A vida é repleta de decisões – e a mais importante delas é quem você escolhe para passar tempo a seu lado. A felicidade está nos amigos de verdade, e não nas experiências que acumula, nas crenças pessoais ou nos bens que conquista ao longo da vida, na avaliação do neurologista Moran Cerf, da Universidade Northwestern.

Especialista em tomada de decisão há mais de dez anos, ele lista duas razões para justificar por que escolher bem suas amizades é tão importante. A primeira delas tem a ver com o número de escolhas que temos de fazer ao longo do dia. E, pode apostar, são muitas.

Da roupa que você vai vestir, ao prato que vai comer no restaurante, a vida é repleta de tomada de decisões – das pequenas às gigantescas. E como, segundo ele, temos uma capacidade restrita para isso, o melhor seria otimizar. Um exemplo seria almoçar com um amigo de verdade que conhece os melhores restaurantes e que sabe o que vale a pena comer – as escolhas passariam de ao menos três (aonde ir, o que escolher no cardápio e que bebida tomar) para uma (convidar o amigo e seguir suas escolhas).

“Em geral, a tomada de decisão é uma atividade estressante”, destaca o neurocientista Aristides Brito. Ele explica que esse processo envolve duas partes do cérebro: o neocórtex, mais racional, e a área ligada às emoções. “Há uma pressão emocional pela tomada de decisão mais correta, e nem sempre fica claro o que é esse correto.”

Quando se está com outras pessoas e a tomada de decisão pode ser compartilhada, a pressão se dilui. “Por isso casais que decidem tudo em conjunto sofrem menos”, sinaliza o neurocientista.

Quase iguais

Há ainda outro motivo para explicar por que escolher bem suas amizades fazem a diferença. Estudos mostram que as ondas cerebrais de pessoas que passam tempo juntas tendem a se assemelhar.

“As ondas não necessariamente são limitadas ao cérebro da pessoa, elas podem irradiar para fora. O que muitas pesquisas estão analisando é até que ponto essa radiação das ondas pode alterar aparelhos eletrônicos e influenciar nas sinapses de pessoas ao seu redor”, afirma Aristides.

O neurocientista conta que, em exercícios nos quais coloca duas pessoas frente a frente e as orienta a permanecerem de mãos dadas, olhando nos olhos uma da outra e respirando na mesma intensidade, elas dizem poder se comunicar sem falar. “Essas pequenas ou sutis formas de comunicação têm muito a ver com a transmissão de informações dessas sinapses e com a percepção de pequenas microexpressões que falam mais do que palavras.”

A convivência com amigos de verdade faz com que os pensamentos se alinhem. “Um vai entendendo o outro e, com o passar do tempo, as diferenças vão diminuindo ou até mesmo desaparecendo. Quando isso não acontece, em geral, há uma ruptura no relacionamento”, considera Aristides.

Para que isso aconteça, no entanto, ele ressalta que as duas pessoas devem estar em sintonia, “vibrar na mesma intensidade”. “Uma pessoa animada quando senta do lado de alguém mais triste não consegue esse alinhamento. A questão da empatia tem muito a ver com a vibração de ondas entre as pessoas.”

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