A juíza e escritora Andréa Pachá lançou, na noite da última segunda-feira (5), seu mais novo livro, “Velhos são os outros”, pela editora Intrínseca. A obra traz crônicas que retratam diversos personagens fictícios e seus diferentes processos de envelhecimento.

Casais que descobriram o amor depois dos 70 anos, idosos cheios de vitalidade que sofrem com a superproteção dos filhos, parentes e amigos que se sacrificam mesmo quando, junto com a memória, a personalidade daqueles que tanto amam desvanece são alguns dos casos que povoam os 40 textos apresentados pela autora com a afetividade e a empatia que lhe são características.

"Quis contar essas histórias e trazer para a luz um momento da vida que costuma ser invisibilizado pela sociedade de consumo"

“Depois de quase 17 anos em uma Vara de Família, assumi a titularidade de uma Vara de Órfãos e Sucessões, que julga processos de Inventário, Testamento e Curatelas. Ali, encontrei um grande número de demandas envolvendo a velhice e a terminalidade. Simultaneamente, comecei a perceber que estava cercada de amigos, parentes, pais que também experimentavam as dores, as curiosidades e a intensidade do envelhecimento”, diz Andréa. “Quis contar essas histórias e trazer para a luz um momento da vida que costuma ser invisibilizado pela sociedade de consumo. Quis falar da autonomia, da liberdade e da compreensão da ação do tempo na vida de todos nós”.


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O coquetel de lançamento da obra foi realizado na livraria Argumento, no Leblon, Zona Sul do Rio, e contou com a participação de famosos como o cantor e compositor Pedro Luís, a jornalista Bianca Ramoneda e os atores Du Moscovis e Dira Paes, que realizaram leituras de trechos do livro.

“É o destino de todos nós, se não morrermos precocemente”, declarou Pedro Luís. De acordo com o cantor, a reflexão sobre o tema Longevidade é necessária e deve ser uma responsabilidade de todos. “Quanto mais jovens começarmos a refletir sobre isso, ajudamos a cuidar de quem já chegou lá. E quanto mais velhos não abandonarmos isso, ajudamos a sedimentar um caminho pensado sobre uma questão que vai abater a todos, que são as qualidades e os problemas que o envelhecimento traz”, afirmou.

Ainda de acordo com Pedro Luís, a reflexão se torna muito melhor e mais profunda quando abastecida pelas ideias de Andréa Pachá, a quem o cantor chamou de “uma reconhecida juíza, uma best-seller e uma pessoa fabulosa de uma sensibilidade e uma poesia incrível em tudo que toca, não só na área jurídica, mas também na área humana”.


Pedro Luís, Dira Paes, Bianca Ramoneda e Du Moscovis fazem leituras de trechos do livro durante evento de lançamento. Créditos: Carlos Cruz


Andréa chama atenção para o fato de que a sociedade envelhece mais a cada ano. “Em 2050, seremos quase 23% de idosos”, alerta a autora. “Há um crescimento da população depois dos 60 anos e há uma transformação na experiência do envelhecimento que precisa ser debatida e compartilhada. Tratar da velhice, nos dias de hoje, é permitir a busca por políticas mais efetivas que enfrentem as necessidades que invariavelmente virão”. Em sua opinião, previdência, mobilidade, saúde, relacionamentos afetivos e convivência social são temas que precisam ser aprofundados para garantir uma melhor qualidade de vida a quem envelhece.

A atriz Dira Paes acrescenta que novos tempos trazem novos comportamentos que influenciam o organismo humano. “Eu estou procurando entender agora qual é a minha percepção do que é ser saudável na maturidade”, avaliou a atriz.

"O problema não é a velhice, mas o sofrimento"

Também esteve presente ao evento o jornalista Zuenir Ventura. Aos 87 anos, ele se diz mais feliz do que era na adolescência, fase da insegurança e dos dramas, segundo o jornalista. Ao se divertir com o título do livro, Zuenir declarou: “não me sinto velho, de jeito nenhum. Sou um jovem”. E completou: “o problema não é a velhice, mas o sofrimento. Eu não quero o sofrimento, mas isso acontece em qualquer idade, não precisa ser velho para sofrer”.

Andréa explica que o nome do livro é resultado da observação de que nunca nos percebemos sujeitos do envelhecimento. “Temos memórias recentes da adolescência, temos desejos permanentes e mal percebemos a passagem do tempo. Conseguimos notar a velhice ao nosso redor: amigos, família etc., mas o nosso espelho acaba reproduzindo o frescor interior. ‘Velhos são os outros’ indica que sempre haverá alguém adiante para definir esse tempo”, destaca.


A juíza Andréa Pachá. Créditos: Leo Aversa


Com a obra, Andréa conta que espera conseguir que os leitores “percebam a velhice como um tempo de sabedoria, liberdade e autonomia, como um tempo em que as vulnerabilidades devem ser encaradas com respeito e afeto”.

Andréa Pachá escreveu outros dois livros: A vida não é justa (Editora Agir, 2012) e Segredo de Justiça (Editora Happercollins, 2014).

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