A internet vive lançando moda e, a cada hora, uma novidade tecnológica vira febre e faz a cabeça de milhares de pessoas ao redor do mundo. Falando nisso, você deve ter notado a quantidade de pessoas que, nas últimas semanas, postaram fotos de como ficarão quando estiverem mais velhas, certo? E talvez você mesma tenha postado a sua foto. Pois é, a febre dos aplicativos que envelhecem o rosto das pessoas chegou com toda a força nas redes sociais.

Os mais conhecidos são FaceApp, Oldify, AgingBooth e HourFace, que funcionam de forma semelhante: após o usuário selecionar uma foto da galeria do telefone ou fazer uma direto da câmera, o aplicativo possibilita realizar uma série de alterações na foto, como tornar a pessoa mais velha ou mais nova, mais gorda ou mais magra, acrescentar ou remover barba ou bigode, aumentar ou diminuir a comprimento dos cabelos e alterar a cor etc.


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A princípio, parece se tratar apenas de um inocente aplicativo que envelhece, com a única função de divertir os usuários. No entanto, jornais do mundo inteiro denunciaram, na última semana, que fotografias dos rostos das pessoas estão sendo usadas para alimentar dezenas de bancos de dados ao redor do mundo sem que os usuários saibam. As imagens são captadas principalmente de aplicativos, além de redes sociais, sites de relacionamento e de compartilhamento de imagens e utilizadas por polícias e forças de segurança de vários países.

A compilação dessas imagens é parte de um sistema ainda maior de criação de serviços de reconhecimento facial ultramodernos. A lógica funciona da seguinte maneira: quanto mais imagens de cada pessoa estiverem disponíveis nesses bancos, mais rápido e preciso será o reconhecimento facial. As imagens são agrupadas por semelhança de traços.

De acordo com as denúncias realizadas pelos periódicos, há mais de dez anos que companhias e laboratórios de pesquisa colhem e armazenam imagens de rostos, sem que as pessoas tenham conhecimento disso. A grande questão é que, como os dados pessoais não são armazenados junto às imagens, qualquer pessoa pode ser confundida com um terrorista, um foragido ou um criminoso de altíssima periculosidade e acabar numa prisão. Testes realizados até então mostram que a tecnologia que hoje se encontra disponível ainda não consegue diferenciar um bolinho de um chihuahua.

aplicativos que envelhecemFOTO: TEENYBISCUIT

Como se proteger para evitar problemas?

De acordo com o gerente de Infraestrutura de TI da Mongeral Aegon Seguros e Previdência, Gustavo Mata, alguns cuidados podem ser tomados para evitar problemas em redes sociais. “O principal deles é evitar ter perfis públicos, sem solicitação de acesso, em redes como Instagram e Facebook”, alerta. “É importante que o usuário tente ao máximo proteger suas informações e evitar se expor a pessoas que não são da sua rede de contatos”.

Gustavo acrescenta que outra forma de captura de imagens para esses bancos são as câmeras de segurança que estão espalhadas pelas cidades. “Com relação a essas câmeras, não há muito o que ser feito. A qualquer momento, você pode estar sendo filmado e sua imagem poderá ir parar em um desses bancos”.

O especialista em Segurança da Informação Allan Souto acrescenta: "Evite o serviço de marcação em fotos com seu nome e sua localização. Isso mostra onde você vai ou foi com certa frequência e acaba te deixando exposto", destaca.

Segundo Allan, uma dica importante a ser seguida é, antes de postar qualquer foto em uma rede social, verificar se aquela foto foi tirada na frente de sua casa ou do seu local de trabalho. "Há algum endereço ou placas de trânsito visível na imagem que possa permitir identificação? Se houver, não poste", adverte o especialista.

Veja abaixo 5 cuidados importantes para se proteger ao utilizar as redes sociais

  • Escolha uma senha forte de acesso, com letras, números e caracteres especiais;
  • Ative a opção de autenticação de login por SMS para o seu celular;
  • Evite utilizar seu nome completo em perfis sociais;
  • Não exponha número de telefone ou de documentos;
  • Fique atento às questões de segurança para recuperação de redes. Respostas a perguntas como "qual o nome do seu animal de estimação" ou "Em que cidade você nasceu" podem ser facilmente extraídas de seu perfil social.
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