Diz um ditado que “colegas existem aos montes; amigos contamos nos dedos da mão”. Se há fundamento nisso ou não, deixemos para a sabedoria popular. Mas o que se sabe é que, para fazer amigos, são necessárias 50 horas de convivência.

É o que mostra um estudo da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, publicado no periódico científico “Journal of Social and Personal Relationships”. Para que a relação se torne uma amizade comum – e não apenas casual –, vão entre 80 e 100 horas. Após 200 horas, já é possível considerar a pessoa uma amiga íntima.

Esses relacionamentos sólidos podem surgir onde e quando menos se espera, como no ambiente de trabalho. Foi o que aconteceu 12 anos atrás, num ambiente jovem e cheio de mulheres de uma revista feminina. Maria Tereza Pagliaro, jornalista, hoje com 63 anos, havia chegado à equipe e identificou-se imediatamente com a então designer Andreia Costa, à época com 30 anos.

“A redação era formada por gente jovem, alegre e barulhenta, parecia sala de cursinho vestibular. A Andreia logo chamou minha atenção porque destoava de mim e do resto da equipe – falava pouco e baixinho, era mansa, educada e gentil e compenetrada no trabalho”, recorda a jornalista.

O tempo e a convivência aproximaram as duas. As conversas eram diárias no cafezinho, durante o almoço, na hora de ir embora, já que pegavam o mesmo ônibus. O papo virou confidência, desabafo, piada, fofoca. Nunca ficavam sem assunto.

Os encontros se ampliaram. Passaram a incluir o marido de Costa, os filhos de Pagliaro, mais amigos, os amigos dos amigos. E continuaram mesmo depois de cada uma seguir caminhos profissionais diferentes.


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Em 2014, a jornalista inscreveu-se em um curso de italiano, na Itália. Estava tudo pronto: passagem, acomodação, matrícula. Ao comentar com a amiga sobre a viagem, veio a surpresa. “Ela disse: ‘Eu vou também’. Nem tive tempo de retrucar e ela já estava dando um jeito nas férias, na reserva, em tudo”, lembra Pagliaro.

Foram 30 dias de risadas, de perrengues, de companheirismo e até de implicância mútua. “Eu pensei que ia deixá-la louca ou vice-versa. Mas voltei mais apaixonada do que nunca”, garante a mais nova. “Daí para frente, a amizade virou vinho bom – só melhora com o tempo”, afirma a mais velha.

 “É uma amizade daquelas que a gente sente vontade de levar pra vida toda, sabe?”

Pagliaro diz que, mesmo se demorar para as duas se encontrarem, a história entre as amigas é forte, sem cobrança ou julgamento. “É uma amizade daquelas que a gente sente vontade de levar pra vida toda, sabe?”, declara-se. Costa não deixa por menos: “Alguns a gente leva pra vida; outros ficam em memórias boas; mas a Tereza é pra sempre”.

no curso de italiano em 2014x Maria Tereza Pagliaro (à esq.) e Andreia Costa, em viagem para a Itália; crédito: Arquivo pessoal

Essa sintonia entre duas pessoas, como Pagliaro e Costa, pode ocorrer também em um grupo maior. Que o digam sete mulheres que encontraram na música um ponto em comum para fazer amigos. A mais nova tem 53 anos; a mais velha, 73.

Um dos passos foi dado por Helenita Wagner, professora aposentada e hoje corretora de imóveis, que sentia falta de companhia para se divertir depois do fim de um casamento de mais de 20 anos. No coral, conheceu Carmen Goulart da Silveira, funcionária pública aposentada. E passaram a se encontrar também fora dos ensaios.

No grupo de WhatsApp da turma, Wanda Cruente, 71 anos, postou um vídeo dançando num bar com outra colega. “Elas estavam sozinhas. Eu me convidei para ir na próxima”, lembra Wagner.

A partir daí, fazer amigos se tornou uma rotina e as parcerias foram aumentando. Cruente convidou a amiga Duartina Terezinha Goss, 77 anos, para participar de um dos encontros com a turma. A modelista Maria Regina Voltarelli, 60 anos, se uniu a elas quando entrou para o coral. Passaram a viajar todas juntas, e num dos passeios, a arquiteta aposentada Marina Braga, 56 anos, embarcou. Depois, chegou Eliane Daniela Rozwalka, 53 anos, professora de educação física e, atualmente, empresária.

Hoje, as atividades em conjunto incluem idas ao bar, exercícios físicos, almoços, teatros e viagens, tudo temperado com conversas pelo WhatsApp. “Mesmo tendo faixas etárias distintas, estamos sempre em sintonia e de lá para cá a nossa amizade só tem se fortalecido”, afirma Wagner.

“Nossas reuniões são uma verdadeira terapia”

“Estarmos juntas significa momentos de alegria e diversão. É sempre muito prazeroso”, considera Cruente. “Saímos juntas, rimos muito e dizemos muitas bobagens e isso tudo deixa a vida mais leve, mais alegre e divertida”, completa Silveira.

Segundo Voltarelli, a turma se une na alegria e na tristeza. “Nas dificuldades, podemos sempre contar uma com a outra. Nossas reuniões são uma verdadeira terapia”, resume.

amigas O interesse pela música uniu o grupo, que hoje canta, viaja e comemora junto; crédito: Arquivo pessoal

O grupo é muito coeso, apesar da diferença de idade. “Estamos sempre dispostas a uma colaboração mútua em qualquer dificuldade: saúde, informação, conselhos... Uma sempre incentiva a outra, para tornar nossa vida fácil de viver”, finaliza Goss.

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