Chegamos a uma época do calendário em que mesmo os que amam e os que odeiam uvas-passas no arroz conseguem concordar em uma coisa: é tempo de renovação e esperança. Assim, surgem as famosas metas de ano novo, que fazem brilhar os olhos de muita gente enquanto são estourados os champanhes.

Mas muita calma nessa hora. Pense que não dá para pular as sete ondinhas se elas são daquelas de 20 metros de altura. Essa analogia diz respeito ao primeiro conselho da coach de alta performance Leila Arruda: manter os pés no chão para não se frustrar por não conseguir cumprir alguns itens da relação de objetivos.

Assim, apesar do clima festivo, é preciso serenidade para não sucumbir à chamada Síndrome do Ano-Novo – estabelecer propósitos de melhorias ou atividades que não são exatamente condizentes com a possibilidade de execução.

“É preciso desmistificar as metas e trazê-las para a realidade”, explica Leila. Afinal, não dá pra querer abraçar o mundo só por causa da mudança da folhinha na parede da sala.


Dimensionar as metas de ano novo

Existem alguns caminhos para desenhar os objetivos de acordo com o factível. O primeiro deles, segundo Leila, é colocar a importância e a viabilidade da meta à prova. Para isso, basta um exercício bastante simples – e que se constitui em mais uma lista, na verdade: elencar ao menos dez evidências de que você quer mesmo atingir determinado intento e que ele é possível.

Um pequeno exemplo dessa estratégia. Suponha que uma das metas da lista de alguém seja alcançar o primeiro R$ 1 milhão economizado. Pois bem. O primeiro ponto aqui é: qual o salário mensal dessa pessoa? Ela já tem algum dinheiro guardado? Receberá alguma bolada, resultado de um processo movido na Justiça, por exemplo? Não dá para contar apenas com as apostas da Mega-Sena para conseguir chegar lá. Ou, no mínimo, seria necessário se programar para jogar toda semana, ou algo assim.


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De qualquer forma, se todos os salários somados do ano desse indivíduo “otimista” não chegam nem a 10% do montante desejado, tampouco ele já tem algum pé-de-meia guardado, percebemos logo que a meta não se sustenta.


‘Quebrar’ as metas

A questão é que apegar-se a uma lista de ilusões pode ser extremamente frustrante – e um convite à rápida desistência. Uma pesquisa realizada por um professor de psicologia da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, aponta que, em média, 12% das metas de ano novo são cumpridas. Outro estudo, este da Statistic Brain, concluiu que 27% das pessoas já abandonam suas listas de propósitos na primeira semana do ano.

Para mudar esses números em prol da persistência e da resiliência, há mais alguns segredinhos revelados por Leila Arruda. Um dos fundamentais é o que ela chama de “quebrar” as metas em metazinhas. Isso significa estabelecer um passo a passo para o atingimento do objetivo, bem como prazos para a conclusão de cada etapa. “O procedimento ajuda também a diminuir a ansiedade do processo”, explica Leila.

Faz todo o sentido. Afinal, uma coisa é dizer: “Vou emagrecer 20 quilos” – e simplesmente passar a se pesar aleatoriamente na balança da farmácia a partir de janeiro. Talvez só subir na plataforma do equipamento e observar o marcador eletrônico dos quilogramas não realize a mágica do desejo atendido. Colocar numa planilha datas para perdas progressivas de peso ao longo dos meses, bem como as medidas necessárias para tal – um programa de acompanhamento do nutricionista, por exemplo –, parece bem mais racional.

metas de ano novo

Analisar vantagens e desvantagens

Ainda é preciso saber do que terá de abrir mão para chegar lá – ou pesar, já que estamos nesse tema, os prós e os contras de cumprir determinada meta. Para permanecer na seara do regime, talvez seja preciso abrir mão daquela pizza aos domingos.

E não vale dar uma de esquecidinho na hora de cumprir aquilo que prometeu a si mesmo. Contra as lacunas da memória, a sugestão de Leila é espalhar lembretes e anotações ao redor.

Para manter o objetivo em mente, vale até fazer dele a tela de fundo do computador. “Eu mesma coloco avisos de minhas metas na porta do guarda-roupa, porque sei que é um lugar que visitarei ao menos duas vezes por dia”, diz a coach.


Redimensionar as metas de ano novo

Então, mãos à obra. O primeiro passo é fazer a lista em si. Não há número mínimo ou máximo de metas: isso é com você. Para ter uma ideia, a própria Leila costuma chegar a cem, mas incluindo pequenas ações do cotidiano, como ir ao dentista ou encontrar semanalmente os amigos.

Algo que ela diz vir percebendo é o entusiasmo dos 50+ com as listas de metas para o ano novo. “Assessorei uma cliente que resolveu abrir seu primeiro negócio próprio aos 68 anos de idade”, lembra. Uma clínica de psicologia, no caso. “Percebo que as pessoas mais velhas também se frustram menos que as mais jovens quando algo dá errado no trajeto de consumação do objetivo.”

É a experiência de vida que as tranquiliza, podemos dizer. Sabem que o mais importante é persistir dentro dos limites possíveis.

Aliás, é também fundamental redimensionar as metas no meio do caminho, caso haja a percepção de que algo tenha mudado – talvez o próprio desejo, ou os meios para efetivá-lo. Afinal, algumas regras precisam ser seguidas para evitar decepções no ano que se inicia – goste você ou não de uvas-passas no arroz.


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