Em 2002, o Big Brother Brasil estreou na Rede Globo com a ambição de se tornar o maior reality show do país. No quesito repercussão, sua meta foi cumprida. No tocante à representatividade etária, porém, a atração deixou a desejar. O participante mais velho da primeira edição tinha 41 anos de idade. Foi apenas em 2009 que os primeiros brothers acima de 50 anos deram o ar da graça no confinamento. Naiá Giannocaro e Norberto Santos, do BBB 9, tinham respectivamente 61 e 63 anos quando participaram da atração.

Depois deles, qualquer criatura que se aproximava das cinco décadas de vida passava bem longe da casa mais vigiada do Brasil. Mas, a partir de 2015, com a entrada de Mariza Moreira, 51 anos, pessoas com idade superior à dela conquistaram espaço cativo no elenco da atração: Geralda Diniz, 63 anos, e Harumi Ishihara, 64 anos, no BBB 16, além de Ieda Wobeto, 70 anos, a mais velha participante do reality, no BBB 17.

Nesta edição, o casal Eva, 51 anos, e Ayrton Lima, 56 anos, foi selecionado. Ela já foi eliminada. Ele segue na disputa.

Relevância e preconceito

Fato é que demorou, mas a produção global entendeu a importância da representatividade da geração com mais de 50 anos na disputa pelo prêmio de R$ 1,5 milhão. Segundo Ieda, a fórmula de mostrar apenas estereótipos jovens e bonitos se desgastou. "Existiu a necessidade da inclusão de pessoas mais velhas, pois era um segmento que precisava ser representado”, opina.

“O programa é uma amostra da realidade. O jogo é mostrar como vivem diferentes pessoas encapsuladas em um mesmo ambiente em diversas situações. A presença de diferentes gerações, raças, credos, personalidades e orientações sexuais é a melhor receita”, aposta Harumi.

“[No reality show,] muitas vezes, me senti sozinha, mas também fui acolhida”

E os participantes mais novos excluem ou têm preconceito em relação aos experientes? "Sim, acredito que foi o que aconteceu – e é uma pena”, destaca Harumi, a primeira eliminada de sua temporada.

Já Ieda, que chegou em terceiro lugar, vai além: “Acho, inicialmente, que se cria uma imagem sentimental pela pessoa mais velha, o que já seria um preconceito, pois ali todos são jogadores com um mesmo objetivo. Mas com o tempo surgem afinidades, e a pessoa mais velha pode ser colocada de lado…”.

Segundo Ieda, o distanciamento que se cria entre mais jovens e mais velhos varia de acordo com o perfil dos participantes. “Muitas vezes, me senti sozinha, mas também fui acolhida. Todos podem passar por esses sentimentos no confinamento”, defende.

"Os mais experientes têm conhecimento e sabem conduzir melhor situações de conflito, além de sacar as máscaras utilizadas”

Os lados A e B do BBB

Foto Harumi Crédito: Arquivo pessoal

Para Harumi, existem vantagens e desvantagens em ser uma pessoa mais velha dentro de um reality. "Os mais experientes têm conhecimento e sabem conduzir melhor situações de conflito, além de sacar as máscaras utilizadas. O difícil foi aturar a superficialidade e a falta de civilidade no convívio”, assinala.

Ieda é reticente quanto às chances de um representante da geração com mais de 50 anos de idade vencer a atração. "O programa ainda tem um perfil jovem, as pessoas que votam e os participantes são, em sua maioria, novas.”

No entanto, ela incentiva quem deseja se inscrever. “A experiência é única e você aprende a lidar mais com si mesma e com diferentes personalidades. O que fica de definitivo é ter conseguido transmitir para as pessoas o quanto elas podem fazer por si mesmas, independentemente da idade”, orgulha-se.

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A vida depois do reality

Ao saírem da casa, as ex-participantes tiveram a percepção de que o público mais velho gosta de se ver representado na atração. "Até hoje as mulheres falam que se inscreveram no programa, que estão recomeçando a vida com outra atividade”, comemora Harumi, que acredita ter sua passagem associada à capacidade da geração com mais de 50 anos de se reinventar.

Ela, que foi uma modelo de sucesso na década de 70, voltou a ser reconhecida nas ruas e teve suas redes sociais invadidas por fãs. Hoje, aos 64 anos, trabalha como consultora de responsabilidade social e eventos na Associação Paulista de Medicina, além de cuidar da casa e da gata Miwa e de manter seus hobbies prediletos, como ler, dançar e frequentar cinemas e teatros.

 "Me sinto uma nova mulher, alguém que começou outra jornada aos 70 anos”

Assim que deixou o BBB, Ieda se assustou com o assédio na rua, mas agora vê isso como carinho dos fãs. “Tive abordagens positivas, principalmente dos mais velhos. Muitas pela minha aparência mais jovem, outras por eu ter passado um estimulo de vida, em virtude de ter 70 anos e ainda estar disposta a viver coisas inusitadas”, revela a aposentada que realiza presença vip em eventos e tem contratos por direito de imagem. "Me sinto uma nova mulher, alguém que começou outra jornada aos 70 anos”, se orgulha ela que, atualmente, tem 71.

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