Algumas características melhoram com o envelhecimento – e uma delas é a intuição. É o que explica o neurologista Martin Portner, mestre em neurociência pela Universidade Oxford. “Sacadas intuitivas gostam de visitar o cérebro de senhoras ou senhores que já passaram pela fase jovem, de aprendizado intenso”, diz ele.

Confira, a seguir, quais são os conselhos do especialista para desenvolver a intuição e como a ansiedade e a depressão podem bloqueá-la.

 

O que é intuição?

Intuição é a sacada que surge sem ser esperada. Ela nunca comparece por convite – ela surge. É uma das melhores capacidades do cérebro humano.

 

Quando saber se é intuição ou medo?

Pode ser um ou outro porque ambas geram o aperto no estômago ou o aumento na levada do coração. Mas há duas regras.

Primeiro, se você estiver preocupado ou tenso – ou se suas ideias forem provenientes de indagações acerca do futuro ou revirando coisas do passado –, é mais provável que seja medo. Se você está no momento presente, divagando, mas suficientemente atento, e uma ideia aparece na sua cabeça – em geral associado a um tênue sorriso no canto dos lábios –, celebre, porque se trata da solene intuição.

Segundo, medo aperta a gente, intuição liberta. Uma sacada intuitiva abre um horizonte de ideias novas, o medo não. Intuição é uma boa ideia, uma resposta a um problema ou uma solução que surge “fora da caixa”.

 

“Pessoas mais experientes tiram o tempo para parar e apreciar suas qualidades intuitivas”

 

Como a pessoa pode saber se é intuitiva ou não?

Quem é intuitivo ou intuitiva simplesmente sabe que é. Todos podem ser.

 

Há alguma fase da vida em que somos mais intuitivos?

Experiência ajuda. Sacadas intuitivas gostam de visitar o cérebro de senhoras ou senhores que já passaram pela fase jovem, de aprendizado intenso. Mais adiante, quando a sabedoria passa a prevalecer, os momentos intuitivos são mais fortes e precisos.

Também é verdade que pessoas mais experientes tiram o tempo para parar e apreciar suas qualidades intuitivas. Mais cedo na vida, somos muito apressados – e elas passam batidas.

Há formas de desenvolver a intuição?

Tudo começa com a ligação com o momento presente. Pessoas que a toda hora estão preocupadas com o amanhã bloqueiam a intuição. Já as que têm facilidade para conectar com o que está acontecendo consigo e em seu entorno têm mais facilidade.

Outro aspecto saliente é a ligação com “o de dentro”. Foi observado que pessoas que sentem melhor seus batimentos cardíacos, por exemplo, têm mais facilidade para gerar momentos intuitivos tanto na vida pessoal, quanto no trabalho. Pessoas que desenvolvem o hábito da meditação mindfulness desenvolvem ambas.

“Quem é intuitivo quando mais jovem se torna superintuitivo na senioridade”

 

Por que a mente agitada não percebe a intuição?

Ansiedade agita a mente sobre o que vem depois. A depressão a agita pelo processo ruminativo do que foi, como poderia ter sido. Ambas consomem imensos recursos do cérebro. Essa montanha de agitação impede a formação de um canal entre a consciência e os processos criativos na parte subconsciente da mente.

A intuição muda com o passar dos anos?

Só fica melhor. Quem é intuitivo quando mais jovem se torna superintuitivo na senioridade. Com o passar dos anos temos a oportunidade de abandonar rotinas excessivas e deixar a mente vagar por ideias novas. Na verdade, aqui entra em cena uma forma de viver com as vivências intuitivas – estar no presente, brincar com as ideias “sem compromisso”. A intuição foge ao se sentir “puxada”. Para intuir, sossegue e devaneie. Quando for a hora, a sacada virá.

Saiba mais sobre como a ansiedade pode te prejudicar no link abaixo: https://institutomongeralaegon.org/saude-e-bem-estar/ansiedade-e-excesso-de-futuro-explica-especialista

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