A voz feminina ilumina a Música Brasileira desde o final dos anos 30 do século passado. Costuma-se dizer que o Brasil é um país de cantoras. E como nossa música é extremamente abrangente, com tantos gêneros e ritmos peculiares a cada região, é natural que as vozes femininas brasileiras se apresentem em um leque formidável de diversidade.

Em uma época de inegável emancipação feminina, com a luta pelos direitos das mulheres fazendo-se presente no dia a dia de muitos países, é muito importante que as grandes cantoras brasileiras sejam sempre lembradas e tenham seu canto espalhado pelas ondas sonoras de nossa música.

As escolhas musicais desta coluna estão pautadas pela emoção e vivência deste escriba. Com raríssimas exceções, não tocam no rádio e não são vistas na televisão. São conhecidas ou passarão a ser por aqueles que insistem em escavar a terra à busca de inúmeros tesouros da música brasileira que, por conta destes tempos midiáticos e indigentes, foram relegados ao mais inacreditável descaso.

"A virtude é grão tesouro, mais durável que fino ouro"

CANÇÃO DE ACORDAR – DIANA PEQUENO

Baiana de Salvador, Diana Pequeno nasceu em 1958. Uma grande cantora, engenheira elétrica de origem, foi musa de muita gente nos anos 70 e 80 do século passado. Afastou-se da carreira artística e ficou muitos anos distante do mercado musical embora tenha gravado alguns discos independentes com pouca divulgação. Chegou-se a criar uma aura de mistério sobre a sua vida e sobre o seu “desaparecimento”. Retomou a carreira com um disputadíssimo show no Teatro Municipal de SP, em 2015, gravou novos discos, mas sempre à margem da indústria do entretenimento. A bela e sensível “Canção de Acordar”, de autoria de Flávio Venturini e V. Santos, está no álbum “O Mistério das Estrelas”, de 1985.

SAMBA DE VERÃO – PAULA MORELENBAUM

Paula Morelenbaum nasceu no Rio de Janeiro, em 1962. Iniciou a carreira no grupo vocal Céu da Boca. Convidada por Tom Jobim fez parte do coro de cantoras da Banda Nova por 10 anos. Sua carreira solo teve início em 1990, em Nova York, e desde então apresenta um trabalho bem consolidado, mesclando álbuns somente seus a outros com diversos grupos, quase sempre liderados pelo violoncelista Jaques Morelenbaum, seu marido. Este vídeo é de uma performance intimista do Bossarenova Trio para a clássica “Samba de Verão”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle, com Paula, Joo Kraus e Ralf Schmid.

CANÇÃO SEM SEU NOME – BELÔ VELLOSO

A cantora e compositora Isabel Teles Veloso de Mesquita nasceu na mítica Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, em 1971. Sobrinha de Caetano Veloso e Maria Bethânia, Belô Velloso foi para o Rio de Janeiro em 1990 para tentar a carreira musical. O seu primeiro álbum é de 1996, e “Canção sem seu nome”, de Adriana Calcanhoto, é uma das faixas que evidenciam o talento e a sensibilidade da intérprete. Com DNA real, Belô segue na estrada.

ZEN VERGONHA – BETH BRUNO

A niteroiense Beth Bruno é cantora, compositora, pianista e atriz. Nascida em 1960, Beth é uma artista extremamente conceituada nos meios musicais, tendo trabalhado com grandes nomes da MPB, da Música Instrumental Brasileira e do cenário de jazz dos Estados Unidos. Esta gravação, “Zen Vergonha”, dos magistrais Guinga e Aldir Blanc, faz parte do primeiro álbum de Guinga, de 1991, um “songbook” só com canções dele com Aldir. O arranjo de “Zen Vergonha” é um primor. E Beth Bruno, assim como tantas outras, merecia ser mais conhecida pelos brasileiros.

CORPO MESTIÇO – FÁTIMA GUEDES

Cantora e compositora de primeiro time, Fátima Guedes nasceu no Rio de Janeiro em 1958. Foi criada na zona norte do Rio e, desde a juventude, teve seu olhar aguçado para as alegrias, as tristezas e os desvãos da alma da mulher brasileira. Talvez por isso tenha sido comparada a Chico Buarque no início da carreira, outro mestre no conhecimento da alma feminina. Voz singular, brilhante nos graves, suas canções têm sido uma referência nos repertórios de muitos cantores e cantoras do Brasil. “Corpo Mestiço”, do álbum “Muito Intensa” de 1999, é uma parceria da Fátima com outro mestre, Nei Lopes, conceituado sambista e historiador das culturas africanas.

DUNAS – ROSA PASSOS
 

Em abril de 1962, em Salvador, Bahia, nascia a premiadíssima Rosa Passos, uma das cantoras e compositoras brasileiras de maior visibilidade no exterior. Aclamada nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na África, Rosa já foi considerada como o “João Gilberto de saias”, devido à sua destreza no violão, voz afinadíssima e divisões inusitadas nas interpretações. Além de tudo, é baiana também! “Dunas”, dela e Fernando Oliveira, permite uma reflexão sobre a felicidade. A canção está no seu terceiro álbum, “Festa”, de 1993.

Compartilhe com seus amigos

Receba os conteúdos do Instituto de Longevidade em seu e-mail. Inscreva-se: