O Organização Mundial de Saúde estima que de 28% a 35% das pessoas com idade de 65 anos ou mais caem a cada ano, aumentando para de 32% a 42% para aquelas com mais de 70 anos. Com o isolamento social imposto pelo novo coronavírus, esses números tendem a aumentar. 

A fisioterapeuta e gerontóloga Carla Gutschov estima um crescimento de 60% nas quedas, justificando que, na quarentena, “o idoso deixa de fazer pequenas atividades funcionais, como ir ao banco, cuidar dos netos e fazer exercícios, que interferem diretamente em deixá-lo ativo”. 


É fato: quando envelhecemos ficamos mais suscetíveis às quedas. Não dê bobeira! Previna-se e contrate o seguro de acidentes que a MAG Seguros criou com a ajuda do Instituto de Longevidade. Clique aqui e veja os valores.


“Uma caminhada ao supermercado ou para visitar um amigo pode parecer pouco, mas garante um nível básico de exercício”, observa a arquiteta e gerontóloga Flavia Ranieri. “E são os músculos que irão garantir estabilidade no caso de uma queda ou mesmo uma vertigem ou um tropeço.” 

Além disso, pontua, amigos e familiares são grandes observadores das mudanças físicas que acontecem com os idosos. “Por conhecê-los bem, sabem quando algo está diferente ou uma dificuldade aparece. Sem isso, ficam presos a chamadas virtuais que pouco dizem sobre mudanças na postura, no ritmo de marcha ou dificuldades para alcançar um objeto.” 

Na falta de olhos de terceiros, existem alguns cuidados para deixar a casa mais segura e evitar incidentes. Confira, a seguir, as dicas da arquiteta:  

10 dicas de como evitar acidentes em casa 

Piso 

Muita atenção nos pisos. Nos ambientes com maior circulação, instale revestimento ou ceras antiderrapantes.  

Foto: Reprodução/3M 

No banheiro, não é necessário tirar o tapetinho, explica Flavia: “Ele é importante para absorver a água do corpo e evitar que o restante do banheiro fique molhado”. A questão é o tipo. Os tradicionais, que são simples toalhas de chão, devem ser evitados, pois eles escorregam com muita facilidade.  

O ideal é usar um modelo que tenha pequenas esferas antiderrapantes no verso, o que faz com que ele fique bem firme ao piso. Materiais que absorvam mais a água também são indicados. 

Foto: Reprodução/Mercado Livre 

Além disso, sugere, “uma barra de apoio vertical na saída do box auxilia o processo de secagem do corpo de forma eficaz”. 

Nos outros ambientes, os tapetes devem ser evitados. “Caminhar com o pé mais arrastado e próximo ao chão transforma as bordas dos tapetes em grandes vilões.” 

Sapatos 

Andar de chinelos ou meias pela casa significa um “risco altíssimo” de queda, diz a arquiteta: “Se gosta da sensação da meia, prefira as pantufas que abraçam todo o pé e que tenham material antiderrapante no verso. Algumas meias no mercado também estão vindo com este acabamento”.  

Foto: Reprodução/Riachuelo 

Objetos e móveis 

Existem aqui dois fatores: o visual e o de mobilidade. “Quanto menos coisas houver no ambiente e menos poluição visual, mais fácil será achar os objetos e menos confusão mental gerará”, pontua. 

No entanto, deve-se levar em consideração que memória afetiva é importante, então tirar tudo pode ser um erro. “Deixe objetos de maior valor sentimental. Analise apenas a posição em que está colocado e se é um risco de queda.” 

Quanto à questão da mobilidade, nem sempre menos é mais. “É um erro comum as pessoas tirarem tudo do caminho, mas se esquecem que um aparador ou uma mesa podem significar superfície de apoio. Removê-lo pode significar aumento do risco de queda. Tente traçar um caminho livre de 80 cm de largura por toda a casa, garantindo que as superfícies de apoio (barra, mesa, cadeira, buffet etc.) sejam estáveis e não virem com o peso do corpo”, ensina. 

Mesa de centro é um problema. “O ideal seria termos em torno de 60 cm para que se alcance com facilidade o copo ou objeto deixado nela sem precisar sair do sofá. Mas essa é uma distância curta demais para passagem e provocam as famosas caneladas nas bordas.”  

Por isso a arquiteta sugere deixar a distância maior, 80 cm, e usar as mesas de apoio de encaixe para usar no dia a dia. “São charmosas e super úteis. Garanta que não seja um modelo muito leve, para não tombar com facilidade.” 

Foto: Reprodução/Koral Contract 

Escadas e soleiras de porta 

E se na casa há escadas com degraus de tamanhos diferentes ou degraus altos ou até mesmo desnível entre ambientes, como evitar acidentes? “Sinalizar, sinalizar, sinalizar. Se não tem o que fazer, chame atenção para ele.” Vale desde fitas a avisos na parede. Alguns modelos de fitas ficam inclusive vibrantes na baixa luminosidade. 

Foto: Reprodução/Mercur 

Além disso, fitas de LED podem ser colocadas no beiral do degrau ou mesmo no corrimão, para facilitar a visualização. 

Foto: Reprodução/Luxfort 

E nas soleiras das portas não niveladas com o chão? “Sinalize, sinalize, sinalize. Se for um único degrau, deixe ainda uma barra de apoio vertical ao lado.” 

Chuveiro e banheira 

Tapete antiderrapante dentro do box exige atenção. “Para que ele seja eficaz, é necessário que seja colocado no piso quando ele ainda está seco e ser bem pressionado, para que não entre ar ou água nas ventosas de sucção”, diz Flavia. 

“O que normalmente ocorre são as pessoas deixarem esses tapetes secando. Quando vão usá-lo novamente, ligam o chuveiro e só depois jogam ele no chão. Desta forma, ele vira um risco e pode escorregar.” O que fazer, então? “Sugiro fitas antiderrapantes específicas para banheiro.”  

Foto: Reprodução/3M 

Banheira, pontua, “é uma enorme vilã. Se possível, tire.” Se não quiser abrir mão, busque modelos adequados e com acessibilidade.  

Foto: Rafael  Renzo 

Barras de apoio são grandes salvadoras no banheiro. “Apesar de não serem muito bonitas, elas literalmente salvam vidas”, observa. Para instalá-las, você pode seguir as recomendações da NBR9050/2015, em que são especificadas as alturas e as distâncias corretas. 

Ou mesmo observar os movimentos mais usados e como elas poderiam ajudar de outras formas. “Uma vez eu sugeri a um cliente que colocasse uma barra vertical na frente do vaso sanitário. E, experimentando juntos, ele achou que na posição horizontal iria funcional melhor. Se pra ele funciona, isso é o que importa”, exemplifica.  

Iluminação 

Na casa de um idoso, a luz deve ser adequada ao tipo de atividade. Áreas como cozinha, onde se trabalha com facas e se manipulam alimentos, devem ter uma iluminação com o IRC (índice de reprodução de cor) de no mínimo 85 – esta informação vai na caixa da lâmpada. “É este índice que vai garantir a fidelidade das cores e a visibilidade dos objetos e não uma luz mais forte.” 

Foto: Rafael  Renzo 

Ao invés de uma luz central e forte, Flavia também aconselha vários pontos de luz estrategicamente colocados. “Será mais eficaz. O excesso de luz não traz aconchego, por isso evito. Mas tiro muito partido de luzes indiretas e abajures. Uma luminária de mesa na mesa do escritório pode ser muito mais útil que um ambiente com luz central forte, mas que o próprio corpo faz sombra sobre a superfície de trabalho.” 

Armários e prateleiras 

Está difícil de acessar armários e prateleiras? “Regra número um: nada de subir em bancos e cadeiras! Muitas vezes uma simples mudança do local onde se guardam os objetos pode resolver”, explica. “Costumo trabalhar com altura mínima de 30 cm e máxima de 140 cm. Acima disso, deixo coisas que nunca ou quase nunca são usadas.” 

Fios no chão 

“Mude o caminho dos fios elétricos ou de telefonia, nem que tenha que passá-lo por cima da porta”, diz a arquiteta, que fez isso na casa dela. “Eu não queria gastar com obra, então segui o simples. Poderia usar também canaletas presas à parede para esconder.” 


Foto: Arquivo Pessoal 

Vazamento de gás 

Esquecer de apagar a chama do fogão é muito comum. “Com a redução do olfato, fica ainda pior. O maior risco é o de incêndio. E, quando o morador percebe, já pode ser muito tarde. O ideal é usar um sensor de fumaça acima do fogão. Pode ser um simples, que apite bem alto com a fumaça, ou um que esteja ligado a um sistema de automação e avise no celular.” 

Os fogões mais novos já vêm com um sensor que corta o gás automaticamente no caso de apagamento da chama. “Mas, no caso de incêndio, o fogo só será desligado caso seja um modelo elétrico e conectado ao sistema de automação. Por isso minha preferência pelos fogões por indução.”  

Outra ferramenta que pode ser muito útil são os timers de cozinha ou mesmo de celular. “É um recurso que eu uso muito, sou mestre em esquecer as coisas no fogão. Ao programar um tempo, ele apita e me lembra de checar a comida. Dou uma olhada e programo novamente.”  

Cortes e queimaduras 

A sensibilidade ao calor reduz com a idade. “Outro motivo que prefiro os fogões por indução. Não há o risco de se queimar com a chama. A área aquecida só é ativada em contato com a panela e não fora dela e esfria rapidamente quando é desligada.”  

Quanto aos cortes, a iluminação adequada é a maior aliada. “As luzes embaixo dos armários são muito úteis. Hoje em dia encontramos modelos à bateria e nem precisamos mexer na elétrica.” 

Uma gaveta organizada com local apropriado para as facas também ajuda na hora de buscar os talheres. “Deixe o corte sempre pra baixo. Ou use modelos de bancada.”  

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