O alto custo de viver sozinho, muitas vezes combinado à solidão, tem estimulado a população madura a optar por repúblicas _ aquelas mesmas tradicionalmente criadas por estudantes sem recursos para bancar uma moradia individual. “A tendência é que as pessoas comecem a se agrupar e compartilhar habitação”, diz a gerontóloga Marília Berzins, presidente do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e do Envelhecimento).

Desde que exista autonomia para isso, a casa compartilhada pode ser uma alternativa extremamente benéfica, avalia a especialista. Tanto é que há um movimento mundial crescente para adotar o formato como política pública. Na Espanha, por exemplo, o conceito de “cohousing” ganhou campanha da Ceoma (Confederação Espanhola de Organizações de Idosos) e da Living Cohousing, empresa social especializada em construir comunidades criadas e dirigidas pelos moradores.

Neste tipo de habitação, cada um vive com privacidade em sua casa e compartilha, com pessoas de estilo de vida similar, ambientes coletivos, como cozinhas e lavanderias, entre outros.  “É uma nova estratégia de moradia que permite criar um ambiente comunitário que se adapte às necessidades atuais e futuras dos moradores”, afirma Marília.

Mais do que redução de custos – já que as contas de água, luz, aluguel, alimentação e telefone, entre outras, são compartilhadas –, a convivência conjunta estimula atividades sociais, como passeios e viagens. Também incentiva a socialização no dia a dia, o que é fundamental para evitar doenças como a depressão.

Além disso, os colegas de casa podem ser companhias para exames de laboratório e outras necessidades médicas. O apoio dos moradores, especialmente quando a pessoa não pode ir sozinha e não tem como contar com alguém da família, é valioso.

No Brasil, há ao menos uma experiência nesse sentido. Desenvolvida pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Santos, no litoral paulista, ela reúne homens e mulheres com mais de 60 anos de idade que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Para habitar a República de Idosos, criada em 1995, é necessário que o interessado tenha autonomia e renda fixa de até dois salários mínimos (R$ 1.760,00) para pagar um aluguel simbólico, hoje de R$ 150. São 29 vagas distribuídas entre três moradias.

Também é preciso passar por uma triagem feita pela equipe técnica da Seção Repúblicas, explica Celiana Nunes, coordenadora da área. “Um dos pré-requisitos é ter independência física e psíquica, não residir com familiares e ser morador de Santos.”

Ainda que a ideia não seja nova, ela tem ganhado adesão ao longo dos anos, inclusive no cinema.  O longa “E Se Vivêssemos Todos Juntos?”, lançado no Brasil em 2012, relata a história de um grupo que, cansado das regras do asilo, decide morar junto. Unidos por uma relação de amizade de mais de 40 anos, Annie (Geraldine Chaplin), Jean (Guy Bedos), Claude (Claude Rich), Albert (Pierre Richard) e Jeanne (Jane Fonda) discutem sobre temas como doença, proximidade da morte e vida sexual e afetiva.

Trailer do filme:

Se a opção for criar um espaço independente, como no filme, é recomendável planejamento e análise profundos pelo grupo, recomendam especialistas. Depois das regras estabelecidas, é fundamental eleger um líder, alguém que coloque o combinado em prática e ordem na casa. Se não houver liderança, o projeto pode estar fadado ao fracasso.

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