesse período do ano, aqui vão logo dois: 1. garante uma boa economia, já que a abundância é reflexo do período de colheita farta (e quanto mais oferta, menor é o preço praticado, certo?); 2. promove um reforço extra para a saúde, pois os produtos de época são mais nutritivos.

Cada fruta, verdura e legume tem seu próprio ciclo de produção anual, com intervalo de meses, variando caso a caso. Mas aí vem a pergunta: como, então, é possível encontrar a maioria deles à venda durante todo o ano?

Veja bem: não é que seja uma regra os frutos e vegetais se multiplicarem apenas durante tais ciclos, mas as safras coincidem com o ápice do processo natural de desenvolvimento – ou seja, quando encontram todos os fatores necessários (iluminação e temperatura corretas, por exemplo) para prosperar em solos adequados.

Quando não alcançam o conjunto de condições favoráveis, eles não progridem em todo seu potencial. Além disso, alguns agricultores costumam lançar mão de quantidade exagerada de compostos químicos – agrotóxicos, pesticidas e fertilizantes incluídos – para garantirem que a planta receba um "reforço" a fim de vingar, mesmo sem as condições ideais.


"Para o agricultor é muito mais fácil adotar o agrotóxico na produção, porque não vai ter perda ou prejuízo. Para nós, que consumimos, é muito ruim, porque não deixa que o alimento desenvolva todas as características que ele precisa", pontua a nutricionista e gastróloga Gabriela Cilla, especialista em nutrição clínica, funcional e esportiva.

Tome-se o exemplo do abacaxi: quando a fruta não segue seu ciclo natural e tem "ajuda" de agrotóxico, deixa de produzir antocianina, que é um nutriente natural da espécie. "Para ser um alimento muito mais forte, tem que sobreviver naquele local. Então, vai desenvolver todas as forças possíveis e imagináveis para sobreviver naquele solo, diferentemente do que acontece com a aplicação do agrotóxico, quando o desenvolvimento é facilitado", ilustra Gabriela.

Por isso, alimentos da estação, que encontram todas as condições naturais adequadas, têm uma composição muito mais completa, sem necessidade de compostos químicos.

No ponto certo

- Dê preferência para a ingestão de frutas, verduras e legumes maduros, ou seja, no ponto, fase em que oferecem seu mais alto teor nutricional;

- Consuma as frutas in natura, para alcançar maior absorção de vitaminas e minerais e aproveitamento das fibras;

- Considere que legumes e verduras têm características particulares. Vale alternar o consumo cru e cozido (assado, no vapor, cozido), desde que não ultrapasse o tempo de cocção, o que leva à perda de nutrientes;

- Opte pelos alimentos orgânicos sempre que possível. Apesar de mais caros, estão livres de qualquer aditivo químico.

O que consumir em agosto

Aqui estão algumas frutas e verduras, além de legumes em época de colheita. Aproveite para incluí-los no cardápio do mês, garantindo a absorção de todos seus nutrientes.

Frutas

- Abacate: rico em ácido graxo monoinsaturado e ótima fonte de proteínas.

- Abacaxi: vitaminas C, A e B1, além de magnésio, cobre, manganês, fibras e ferro.

- Manga: vitaminas C, A, B1, B2, B3 e B6, potássio, magnésio, zinco e ferro.

- Pera: fibra, vitaminas C e K e cobre.

- Uva: carboidratos, vitaminas C e do complexo B, ferro, cálcio e potássio.

Legumes

- Berinjela: fibras, proteínas, vitaminas A, B1, B2, B5 e C, cálcio, fósforo, ferro, potássio e magnésio.

- Chuchu: proteínas, carboidrato, fibra, cálcio, magnésio e fósforo.

- Quiabo: vitaminas A, C, E e B1, cálcio, fibras e proteínas, potássio e ferro.

- Pepino (caipira e japonês): vitaminas C e A, potássio, magnésio e fibras.

- Tomate (caqui): proteína, fibra, vitamina A, cálcio e ferro.

Verduras

- Acelga: vitaminas K, A, C, E, B2, B6, B1, B3, B5, magnésio, manganésio, potássio, ferro, fibras, cobre, cálcio, proteínas e fósforo.

- Alface: vitaminas A, B1, B2, C e niacina, potássio, fósforo, cálcio, sódio, magnésio e ferro.

- Chicória: vitaminas A, complexo B, B1, C e D, cálcio, fósforo, fibras e potássio.

- Milho verde: vitaminas A, complexo B e C e antioxidantes.

- Rúcula: betacaroteno, vitaminas K e B9 (ácido fólico) e ômega 3.

Demais épocas

Você pode conferir outros alimentos da estação em agosto e conhecer as épocas de colheita relacionadas a muitos outros na tabela de períodos de safra da Ceagesp.

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