Você tem mais de 50 anos e nunca ouvir falar em fisioterapia pélvica? Então, saiba que exercitar a região da pelve (músculos, ligamentos, ossos e tendões que sustentam a bexiga, o útero e o reto) ajuda não só na continência, impedindo escapes de urina, fezes e gases, como também melhora a vida sexual.

A fisioterapeuta Juliana Schulze Burti explica que “a falta de força nos músculos do assoalho pélvico pode favorecer prolapsos de órgãos pélvicos [queda de bexiga, útero e reto] e causar também dificuldade na ativação dos esfíncteres da uretra e do ânus, favorecendo tanto a incontinência urinária como a fecal”.

Há, ainda, pessoas que desenvolvem, com o passar dos anos, alterações na musculatura da bexiga, perdendo a capacidade de suportar grandes volumes de urina. “Apresentam idas frequentes ao banheiro, urgência [vontade repentina e forte de urinar] e noctúria [acordam muito à noite para urinar]”, explica.


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Nesses casos, a fisioterapia pélvica, diz ela, “apresenta ótimos resultados com eletroestimulação, fazendo uma espécie de modulação na bexiga”. Embora o fortalecimento muscular não seja, então, o principal tratamento, ele auxilia na redução dos sintomas, já que melhora a ativação esfincteriana.

“Indicada para qualquer fase da vida”, como pontua a também especialista em reabilitação pélvica Dalila Duarte, ela é mais procurada, após os 50 anos de idade, por homens com incontinência urinária pós-prostatectomia (remoção cirúrgica de parte ou toda a próstata) e por mulheres em menopausa.

Disfunções do assoalho pélvico são mais comuns em mulheres, devido à anatomia, durante gestações e partos. O processo de envelhecimento aumenta as chances de elas aparecerem, em decorrência das alterações nos sistemas envolvidos, como o osteomuscular e o geniturinário.


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Os benefícios da fisioterapia pélvica para o sexo

Em sua tese de doutorado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – “Ressignificando perdas: a ginástica feminina na perspectiva da mulher em processo de envelhecimento” –, Juliana ressalta que “muitas mulheres sequer conhecem a existência do assoalho pélvico em seus corpos”.

Além disso, complementa, “há na população uma ideia errônea de que é normal perder urina quando se envelhece”. “Nunca é normal. Quem perde urina, mesmo que esporadicamente, deve procurar ajuda.”


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O mesmo vale para a sexualidade. “Mulheres mais velhas, principalmente, acreditam que ela está ‘apagada’. Grande engano: é possível vivenciar essa fase da vida com sexualidade plena”, garante Juliana.

Estudando um grupo de mulheres com 45 anos ou mais de idade, ela concluiu que, após a prática da ginástica feminina, “todas passaram a conhecer a localização, a função e a forma de ativação dessa região do corpo”. Afora isso, trabalhar o assoalho pélvico “despertou debates sobre incontinência urinária e sexualidade”.


Exercitar o assoalho pélvico provoca uma maior consciência corporal, o que, consequentemente, melhora a sexualidade. “Com o autoconhecimento, fica mais fácil detectar áreas mais sensitivas durante o sexo”, diz Dalila.

Quando se fala dos homens, complementa Juliana, “as questões vascular e nervosa são fundamentais para a função erétil”. “A fisioterapia pélvica atua nos músculos da região, podendo, portanto, ser auxiliar no tratamento.”

Mas a especialista ressalta que “a sexualidade é um conjunto de fatores”. Se o homem é portador de diabetes, hipertensão ou fez cirurgia da próstata, por exemplo, “é importante avaliar as condições fisiológicas para não criar expectativas além do que a fisioterapia pélvica pode fazer”.

Os exercícios pélvicos também ajudam na libido, dizem as especialistas. “Músculos mais saudáveis respondem melhor e assim promovem melhores orgasmos”, diz Juliana. “Com mais conhecimento sobre o corpo, provavelmente a pessoa saberá o que lhe traz mais prazer durante o sexo, ajudando nos orgasmos”, afirma Dalila.

No entanto, “se trabalho o corpo e a pelve, mas tenho bloqueios emocionais ou amarras culturais, não conseguirei uma sexualidade plena”, frisa Juliana. ”E sexualidade não precisa, necessariamente, de penetração. Ela pode ser alcançada de diversas formas, com estímulos variados.”


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