A ONU (Organização das Nações Unidas) definiu 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. Ela própria, por sinal, possui um ranking de felicidade com 156 países, com base em critérios como assistência social, ausência de corrupção, expectativa de vida saudável, generosidade, liberdade e PIB per capita. O Brasil, aliás, despencou seis posições de 2017 para 2018 e ficou em 28° lugar. A Finlândia ficou em primeiro, desbancando a Noruega.

Claro que essa visão, digamos, mais macro é importante para balizarmos o nível de qualidade de vida entre os povos como um todo, o qual afeta diretamente cada indivíduo. Mas, para entender melhor o que vem a ser, afinal, essa tal felicidade que todo o mundo persegue, psicólogos e consultores especializados no tema são unânimes em afirmar que é preciso dar um mergulho mais aprofundado no íntimo de cada um.


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“Claro que o contexto externo conta nessa questão”, afirma o coach e psicólogo Roberto Debski. “O meio em si e os problemas gerais entram na equação. Um país em guerra e outro que prioriza o bem-estar social, a educação e a redução de desigualdades influenciam de maneiras distintas o nível de felicidade de seus habitantes”, exemplifica.

Teste da felicidade: Você é feliz? 

Porém, mesmo em situações extremas, o que em geral faz a diferença no que diz respeito à satisfação com a vida está muito relacionado a uma palavrinha quase mágica no parecer dos especialistas: resiliência.

Ela está ligada ao conceito de adaptação hedônica do ser humano, do qual o consultor Luiz Gaziri lança mão para destacar nosso poder de superação diante das adversidades. O termo se refere à tendência de retornar rapidamente a um nível relativamente estável de felicidade a despeito de ocorrências positivas ou negativas ao redor e de mudanças de vida.

“A felicidade de quem ganha na loteria é menos duradoura do que a de uma pessoa que encontra um novo sentido para a vida depois de ficar tetraplégica”

O psicólogo recorre a um exemplo contundente para elucidar a relatividade dos fatos no que tange à nossa capacidade de adaptação – e como ela nos coloca diante da realidade. “Há um estudo segundo o qual a felicidade de quem ganha na loteria é menos duradoura do que a de uma pessoa que encontra um novo sentido para a vida depois de ficar tetraplégica”, diz.

É a deixa, então, para entrar em cena outro importante componente do que poderíamos chamar de fórmula da felicidade: propósito. “É algo que surge de dentro para fora e não o contrário”, define o consultor Celso Braga. O que vai ao encontro de uma pertinente reflexão de Gaziri: “É complicado colocarmos a felicidade em variáveis que não controlamos”. “Nesse sentido, o propósito de ajudar os outros é mais recompensador que o de quem só espera ser ajudado”, diz.


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Essa é uma pista fundamental para quem procura caminhos mais concretos para chegar à felicidade, deixando de vê-la como algo mais abstrato ou etéreo. “Não enxergo a felicidade como uma espécie de nirvana, um conceito aberto e irreal”, reflete Debski. “A vida também é feita de perdas e frustrações, e ser feliz é justamente saber lidar bem com a realidade e seus desafios”, complementa.

Diante desse raciocínio, queremos propor a você, leitor, que se ponha à prova. Que analise algumas afirmativas e diga se concorda com elas. Ou se discorda. E, a partir dessa breve avaliação, possa responder à pergunta: você é feliz?

‘Ó vida, ó azar’

Mas lembre-se: tudo na vida pode mudar. É possível que você esteja ainda em um processo inicial de autoconhecimento e de descoberta de objetivos. De busca por propósitos. E o estágio em que se encontra essa caminhada, é bom que se diga, independe da idade. Assim, queremos deixar mais uma dica, que pode fazer toda a diferença nessa jornada.

Então, recorremos às palavras do consultor Celso Braga: “A predisposição positiva abre portas”. Claro que nem sempre é fácil ver o lado mais cheio do copo. Mas adotar esse viés mais otimista também é um exercício diário, mesmo naqueles casos em que o indivíduo tem ares natos de pessimista convicto – aos moldes daquela hiena do desenho animado, que vira e mexe voltava à velha ladainha do “ó vida, ó azar”.

Afinal de contas, conforme frisa Gaziri, estudos determinam que o olhar sobre tudo, no sentido de otimismo ou pessimismo, está só pela metade (50%) relacionado à genética. “Outros 10% se devem às circunstâncias exteriores, como o ambiente, o bairro e o país em que se vive”, dimensiona o consultor.

Os 40% restantes, por sua vez, referem-se a “atividades interiores, que só dependem da gente”. Dessa forma, ao contrário do que se costuma pensar, “a felicidade é a causa do sucesso, e não o contrário”, afirma Gaziri. E isso vale para quem está na Finlândia, no Burundi – pequeno país africano que ficou em último lugar no ranking de felicidade da ONU – ou no Brasil.

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