Um estudo realizado com 526 voluntários de cinco cidades brasileiras comprovou a eficácia de 100% no uso de antirretrovirais para prevenir a contaminação pelo vírus do HIV. Durante o período de análise, nenhuma das pessoas que participaram da Prep (terapia pré-exposição) tomando os medicamentos contraiu a doença.

Com financiamento do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, CNPq e Unesco, o “Combina”, como foi batizado o estudo, trouxe uma surpresa com relação à motivação dos participantes: qualidade de vida é o principal objetivo.

A Prep é indicada, não para quem já possui o vírus do HIV, mas para grupos de maior vulnerabilidade para contágio, como homossexuais, transexuais, profissionais do sexo e casais em que apenas um dos parceiros é soropositivo. A ideia é que a prevenção seja feita por meio da combinação entre várias estratégias, incluindo o uso de preservativos. Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento não evita a contaminação por algumas DSTs, como a sífilis. Por isso, os usuários são orientados a não abandonar o uso da boa e velha camisinha.

Autoridades de saúde pública de todo o país há tempo alertam para aumento no número de casos de HIV na terceira idade na última década. Segundo os dados divulgados na página do Ministério da Saúde, 5% dos homens com mais de 65 são portadores do vírus HIV, o que representa um aumento de 103% no mesmo período.

Governo atrasa cronograma de distribuição do medicamento

A Prep ainda é uma raridade nos postos de saúde de todo o país. Sete meses depois de anunciada pelo governo federal, a terapia já deveria estar disponível em 36 serviços de saúde desde dezembro, mas segundo o Ministério da Saúde, apenas três locais estão oferecendo o tratamento. Clique aqui e tenha acesso à lista de locais que irão oferecer o tratamento.

Uma reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo no início do mês denunciou a demora na entrega do medicamento e a necessidade de organização dos profissionais nos serviços de São Paulo, Manaus, Salvador, Minas, Pará e Rio Grande do Sul. Segundo a reportagem, a data estipulada pelo Ministério para início da estratégia provocou insatisfação nos funcionários dos serviços localizados em São Paulo. Por causa da indefinição no número de pacientes, os profissionais alegaram não haver condições de pôr em prática o programa do governo.

Coordenadora de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tatiana Alencar informou que o medicamento já foi distribuído para os centros que oferecerão o tratamento e que a decisão de início da estratégia é de cada localidade.

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