Móveis grandes de madeira escura, porcelanas, objetos de prata. Você encara tudo isso como bens valiosos que deixará para os filhos? Se sim, repense. Eles não querem receber nada disso de herança, afirma a avaliadora Elizabeth Stewart, autora do livro “No Thanks Mom: The Top 10 Objects Your Kids Do Not Want (and what to do with them)” – “Não, Obrigada, Mãe: Os 10 Objetos que Seus Filhos Não Querem (e o que fazer com eles)”, ainda não lançado em português.

Stewart tem propriedade para falar: seu interesse na avaliação de objetos começou aos 11 anos de idade, quando passou a fazer “vendas de garagem” como um bico de verão. Seguiu essa trajetória até conquistar um Ph.D em Material Culture. E é hoje uma das avaliadoras de objetos – que determinam valor material, histórico e de mercado de itens – mais prestigiadas dos EUA.

Mas o que vale nos Estados Unidos também serve para o Brasil? Ela garante que sim, “devido à forma com que a tecnologia tem mudado as gerações X [1965-1980] e Y [1981-1997] ao redor do mundo”, responde ela. “Essas duas gerações têm coisas aos montes e podem ter o que querem em questão de minutos, em compras online.”

As gerações anteriores, diz Stewart, tinham que esperar e poupar. As que vieram na sequência “tinham apenas que pedir aos pais divorciados, que se sentiam culpados, pelas coisas que queriam – e conseguiam”, alfineta.

Os Xs e Ys não se importam muito com o valor, mas com a história por trás do objeto. E, se os pais realmente quiserem que os filhos deem valor ao que pretendem deixar de herança, é melhor catalogar quais são eles. A lista tem de incluir fotos e histórias de cada item.


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Depois, vale contar a importância de cada um deles. “Converse com as gerações mais novas em uma linguagem que entendam, que são narrativas curtas e imagens – uma técnica com a qual a tecnologia fala com eles”, indica Stewart.

E quais são os objetos valiosos para os pais, que não significam muito para os filhos? Segundo Stewart, a lista é:

  1. Louças finas de porcelana – conjuntos com xícaras, bules, pratos para todas as ocasiões, manteigueira e potes de sobremesa, entre outros. Eles têm de ser lavados, usados, lavados novamente, embrulhados e guardados, o que não é bem o que esperam as gerações mais novas.
  2. Faqueiro com talheres de prata e conjunto de taças de cristal. Além de jantares formais não serem prioridade, esses itens requerem lavagem manual e manutenção.
  3. Enxoval, com roupas de cama, toalhas, guardanapos e toalhas de mesa. Os mais jovens gostam de praticidade – o que não inclui o uso de ferro de passar para esses objetos mais delicados.
  4. Tapetes persas. Não combinam com a decoração mais minimalista adorada pelas gerações X e Y.
  5. Mobiliário antigo, especialmente os que são mais pesados e escuros. Seguem a mesma lógica dos tapetes persas.
  6. Objetos banhados em prata, como conjuntos de chá e candelabros. Precisam de polimento e manutenção, o que não os torna muito convenientes para os mais novos.
  7. Coleções de porcelana e pratos de parede decorados. Revisite os itens 4 e 5 para entender o motivo.
  8. Baús, máquinas de costura e projetores. Basicamente, não interessam porque não são usados.
  9. Fotos, cartões de felicitações ou cartões postais. Se podem ser digitalizados, por que não?
  10. Livros. Podem não ter interesse pelo tema. E ocupam espaço físico – algo que as obras online não necessitam.

Se as gerações mais novas não quiserem como herança esses itens, Stewart dá outra péssima notícia: “Há pouco ou nenhum mercado para esses objetos, porque a geração Y tem, em todo o mundo, um gasto anual de US$ 2,5 trilhões”. Isso significa que eles comandam o mercado. “E, se eles não querem, não há mercado”, sentencia.

Experiência pessoal

Stewart conta que a ideia de escrever um livro sobre os objetos que os mais jovens não desejam herdar nasceu dentro de casa. O filho e a esposa não tinham interesse em nenhum objeto. “Eu estava tão oprimida por eles não quererem nada!”

Então, lembrou-se que os clientes que contratam seus serviços de avaliação também disseram o mesmo sobre os filhos. Escreveu a obra em duas longas viagens de avião.

“A diferença é que minha geração – sou Baby Boomer [1946-1964] – lia o testamento deixado pelas nossas mães e tinha que pegar aqueles objetos – isso era uma coisa que você tinha que fazer”, avalia. “Agora as crianças querem decidir.”

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