Aos 81 anos, Jô Soares faz graça até com dois problemas de saúde que o acometeram recentemente. “Não é uma marca de nascença”, disse, em referência a um hematoma na testa causado por uma queda. Também divertiu a plateia ao recordar dos dias em que passou em uma UTI por conta de um princípio de pneumonia: “Teve uma noite em que, às três e meia da madrugada, eu falei para as enfermeiras: ‘Não sei quanto a vocês, mas eu estou com uma baita fome’”.

Foi com essas falas que o artista abriu a entrevista coletiva de divulgação de seu espetáculo “O Livro ao Vivo”, que estreia nesta quinta-feira, 11 de abril, no Teatro Faap. É no mesmo palco em que apresenta o show que Jô recebeu a imprensa, um dia antes, ao lado do jornalista Matinas Suzuki Jr., 64, coautor dos dois volumes de “O Livro de Jô” (Companhia das Letras), obra que deu origem à peça autobiográfica.


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Pode-se dizer que a coletiva de 45 minutos foi um aperitivo das noites que Jô vai comandar no Teatro Faap. Afinal, as perguntas feitas pelos repórteres serviram de “escada” para que um dos grandes ícones do humor brasileiro contasse algumas das passagens que vão divertir os espectadores ao longo da temporada.

Com seu talento característico de imitador, por exemplo, recordou diálogos envolvendo o dramaturgo Nelson Rodrigues, com quem Jô trabalhou na montagem do texto de “Os Sete Gatinhos”, em São Paulo. “Liguei pra ele para dizer que, como sua produção ainda não era muito conhecida em São Paulo, as pessoas achavam que se tratava de uma peça infantil devido ao título. Perguntei, então, se ele não teria outra sugestão de nome, ao que me respondeu, de bate-pronto: ‘Que tal A Última Virgem?’ – e, ao pronunciar essa resposta de Nelson, Jô reproduziu o tom grosso e profundo do teatrólogo, fazendo rir os presentes.


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Porque despertar risadas, de fato, é uma de suas especialidades. E é justamente a sua verve de humorista que Suzuki Jr. quis evidenciar com a montagem. “Procurei fazer um roteiro pelo qual as pessoas relembrem que o Jô é um comediante por essência”, afirmou o biógrafo. “Todo mundo se lembra dele como entrevistador, pela memória mais recente de seu ‘talk show’, mas Jô vem da melhor escola de humorismo que o Brasil já teve. E isso sem passar pelo rádio, que carrega a tradição do humor, uma vez que ele já era um cara da televisão, mas que conheceu a chanchada e o teatro de revista.”

Além disso, pretendeu também resgatar o Jô intérprete. “Procuramos definir quadros em que as pessoas possam ver o grande ator que é Jô Soares”, disse o jornalista. “Então sempre tem um caso em que ele imita alguém, ou há um gestual que valorize esse seu lado.” Faceta, aliás, já elogiada até pelo grande Paulo Autran, como ressaltou o próprio Jô durante a entrevista.

“Sem plateia eu não saberia fazer nada, é algo que vai me construindo por dentro”, diz Jô Soares

Para produzir os volumes de “O Livro de Jô”, Suzuki gravou cerca de 140 horas de conversas com Jô Soares. Tanto bate-papo se justifica. Afinal, são narrativas que marcam uma carreira de 62 anos, desde a primeira vez que o artista pisou em um palco de teatro.

E que precisaram passar por uma seleção criteriosa para compor a cerca de hora e meia de duração de “O Livro ao Vivo”. “O espetáculo não tem texto”, explica Suzuki Jr.. “Seu roteiro básico permite que, a cada noite, entrem algumas histórias e saiam outras.”

Sinal de que o público terá mesmo diversão de sobra, e variada, até 29 de junho, data para a qual está programada a última sessão da peça.

Plateia, por sinal, é a grande conquista e parceira de Jô em seus mais de 60 anos de trajetória. Segundo o próprio, ela é a principal razão para que siga exercendo sua arte.

Perguntado sobre o que não mudou em seis décadas de estrada, enriquecidas com tantos episódios de vida, o humorista foi taxativo: “Sem plateia eu não saberia fazer nada, é algo que vai me construindo por dentro”.

SERVIÇO

O Livro ao Vivo

Onde: Teatro Faap; rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo, SP; http://www.faap.br/teatro/

Quando: às quintas, sextas e sábados, às 21h; até 29 de junho

Duração: cerca de uma hora e meia

Quanto: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia)

Recomendação: 14 anos

Informações e vendas: 0/xx/11/3662-7233/7234

Bilheteria: de quarta a sábado, das 14h às 20h, e aos domingos, das 14h às 17h

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