Um dos pais fica viúvo. Tempos depois, envolve-se com outra pessoa, mas o filho não aceita o novo relacionamento. Essa situação, acredite, é mais comum do que você imagina.

O ideal é eles entendam que a viuvez não significa o fim da vida amorosa. E que novos encontros são saudáveis. “Muitos ‘morrem’ com o cônjuge”, alerta a psicóloga Cristiane Maluf Martin, acrescentando que se fecham e se isolam.  

Uma não aceitação pode acontecer “com filhos de todas as idades, credos e fatores cultural, social e econômico diferentes”, afirma a psicóloga Heloísa Garbuglio. “Há aspectos financeiros, emocionais envolvidos para se aceitar a nova ‘namorada do papai ou o companheiro da mamãe’.”


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“Se os filhos ainda são bebês, fica muito mais fácil inserir uma nova pessoa dentro de casa, uma vez que o novo relacionamento será implantado quando a criança ainda não tem discernimento”, diz Paula Cassim, especialista em relacionamentos e autora de "Como Reconquistar Seu Ex". Na adolescência, a chance de haver conflitos aumenta. “É uma época de muitas mudanças e muitos hormônios”, diz Cristiane.

A seguir, as três especialistas falam sobre a não aceitação do relacionamento de pais viúvos e o que fazer nesses casos.

Relacionamento dos pais viúvos: aceitação

Sentimento dos filhos

Paula explica que o principal sentimento é o “medo de perder mais um pai ou mais uma mãe para esta nova pessoa, medo de perder a atenção”. Quando são adultos, o temor é ver um dos pais envolvido com alguém que julgam enganando, iludindo ou se aproveitando deles. “Podem criar uma antipatia de graça, sem a pessoa ter feito nada”, diz ela.

Reação dos filhos

O mais comum quando o filho não aceita o novo relacionamento, segundo Paula, é o boicote. “Mas isso vai depender da idade.” Quando é criança, “não gosta de nada do que é proposto pela nova pessoa, fica com cara feia, não curte o passeio, faz birra, bagunça e malcriação, faz de tudo para que a pessoa nova não aguente e vá embora”.

Há ainda quem queira se afastar, morar com os avós e não aceitar sair mais. Em alguns casos, os filhos podem tomar partido e até brigar, deixando claro que não gostam e não querem aquela nova situação.

Com quem acontece

Segundo as especialistas, qualquer um está sujeito: tanto mulheres quanto homens. Mas eles se impõem com frequência maior. “Já elas preservam mais a família. Demoram mais para apresentar, num movimento relacionado com a proteção do lar”, explica Cristiane. Paula complementa: “As mães costumam ter mais cuidado em por outra pessoa dentro de casa, sem conhecer direito, sem ter certeza de que aquilo já deu certo”.

Como apresentar

Quando os filhos ainda são pequenos, é necessário incluir a pessoa aos poucos e com muito cuidado, segundo Paula. Passeios, por exemplo, são uma possibilidade. “O mais indicado é que o novo relacionamento seja demonstrado de forma natural, porém gradual.”

Como lidar com a não aceitação

“Além de muito cuidado e conversa, a coisa tem que acontecer de forma muito mais gradual e serena. Sem forçar a barra, sem querer aplicar a ideia do convívio diário de uma vez só”, orienta Paula.

Para Cristiane, é preciso que o diálogo seja estabelecido dentro de casa. Paula sugere vincular, no princípio, os momentos em que todos estão juntos a situações de “extrema alegria e diversão”. E deixar alguns dias em que o namorado ou a namorada não esteja por perto.

Avós, tios e primos também podem contribuir. “Cabe ao pai ou à mãe conversar pessoalmente com esses parentes, explicando seus motivos de ter um novo relacionamento, demonstrando por que é importante para ele e para as crianças, para evitar julgamentos que podem existir por parte deles também”, diz Paula.

Ser a outra pessoa

Entrar em um relacionamento com alguém que está viúvo merece atenção, de acordo com Cristiane. “Se o outro tem filhos, é preciso dar tempo para a aceitação do relacionamento por eles”, sugere a especialista.

Entender a realidade do parceiro inclui saber lidar com problemas. “Há casos em que a criança diz: ‘você não é meu pai’. Nessas situações, nada melhor do que uma boa conversa, explicando seu papel e reforçando que não está lá para substituir, mas para agregar”, finaliza Cristiane.

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