Para comemorar seus 55 anos, Valdete Nascimento resolveu se autopresentear com uma viagem. Mas não escolheu um pacote tradicional. Além de encarar a aventura sozinha, a aposentada só ficou sabendo o lugar que visitaria um dia e meio antes de embarcar. Ela aderiu ao movimento que tem ganhado adeptos no mundo todo, inclusive no Brasil: a viagem-surpresa.

Assim, no último janeiro, a paulistana entrou em um avião rumo a Porto Alegre para um fim de semana especial em Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul. Valdete se inspirou na filha, que teve experiência similar há algum tempo. "Ela queria algo diferente nas férias. Os amigos falaram sobre esse tipo de viagem, ela contratou o pacote, foi mandada para Ilhabela e gostou muito. Quando me contou, também quis fazer uma viagem dessas."

A aposentada conta que estava bastante ansiosa para descobrir o destino, mas confiante de que iria para um lugar agradável, escolhido com base no seu perfil, a partir das respostas que deu ao questionário virtual e às várias perguntas que precisou responder por telefone durante o planejamento.

"Quando me mandaram uma foto linda, de uma estrada bonita, com hortênsias nos dois lados, dizendo que Gramado e Canela eram meus destinos, eu fiquei muito feliz, porque já tinha ouvido falar muito bem de lá", afirma.

Para a mala, Valdete tinha feito uma seleção prévia, do "básico". Quando soube o destino e a previsão do tempo, só precisou incluir alguns itens extras. Em terras sul-rio-grandenses, foi uma surpresa atrás de outra, já que o roteiro estava todo planejado, mas, até então, era desconhecido por ela.

"Gostei muito do hotel, da massagem no spa que estava incluída no pacote, dos lugares em que fiz passeios, das dicas de restaurantes com comidas típicas. Achei muito legal ser surpreendida com uma viagem em que não temos noção para onde vamos, nem o que vamos fazer ou o que vai acontecer, mas que está tudo preparado. Como eu amo surpresas, fiquei muito feliz e realizada. Pena que durou só o final de semana", afirma.


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Tanto ela quanto a filha viajaram através da agência Instaviagem, uma das poucas que oferecem o serviço de viagem-surpresa no Brasil. David Andrade, sócio do empreendimento, conta que seu público é formado, basicamente, por dois grupos: mulheres viajando sozinhas e casais.

Na ala feminina, a turma de 18 a 23 anos prefere se hospedar em hostel. Acima dos 50 anos, a preferência é por hotel. "Estas mulheres querem novas experiências e contato com a natureza. Também é uma viagem de autoconhecimento", comenta David. Já os casais quase sempre optam por hotel, pois geralmente estão comemorando alguma data especial. O segundo grupo costuma desembolsar mais que o primeiro.

Como é a logística da viagem-surpresa

Funciona mais ou menos assim: no site da agência, a pessoa interessada preenche um formulário respondendo a uma série de questões – se viaja sozinha ou com quem, tempo de deslocamento possível, motivo da viagem,  passeios preferidos, meios de transporte e tipo de hospedagem que gostaria de utilizar etc.

A partir daí, são geradas algumas opções, com orçamento já definido, mas sem revelar o roteiro. Numa fase seguinte, especialistas da empresa entram em contato e fazem mais uma bateria de perguntas para personalizarem o destino-surpresa.

Se a viagem é por via terrestre, pode ser reservada com 7 dias de antecedência; se for por via aérea, são necessários pelo menos 25 dias. Os orçamentos começam em R$ 299 por pessoa, para viagens com o próprio carro, mas podem atingir números bem mais expressivos no caso de lugares distantes e em resorts com tudo incluído, por exemplo.

Curiosidade com o destino cresce a cada dia

"Estamos chegando à marca de 1.500 viajantes, desde o início das operações, em junho de 2017", comemora David. Para ele, a principal vantagem de viajar sem saber para onde, válida para todos os perfis e idades, é a oportunidade de viver uma experiência única.

"A expectativa de saber o destino, a curiosidade que cresce a cada dia e até mesmo o período da espera é diferente! Sem contar que o destino pode ser um lugar incrível que nunca tinha sido considerado ou ouvido falar e que vai surpreender", avalia.

Outro ponto positivo, em sua opção, diz respeito à comodidade, já que o viajante não precisa se preocupar com nada, pois um especialista vai escolher o destino que mais tem a ver com seus gostos, reservar a hospedagem e o passeio e criar um roteiro personalizado. "As únicas responsabilidades do viajante são: preencher o formulário, fazer as malas e, claro, curtir!", opina.

Porta de entrada

Outra agência que organiza viagem-surpresa é a MyTrip. Carolina Gavinho, diretora operacional, conta que a possibilidade de ser surpreendido com um roteiro desconhecido atrai boa parte da clientela. Apesar disso, depois de muita conversa, a maioria acaba fechando pacotes com roteiro pré-definido, pois já havia algum lugar em mente. "A opção da surpresa acaba sendo um canal de chegada dos clientes", revela.

Na MyTrip, dentro do questionário prévio disponibilizado no site, os clientes também devem informar uma série de detalhes, inclusive quanto estão dispostos a desembolsar. A maior parte topa gastar entre R$ 4.000 e R$ 6.000, o que acaba se convertendo em viagens de, no máximo, uma semana, dentro do Brasil. Os orçamentos, entretanto, podem bater a casa dos R$ 50 mil. "Pensamos em um destino que esteja dentro da disponibilidade financeira do cliente", diz Carolina.

Há, ainda, quem almeje determinado lugar, mas não tem um roteiro definido, como um casal na faixa de 65 anos que quis visitar o Canadá e viver uma experiência diferenciada. No caso deles, donos de um orçamento mais polpudo, foram surpreendidos com passeios para ver a aurora boreal.

"É supervivável para quem tem mais de 50 anos, para mulheres sozinhas, para gente que tem uma mentalidade mais aberta para o novo, que esteja disposta a curtir uma viagem diferente"

Carolina é outra que vê a comodidade como uma das principais  vantagens desse tipo de experiência. "Hoje, com internet, tem tanta informação disponível que a gente fica confuso na hora de escolher um destino. E tem a questão de fechar data, fazer reservas, comprar voos... Quando se tem predisposição para viajar e alguém que organize tudo, fica mais fácil. Acaba sendo garantia de uma viagem bacana, com serviço bom, para lugar que não conhece, de acordo com o perfil que foi identificado pela consultoria", defende.

A diretora operacional recomenda a experiência para todo tipo de pessoa que esteja aberta a novas vivências. "É supervivável para quem tem mais de 50 anos, para mulheres sozinhas, para gente que tem uma mentalidade mais aberta para o novo, que esteja disposta a curtir uma viagem diferente", finaliza.

E aí: você teria coragem de encarar essa experiência de viajar sem saber para onde?

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