Responda rápido: pele ou movimentos, o que envelhece primeiro? Embora as marcas de expressão saltem aos olhos como os primeiros sinais da passagem do tempo, os gestos demostram cansaço antes de surgirem os pés de galinha. Por acreditar nessa teoria, o coreógrafo e educador físico Ivaldo Bertazzo, especialista em psicomotricidade e estudante do movimento há mais de quatro décadas, desenvolveu um método que reduz o comprometimento da mobilidade, da locomoção e da agilidade diante do passar dos anos.


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Os primeiros sinais desse envelhecimento podem ser percebidos na própria rotina. Passos mais curtos, dificuldades para abrir a tampa de um pode de vidro, necessidade de mais esforço para agachar e levantar, diminuição da amplitude do braço ao esticá-lo. Para impedir esse efeito, é preciso, segundo ele, conhecer e administrar nossa própria motricidade. Isso é conquistado com estimulação.

Ivaldo Bertazzo

Crédito: Kiko Ferrite

Em suas aulas, ele realiza um trabalho corporal que explora o alinhamento das articulações, o gesto e a expressão individual. Para isso, usa recursos simples como escovas, bolas e bastões que provocam estímulos neurológicos e movimentação consciente. "O que une pensamento e movimento é a organização motora. Uma das funções mais importantes da ginástica é acordar os órgãos proprioceptores, que são como sensores localizados nos músculos, nos tendões e nos ligamentos. Eles informam o cérebro sobre a posição do corpo”, explica.

O foco da atividade é incentivar a realização dos gestos de forma consciente e levar isso para o dia a dia. Ao varrer a casa, por exemplo, você manuseia a vassoura da melhor forma que consegue ou simplesmente executa a função de forma mecânica? Se a tarefa é feita sem consciência, lhe falta organização motora. Assim, para Ivaldo Bertazzo, esse movimento não traz benefícios. 

A culpa não é só da idade

Cientificamente, o termo “envelhecimento dos movimentos” não é utilizado. “O mais adequado é falar sobre perda de função física ou funcional”, avisa o fisioterapeuta e gerontologista Gustavo Nunes Pereira.

 Ele explica que, embora a idade avançada traga desgastes físicos naturais da passagem do tempo, o maior causador dessas limitações, além das doenças crônicas, é o sedentarismo. 

“Porém, felizmente, a consciência de que é necessário manter atividades regulares e hábitos saudáveis está mais presente em todas as idades. Já não é incomum encontrarmos pessoas de 90 ou 100 anos na sociedade. Mas a grande questão: em que condição física e grau de dependência chegam a essa idade?”, questiona.

 

“Tudo o que fica parado para de funcionar ou quebra. Com o corpo humano não é diferente”

Ivaldo Bertazzo conta que uma de suas alunas começou a se exercitar com ele aos 50 anos. Hoje, tem 94. “Ela dirige, toca piano, tem uma vida social ativa, uma cabeça maravilhosa, de dar inveja, está sempre bem informada e bem-disposta. Tudo o que fica parado para de funcionar ou quebra. Com o corpo humano não é diferente. A falta de atividade física traz prejuízos ao físico e, claro, para a mente também”, avisa o coreógrafo.

Ivaldo Bertazzo

Crédito: Marcia Fernandes

Gustavo concorda e defende a prática de exercícios como a melhor maneira de manter um bom trabalho de todos os sistemas do corpo humano. “Isso vai garantir qualidade de vida e amenizar os efeitos da perda física natural da idade avançada, além de repercutir em outros fatores, como memória, humor e até mesmo felicidade”, diz o fisioterapeuta, que recomenda a combinação de atividades aeróbicas (caminhada, bicicleta) com treinos de força, equilíbrio e mobilidade.  

O coreógrafo também tem a sua receita para retardar o que chama de envelhecimento dos movimentos: incluir exercícios de psicomotricidade fina (aquela usada, por exemplo, para escrever) na atividade física. "Com gestos hábeis e milimetricamente ajustáveis, há ampliação das sinapses neuronais” explica. 

Ivaldo Bertazzo

Crédito: Ana Fucci

No dia a dia, é possível estimular a psicomotricidade em atividades comuns como cozinhar. Basta cortar a cebola bem fininha, por exemplo. Ou por meio de trabalhos manuais, como bordado e crochê. "O aprendizado motor torna a pessoa apta, inteligente, dá a sensação de solidez e traz confiança”, justifica. 

5 atividades que fazem parte do Metódo Ivaldo Bertazzo  

 1 - Na maturidade, é preciso trabalhar questões mais sensoriais e sensuais, como o contato com a pele, a voz e o canto, muito importantes para a consciência corporal. 

2 - Após os 60 anos, usa-se a percussão rítmica, pois é preciso associar o movimento ao raciocínio.  

3 - O que a pessoa madura mais precisa é trabalhar o medo de se desequilibrar com exercícios que, obviamente, não a coloquem em risco. A cama elástica é especialmente indicada para esse grupo.  

4 - A dança de salão exercita a noção de espaço, ritmo e coordenação. 

5 - Quanto mais idade, mais organização motora é necessária. O corpo se organiza ao se contrair e se exercitar. Relaxamento é para momentos de lazer. 

Método incentiva a longevidade do corpo e do cérebro 

Ivaldo Bertazzo concebeu o método da reeducação do movimento baseado nas descobertas de pensadores que se preocuparam com o problema neurológico. 

"Isso cresceu no período entreguerras (1918-1939), quando se desenvolveram técnicas para tratar vítimas mutiladas. Criaram a reeducação neuromotora funcional nos hospitais. Os pesquisadores se ocuparam com pacientes neurológicos com problemas graves”, explica.  


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O coreógrafo estudou essas técnicas e também as pesquisas desenvolvidas por Suzanne Piret e Marie-Madaleine Béziers, na França, sobre os movimentos fundamentais, e de Godelieve Denys Struyf, na Bélgica, envolvendo conceitos de cadeias musculares.

Então, solidificou seu conhecimento sobre o funcionamento do corpo humano e criou um método próprio, adaptado à forma brasileira de se mover.

“O método se ocupa em incentivar a longevidade cerebral, com um corpo que a acompanhe. As duas coisas devem caminhar juntas”, finaliza.

 
 

 


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