Um tropeção aqui, uma escorregada ali são situações que podem parecer detalhe para muita gente. Mas saber como prevenir quedas e até o que fazer quando está caindo é vital. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que, entre pessoas com mais de 64 anos de idade, de 28% a 35% caem anualmente. Após os 70 anos, o índice chega a 42%. E são as quedas um dos principais motivos de internação por lesões graves entre adultos mais velhos e a segunda causa de lesão medular e cerebral nessa população.

Elas acontecem por diversos motivos – não apenas desatenção. Bernardo Sampaio, fisioterapeuta responsável pela Unidade de Guarulhos do ITC Vertebral e do Instituto Trata, lista ainda como responsáveis a falta de força muscular, de equilíbrio e de coordenação, a osteoporose e as alterações neurológicas. “Os reflexos já não são os mesmos; agilidade e mobilidade já são menores que a de um adulto mais jovem”, complementa o fisioterapeuta Fernando Gonçalves, do Estúdio Piovesan.

O ortopedista Francisco Vieira de Oliveira, do Conselho Administrativo, Técnico e Operacional da Central Nacional Unimed, explica que punho, úmero (osso que liga ombro e cotovelo), vértebras e quadril são as áreas mais sensíveis quando se fala em fraturas. As quedas, no entanto, não têm apenas impacto físico. “Também podem provocar doenças emocionais, como maior irritabilidade e depressão, devido à redução da mobilidade e à dificuldade de fazer ações simples, como escovar os dentes e tomar banho.”


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Mas existe uma maneira de cair com segurança? Como elas podem ocorrer mesmo quando a pessoa toma muito cuidado, o ideal é proteger a cabeça, porque as lesões nessa região costumam ser mais graves do que fraturas em membros, por exemplo. “Lesões cranianas são altamente recorrentes, principalmente em crianças e idosos”, informa o médico Bruno Pereira, autor do Guia de Prevenção de Quedas no Idoso da Sbait (Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado).

Oliveira orienta a girar de lado e encolher a cabeça. Se possível, diz ele, “deve-se rolar com a queda, sem lutar contra ela”, além de tentar não endurecer o corpo, relaxando a musculatura. Resistir à queda, completa Gonçalves, “aumenta a rigidez na articulação, provocando um maior impacto”.

Saiba, a seguir, o que fazer para prevenir quedas.

PREVENÇÃO

Uso de dispositivos de auxílio

Também chamados de dispositivos auxiliares de marcha, são bengalas, muletas e andadores que “visam auxiliar na independência funcional, no equilíbrio na marcha”, diz a fisioterapeuta Luciana Mastandrea, coordenadora do setor de fisioterapia do Instituto Biodelta. Ela explica que, antes de escolher, é preciso consultar um profissional, que indique o modelo mais adequado e a maneira de usá-lo.

Calçados adequados

Nem um número a mais, nem um a menos – o calçado ideal é aquele que se ajusta ao tamanho do pé. Os fechados e bem fixos, com sola firme e solado emborrachado, são importantes para evitar escorregões, sinaliza Mastandrea.

Fortalecimento muscular 

O fortalecimento dos músculos ajuda a prevenir quedas por restabelecer a postura corporal em situações de desequilíbrios. “Isso acontece graças à contração dos músculos de maneira rápida e potente. O músculo forte ajuda ainda a estabilizar as articulações e aliviar sobrecargas diárias, inclusive em situações de desequilíbrios do corpo”, destaca a educadora física Sandra Nunes de Jesus, coordenadora técnica do Instituto Biodelta.

Para isso, é preciso investir em exercícios físicos. “Devemos realizar aumentos progressivos de cargas, com segurança e com supervisão de um fisioterapeuta ou professor de educação física, no mínimo de 4 a 6 meses para se obter um resultado inicial”, informa Mastrandrea.

Sandra explica que é preciso exercitar os membros inferiores, mas recomenda-se “fazer um programa de treino para fortalecimento geral, inclusive a musculatura das costas”. Assim, diz ela, evita-se a inclinação do tronco a frente ao caminhar ou ficar em pé, o que muda o centro de gravidade e favorece desequilíbrios no corpo.

Adaptações no ambiente

Na sala: O primeiro passo é retirar fios e objetos, inclusive pequenos móveis. Vale instalar luzes com sensor de presença em locais pouco iluminados e barras de segurança.

Na escada: Além de ter corrimão, preferencialmente dos dois lados, a sugestão é colocar fitas antiderrapantes nos degraus e interruptores de luz nas duas pontas da escada.

No quarto: Invista em um interruptor próximo à cama ou uma luminária. Evite tapetes, camas baixas e colchões muito macios, que possam oferecer dificuldade ao levantar.

Na cozinha: Instale pisos antiderrapantes e armários que estejam na altura das mãos, de modo a dispensar os banquinhos e escadas para pegar objetos.

No banheiro: Elevadores de assento aumentam a altura do vaso sanitário, o que pode ajudar a sentar e levantar. Barras de apoio e cortinas - em vez de box de vidro, que pode machucar - são essenciais no box.

SE CAIR...

- busque ajuda, ligando para o SAMU (192), os Bombeiros (193) ou a Polícia Militar (190).

- e estiver sangrando, peça a alguém para cobrir e comprimir o ferimento com um pano limpo.

- “não tente reposicionar a região afetada e não force o local. No caso dos membros inferiores, evite colocar carga para que não desloque ainda mais a região fraturada”, aconselha o fisioterapeuta Bernardo Sampaio.

- procure um especialista. Fraturas de costela não tratadas, por exemplo, “aumentam as chances de perfuração pulmonar, transformando um quadro inicial sem gravidade em uma situação de risco à vida”, assinala o médico Bruno Pereira, presidente do Capítulo São Paulo da Sbait.

- conte ao médico detalhes da queda, que podem ser úteis para o diagnóstico e o tratamento.


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