Enquanto a maioria dos casais divide o dia a dia pessoal e se mantém longe durante a jornada profissional, há aqueles que compartilham a vida em todos os âmbitos. Trabalhar com o marido ou a esposa é realidade para muita gente. Mas a convivência constante pede alguns cuidados, a fim de evitar que a relação seja afetada.

"Conviver e trabalhar juntos, certamente, não é tarefa simples. Entretanto, pode ser uma opção menos complicada para quem já tem uma certa vivência", avalia Camilla Couto, orientadora emocional com foco em relacionamentos.


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Para ela, é essencial que ambos tenham plena consciência da posição que desempenham dentro da parceria, tanto pessoal quanto profissional. "Separar tarefas e papéis ajuda a ter mais discernimento sobre limites", pontua.

Os casais devem entender que, mesmo se amando e se dando bem na vida pessoal, as relações podem ser diferentes no ambiente profissional, segundo o psicólogo Yuri Busin, doutor em neurociência do comportamento e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental - Equilíbrio (CASME). "Apesar de se conhecerem, o perfil de trabalho pode mudar muito. Um pode ser mais ativo que o outro ou mais autoritário", exemplifica.

E aí, não raro, surge competitividade, na empresa e em casa. A parceria precisa ser verdadeira e genuína para que comportamentos como esse não abalem o casal.

Casais em risco

"Não dá para usar o trabalho como moeda de troca no relacionamento, nem misturar assuntos profissionais e pessoais", salienta Camilla. Isso significa que a atuação em conjunto precisa de maturidade, com cada um sendo inteiro e enxergando no outro um complemento para a vida.

Os casais que trabalham e vivem juntos precisam ter em mente que a intimidade pode, sim, ser um bônus. Mas ela corre o risco de se transformar em ônus quando um se acha no direito de invadir o espaço do outro e trazer palpites ou críticas desnecessárias, segundo Camilla Couto. "Ou seja, é importante ter noção desses limites e nunca, nunca mesmo, misturar mágoas e ressentimentos", opina.

Fabio Abate, diretor e consultor no Netas, especialista em gestão de pessoas, lembra que qualquer relação, incluindo a amorosa, não começa pronta, mas é construída no dia a dia. "Esse é um ponto fundamental de entendimento para que as pessoas possam se dar tempo e oportunidade suficientes, respeitando o outro", defende.

Conhecimento de si e do outro

O autoconhecimento e o conhecimento do outro são fundamentais dentro de uma relação a dois. Especialmente quando há convivência profissional em um relacionamento amoroso.

"É importantíssimo observar e entender comportamentos e reações, momentos de gatilhos mentais, ou seja, situações que tiram você do eixo”, considera Abate. Dessa forma, é possível “se antecipar e agir ou invés de reagir”.

Assim, acrescenta ele, evita-se um problema comum a boa parte das pessoas: reagir instantaneamente a algo e se arrepender depois. “Observar, respirar e pensar antes de agir são atitudes que reduzirão muito os conflitos", diz Fabio.

Dicas para garantir a boa convivência

  • Busque realizar atividades que não tenham relação com o trabalho, como passeios, jantares e viagens. Nessas ocasiões, não falem sobre assuntos profissionais;
  • Mesmo trabalhando e morando juntos, é importante o casal ter espaço para atividades a sós, como fazer esportes, hobbies e cursos. A individualidade precisa existir e é necessária para a relação evoluir;
  • Estabeleça os horários para o trabalho e respeite-os;
  • Evite levar problemas profissionais para casa e vice-versa. Se isso acontecer com frequência, o casal será apenas parceiros de trabalho e não de vida;
  • Desenvolva muito diálogo com o parceiro, mas cada assunto no seu devido lugar e tempo;
  • Tenha muito cuidado com a hierarquia dentro da empresa. Se um for chefe do outro, cobranças podem existir e isso não pode ser levado para o lado pessoal. Lembre-se: é uma relação de trabalho;
  • Evite palpites e críticas desnecessárias.
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