E então o corpo atinge a máxima atividade fisiológica geral e é tomado por uma enxurrada de sensações subjetivas de intenso prazer. Nos homens, costuma durar entre 3 e 10 segundos, provocando uma série de contrações na próstata, nos músculos penianos e no esfíncter anal. Nas mulheres, pode durar até 20 segundos, com contrações ritmadas nos músculos vaginais, uterinos, pélvicos e também no esfíncter anal. Muito prazer, nós estamos falando do orgasmo.

A palavra vem do grego, orgázo, de ôrgan, que significa “ferver em ardor”. De acordo com o dicionário Michaelis, o orgasmo é definido como o mais alto grau de excitação sexual. Trata-se do prazer físico mais intenso que um ser humano pode experimentar. Durante o orgasmo, as paredes da vagina soltam uma descarga de 244 milivolts. Cinco mulheres juntas tendo orgasmo são capazes de gerar energia suficiente para acender uma lâmpada de 1 volt. O assunto é tão intenso que mereceu um dia inteiro para ser homenageado: 31 de julho.

Segundo o terapeuta corporal Evandro Palma, o orgasmo é a consequência do aumento do fluxo de energia vital no encontro de doação de amor a si ou de dois corpos em estado meditativo. “Seria a comunhão que gera e mantém a vida em todas as suas esferas. Um fenômeno no qual a divina sabedoria corporal sabendo da existência ou do caminho para alcançá-lo, não busca, não espera, não deseja, apenas flui e nasce como uma flor, uma vida, uma estrela”, declara Evandro.

No Dia do Orgasmo, conheça seus benefícios ao organismo e saiba como ele funciona no corpo humano.

Imagem com os símbolos masculino (azul) e feminino (rosa) para ilustrar a matéria sobre o dia do orgasmo.

Foto: Calypso Art/Shutterstock

Orgasmo no homem

Através, principalmente, de estímulos visuais e táteis, no organismo do homem, o sistema nervoso promove a ação da adrenalina. Tragta-se de um neuro-hormônio que leva à dilatação de vasos sanguíneos no pênis e provocam a ereção. Após o início do ato, o cérebro começa a secretar certas substâncias que ativam o centro de sensações de prazer. Há liberação de uma grande quantidade de substâncias como dopamina, endorfina, morfina e ocitocina.

A ejaculação ocorre quando o corpo atinge o máximo de sua excitação, eliminando o conteúdo seminal pela vesícula seminal. Em seguida, vem um completo relaxamento físico. O homem tem o período refratário que impede uma recuperação eretiva imediata. Sendo que o tempo dessa recuperação varia de acordo com a idade.

Evandro alerta que o homem, via de regra, conheceu o orgasmo associado ao reflexo ejaculatório. Por isso, a dissociação requer algum trabalho para desenvolver as propriedades do corpo para tal e as condições de percepção sobre esse corpo. “Interessante também rever algumas ideias já instaladas previamente em torno do conceito de sexualidade, o que o faria repensar as formas de sua prática”, pontua o terapeuta.

Orgasmo na mulher

As condições de satisfação física, emocional e química são as mesmas tanto para as mulheres quanto para os homens. Através da excitação, o cérebro lança estímulos para que as glândulas suprarrenais secretem adrenalina que causará a dilatação dos vasos sanguíneos na região genital e no clitóris, seguido pela lubrificação do canal vaginal. Ocorre uma série de contrações rítmicas e involuntárias de mais ou menos 12x a cada 8 segundos. Elas podem ser expandidas por formas específicas e contínuas de estímulos. O corpo então está pronto para a relação sexual.

O orgasmo feminino é mais complexo e duradouro do que do homem. Mulheres podem desencadear todo esse processo, normalmente, através do estímulo tátil do clitóris ou pela penetração. Todo esse “curto-circuito” de estímulos hormonais e sensações é similar ao do homem, porém a mulher possui a propriedade de ter orgasmos com um maior intervalo de tempo. No processo, há inicialmente um estímulo neuro-hormonal que gera tensão da musculatura corporal. Com isso, há contração dos órgãos genitais, pelve, nádegas e coxas, até que o corpo relaxe involuntariamente, provocando uma série de ondas de intensidade de prazer. A mulher não possui o período refratário do homem. Portanto, se continuasse a ser estimulada de forma precisa teria mais orgasmos.

“Como a prática do sexo nas relações heterossexuais estão sempre vinculadas ao orgasmo masculino através do coito, isto acaba sendo um limitante para a obtenção do prazer de mais orgasmos por parte da mulher. Ou seja, quando o homem tem o seu orgasmo ejaculatório, a relação, via de regra, acaba. Ele não tem mais energia para continuar realizando estímulos, uma vez que, como já dito, sua iniciativa resume-se a ação do pênis”, explica Evandro.

Vaginal ou clitoriano?

“Na verdade, o orgasmo é um só”, explica o terapeuta corporal. De acordo com ele, a sensação de prazer pode ter graus variáveis de intensidade. Isso depende das condições, das formas e das áreas de estimulação.

“Há meios de ampliar o orgasmo com preparações corporais e estímulos específicos sobre o corpo como um todo e, também, sobre os genitais em particular. Claro que isso requer condições favoráveis de afeto e entendimento do papel da sexualidade para a vida da pessoa”, revela.

Benefícios do orgasmo

Sexo é vida

Para o urologista Igor Dutra, é difícil afirmar que exista essa relação direta. Especialista em reprodução humana, ele explica que a vida é caracterizada pela existência dos seres humanos que evoluem desde seu nascimento até a morte. Esse trajeto é cercado de inúmeras emoções que precisam ser pautadas na saúde e no bem-estar para alcançarmos a felicidade.

“Quando falamos de sexo, estamos falando de saúde. Logo, estabelecer uma relação sexual de forma saudável, com troca de emoções positivas, pode sim promover vitalidade e boas experiências. Porém, a vida não está restrita apenas ao sexo, mas a inúmeros outros prazeres que nos tornam realizados”, destaca.

Sexo e longevidade

Quando perguntado se existe alguma relação entre o orgasmo e a longevidade, respondeu: “Quem é mais feliz no sexo pode sim viver mais, pois a redução do estresse é importante para o alcance do bem-estar físico e mental, promovendo hábitos saudáveis e a longevidade”, concluiu o especialista.

Bom para os nervos e para dores musculares

Durante a relação sexual, o fluxo sanguíneo e a frequência cardíaca aumentam significativamente, causando a contração de inúmeros músculos do corpo humano. Essa contração se intensifica quando o organismo atinge o clímax sexual (orgasmo), e o que se segue é um profundo estado de relaxamento e de alívio das tensões.

Livre-se do estresse

Um estudo realizado na Escócia e publicado na revista Biological Psychology relevou que pessoas que possuem uma vida sexual mais ativa lidam melhor com situações de estresse do que as que não praticam sexo com tanta regularidade. Isso se deve ao fato de que o orgasmo reduz a produção de cortisol, que é o hormônio responsável pelo estresse.

Bom para o coração

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde dos EUA concluíram, durante um estudo com 10.739 mulheres que faziam algum tratamento hormonal, que o estrogênio diminui o risco de doenças cardíacas. Como é sabido, o orgasmo eleva os níveis de estrogênio na mulher.

Além disso, ao melhorar o nosso estado psicológico, a prática regular do sexo reduz o risco de enfarte do miocárdio e a intensidade das depressões.

Livre-se das dores

Durante o orgasmo, nosso cérebro libera na corrente sanguínea quantidades até cinco vezes maiores de endorfinas e oxitocinas do que em situações normais. Muito similares à morfina, esses hormônios são responsáveis pelo controle da dor.

Fortalece a imunidade

Cientistas americanos da Wilkes University descobriram que pessoas com uma vida sexualmente ativa possuem níveis mais elevados de um anticorpo conhecido como IgA, que é responsável pela proteção do organismo de infecções, gripe e resfriado.

Boa noite!

Uma pesquisa realizada com 378 mulheres brasileiras com idades entre 40 e 65 anos e conduzida por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) mostrou que mulheres que fazem mais sexo e atingem o orgasmo têm menor probabilidade de sofrerem de insônia. Além de fatores como o relaxamento dos músculos e a liberação de endorfinas, o estudo comprovou que o orgasmo também é capaz de ativar neurotransmissores que melhoram o funcionamento do cérebro e de todo o organismo, interferindo diretamente na qualidade do sono. E isso não acontece somente nas noites de relação sexual: os benefícios se prolongam por alguns dias. Ou melhor, algumas noites bem dormidas.

Um cuidado extra para pele e cabelos

A médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Betina Stefanello afirma que o orgasmo é, sim, capaz de deixar tanto a pele quanto os cabelos mais bonitos. “Alguns estudos mostraram que o orgasmo diminui a produção de cortisol, hormônio responsável pelo estresse. Além disso, aumenta os níveis de dehidroepiandrosterona e estradiol, deixando assim nossa pele e os cabelos mais viçosos”, explicou.

Betina ainda cita outro estudo, que evidenciou que o sexo prazeroso estava associado a ter uma aparência mais jovens do que realmente era. “Acredita-se que devido ao aumento dos níveis de estradiol, que deixa as mulheres mais atraentes. Associado a isso, quando há o orgasmo, ocorre uma vasodilatação superficial dos vasos sanguíneos. Isso proporciona maior nutrição aos tecidos, revelando e exaltando o brilho natural”.


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