Com o mundo em rede, garantir a segurança dos usuários tornou-se obrigatoriedade para a sustentabilidade das empresas. Na Califórnia (EUA), por exemplo, uma lei inédita determina que, a partir de 2020, todo dispositivo conectado vendido no Estado terá de oferecer um código personalizado – não mais os tradicionais admin e 123456 – ou permitir que, na inicialização, o consumidor possa escolher sua senha segura.

O objetivo é banir senhas fracas, que facilitam o trabalho de hackers. Teoricamente, todos os usuários deveriam trocar o código-padrão, que vem de fábrica, por um mais seguro ao adquirir um dispositivo. Mas poucas pessoas realizam esse procedimento.

No Brasil, não há projeto semelhante ao californiano, embora a necessidade de rigor em segurança de dados seja indiscutível. O número de ataques cibernéticos no país quase dobrou nos primeiros seis meses de 2018. Relatório da Dfndr Lab, laboratório de cibersegurança da empresa de antivírus PSafe, aponta que 120,7 milhões de invasões foram detectadas naquele semestre – o que representa uma alta de 95,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O aplicativo WhatsApp e a publicidade suspeita foram os campeões em golpes.

Entre os motivos que justificam a recusa de usuários em trocar a senha e aderir a sistemas de autenticação está o receio de que um código mais complexo seja esquecido. E o medo de um “apagão” na memória realmente faz sentido. De acordo com Cristina Sleiman, advogada especializada em direito digital, as senhas devem ter mais de oito caracteres e ser compostas por caixa alta e baixa, símbolos e números.


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Dicas para ter uma senha segura

“Uma forma de lembrar o código é associá-lo a questões cotidianas, como pessoas e músicas”, ensina ela, acrescentando que é importante nunca relacionar ao nome e à data de aniversário de algum parente ou pessoa próxima. “Uma dica é utilizar sílabas de uma frase ou sílabas de vários nomes, como M@p@m@v@, para Margarete, Pablo, Marcelo e Vania”, exemplifica.

Além de um código de difícil memorização por terceiros, Kelli Angeli, gerente da assessoria jurídica do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), aconselha o usuário a ter uma senha segura para cada conta. Ou seja, não usar o mesmo código para todos os sistemas e programas.

Portões abertos

“Sua conta é como a porta de entrada de casa. Se você deixar os portões abertos ou entregar as chaves a qualquer um, estranhos podem entrar em sua vida sem pedir licença”, compara Kelli.

Para que contratempos não impeçam o usuário de acessar suas contas, as dicas para lembrar uma senha segura devem ser elaboradas com atenção, aconselham as especialistas. “Cabe ao internauta memorizar o lembrete criado. Essa dica, por sua vez, deve ser associada aos caracteres, sílabas ou frases utilizadas na criação da senha”, afirma a advogada.

Cristina reforça que manter uma cópia das senhas no computador, no e-mail ou em cadernos e post-its pode resolver apuros no caso de esquecimento dos códigos. Mas, diz ela, “aumenta os riscos de a identidade digital do usuário cair nas mãos de desconhecidos”.

Para não esquecer

Uma solução para quem trabalha com várias senhas ao mesmo tempo e tem dificuldade de memorizá-las é utilizar softwares de armazenamento de códigos. Hoje, existem bons programas gratuitos que fazem a gestão dos dados online. É importante, apenas, que esses sistemas sejam criptografados (série de protocolos que impede terceiros de acessarem o conteúdo), alerta Kelli, do NIC.br.

Confira, abaixo, cinco opções de softwares de armazenamento de senhas seguras.

Dashlane – É um dos aplicativos mais inovadores do mercado, já que tem compatibilidade com impressão digital e garante maior segurança dos usuários. Também oferece alerta de sites perigosos. É disponibilizado nas versões gratuita e paga.

Keepass Password Safe – Deve ser utilizado apenas no computador, mas não requer instalação. É gratuito e acompanha gerador de senhas de alta complexidade para uso em sites desconhecidos.

LastPass – Considerado um dos melhores aplicativos para gerenciamento de senhas, é oferecido nas versões gratuita e premium (paga). No programa, o usuário pode registrar e sincronizar códigos com o navegador da internet.

Roboform – O aplicativo permite ao usuário acessar os dados offline, sem necessidade de conexão à internet, e organiza as senhas em pastas. É possível fazer download de app gratuito ou assinar versão premium.

Sticky Password – Foi desenvolvido pelo mesmo time que criou o antivírus AVG, o que dá mais credibilidade à segurança do sistema. O aplicativo é oferecido nas versões gratuita e paga, e funciona em computador e celulares Android e iOS.


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