Comportamento

Como aprender a dizer ‘não’, se você fala ‘sim’ para tudo

Você planeja ir ao cinema no sábado à tarde, mas o cunhado pergunta se não pode ficar com o cachorro enquanto ele viaja. Programa-se para sair para a aula de ioga e o colega de trabalho pede ajuda para terminar um relatório demorado. Deseja ficar em casa relaxando e seu filho avisa que vai levar os netos para passarem o fim de semana contigo. Já se deparou com situações parecidas com essas e falou “sim”, mesmo desejando o contrário? Então você precisa entender por que é importante aprender a dizer “não”.

Culpa, medo, obrigação e irresponsabilidade em relação a si mesmo são algumas razões que nos levam à concordância, explica Margareth Signorelli, coach de relacionamento e sexualidade. O problema é que estar à disposição do outro, ou seja, responder "sim" para tudo, gera um grande desgaste emocional, além de baixa autoestima. Nessas circunstâncias, "seu posicionamento e as próprias vontades são anuladas", observa a psicóloga clínica Irene S. Stranieri.

Ellen Moraes Senra, psicóloga especializada em terapia cognitivo-comportamental, acrescenta que, "ao dizer sempre ‘sim’, uma pessoa pode estar passando por cima da própria vontade". A longo prazo, isso se torna um fardo insustentável, podendo até mesmo contribuir para a estafa, o estresse patológico e a depressão. Há, inclusive, quem sinta dores físicas causadas pela situação.

Falar "sim" pode ser um hábito que mais atrapalha do que ajuda, mesmo que possa parecer o contrário. Justamente por essa razão, dizer “não” é mais do que uma questão de autopreservação – é de sobrevivência.

Onde tudo começa

O "não" faz parte da história de todos. Segundo Adriana de Oliveira, hipnoterapeuta especializada em comportamento através da psicopedagogia e da programação neurolinguística, a palavra “não” soa de forma agressiva, devido à bagagem que carregamos desde a infância.

Já na fase adulta, ao pronunciarmos a negativa, trazemos à tona, inconscientemente, sensações como frustração e privação que vivenciamos no passado. "Buscamos evitar a todo custo projetar essa imagem negativa para outras pessoas e é por isso que temos tanta dificuldade em dizer ‘não’", esclarece Oliveira, autora do livro "A Construção da Imagem Pessoal".

Não tenha medo da rejeição

O receio de não agradar é outro motivo que alimenta a prática de aceitar tudo, segundo Senra. Caso você se enquadre nesse grupo, deve fazer um autoquestionamento e avaliar até que ponto quem se importa e gosta de você se incomoda com sua indisponibilidade, orienta ela.

"Se o que prende as pessoas a você é a certeza de não serem contrariadas, na verdade, não é com você que elas se importam; apenas gostam de obter vantagens", alerta. Portanto, valorize mais sua opinião e a si mesmo. Só assim vai conquistar o respeito e a amizade de quem realmente importa.


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Tem mais: preocupar-se muito com a opinião dos outros significa perder o foco e deixar de evoluir pessoal, profissional e, sobretudo, emocionalmente. "Precisamos agir de forma que nos faça bem. Só quando estamos equilibrados é que conseguimos ajudar as pessoas", completa Oliveira. Sem contar que quem só fala "sim" atrai pessoas sugadoras de energia, aquelas que se aproveitam dessa tendência emocional para levar vantagem, mesmo que inconscientemente.

O importante é entender que o "não" dito com amor produz aprendizado e independência, tanto a quem emite como a quem recebe a negativa. "O emissor está permitindo que o receptor crie habilidades e possibilidades. E se o receptor ficar bravo ou chateado, entenda que esse processo é essencial para ele e que você não 'roubará' dele esse aprendizado", opina Lissandra Cristine Bassi, terapeuta, coach e hipnoterapeuta.

Como dizer "não"

Com a ajuda das especialistas Adriana de Oliveira, Irene S. Stranieri, Lissandra Cristine Bassi e Margareth Signorelli, trazemos algumas táticas eficientes para você aprender a dizer “não” e só aceitar aquilo que realmente deseja fazer.

  • "Não" para eles, "sim" para você. Priorize-se. Nunca esqueça que, quando recusa algo ou alguém, está dizendo "sim" para si mesmo.
  • Valorize seu tempo. É importante dar valor às horas que dedicaria aos outros, já que o tempo é um bem cada vez mais escasso. Se desperdiçá-lo, ele não voltará mais.
  • Lembre o que é (realmente) importante. Ser permissivo é não honrar seus interesses, passando por cima do que lhe é relevante. Por isso, avalie sempre o que é importante na sua vida. Uma atitude interessante é se perguntar o que será sacrificado, além do seu tempo, para agradar ao outro.
  • Converse. Esse é um dos pilares para a mudança de postura. A partir do momento em que existe o diálogo e ambas as partes entendam quais são os respectivos pontos de vista, alcançando um desfecho menos traumático, a insegurança tende a diminuir. Tal exercício pode ajudá-lo a retomar sua percepção geral até o momento em que possa se posicionar de forma mais firme.
  • Diga “não” sem "não". Se você se sente desconfortável para dizer o "não”, modifique seu argumento, alinhando-o a uma condição. Por exemplo, na conversa com o colega de trabalho, em vez de “Não vou poder ajudá-lo até acabar esse trabalho”, fale: “Ajudarei você assim que terminar este trabalho”.
  • Treine na frente do espelho. Converse consigo mesmo diante da sua imagem e fale o "não" em voz alta várias vezes. Isso é importante para que o cérebro assimile o gesto e para que seja repetido em situações importantes. Quando dizemos "não" em voz alta para o espelho, também conseguimos criar um conceito para a palavra e percebemos que não existe consequência ruim, associando a palavra negativa a algo bom.
  • Respire antes de falar. Num papo com algum amigo ou familiar, antes de responder "sim" ou "não", respire calma e profundamente três vezes, permitindo que o cérebro assimile e processe a informação. Assim, conseguirá entender que possui outras prioridades – e que, mesmo dizendo "sim", a outra pessoa pode não ficar satisfeita.
  • Peça um tempo. Diante de uma solicitação que não lhe interessa, diga que precisa de um intervalo antes da resposta. Avalie quais serão suas perdas e seus ganhos em cada uma das alternativas ("sim" ou "não"). Isso trará uma imagem clara de suas vontades e fortalecerá a sua decisão.

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Redação