Comportamento

Balada 60+ mostra que quem dança seus males espanta

 O Dia dos Namorados não passou impune para uma turma animada de grisalhos. Na tarde do dia 12, eles lotaram as dependências da Estação Rio Verde, um centro cultural na Vila Madalena, em São Paulo, para participar da Balada 60+.

Na pista do concorrido bailão promovido pelo Geros Center, havia pares de todas as formações: casais intergeracionais, amigas dançando junto, professores com seus alunos, cuidadores com seus pacientes.

Jovens voluntários conduziam suas parceiras de cabelos prateados com alegria, enquanto senhoras sozinhas rodopiavam cantando e vibrando ao som de cada música.

balada Balada 60+ na Estação Rio Verde, centro cultural na Vila Madalena, em São Paulo; crédito: José Peixoto /Divulgação Liga Solidária

Caíque Tito, de 22 anos, e Lucas Trindade, de 19, ajudaram a elevar o número de homens disponíveis para as damas. Ambos são presenças constantes nos eventos realizados pela Liga Solidária, a organização onde atuam. “Sempre compareço nas festas de Natal e juninas, nos bazares e hoje estou gostando muito desse baile, que é uma novidade”, comentou Caíque.

balada-60-isolina (Medium) Balada 60+ na Estação Rio Verde, centro cultural na Vila Madalena, em São Paulo; crédito: José Peixoto /Divulgação Liga Solidária

Em ritmo menos acelerado, Isolina Guimarães dançava com o cuidador que acompanhava outro morador do lar onde ela reside. Quando a música terminou, foi questionada sobre sua idade. Lançou um olhar de dúvida, coçou a cabeça e disse: “Não lembro”.

balada-60-Marta-e-Vera (Medium) A professora Marta abraça Vera Lúcia Carreira, frequentadora do centro dia Geros Center; crédito: José Peixoto /Divulgação Liga Solidária

Como em qualquer balada, o falatório crescia no salão quando a música silenciava. Era nessa hora que os colaboradores ocupam o microfone para sortear brindes e fazer brincadeiras. “Bravo, bravo”, gritava, a cada nome sorteado, a educadora física Marta Senf, 61 anos.


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Ao lado dela, Vera Lúcia Carreira, 69 anos, uma das mais jovens do salão, elogiava o centro dia, que frequenta quatro vezes por semana: “Ao contrário das academias, onde os professores não ficam ao nosso lado observando os exercícios, no Geros Center o acompanhamento é integral. Os profissionais são todos muito preparados, e Marta supervisiona com o maior cuidado nossos movimentos no Pilates e nos exercícios funcionais”.

Pouco depois das 16h, a banda convidou todos a cantarem “Trem das Onze”, música escolhida para fechar a tarde. “Moro em Jaçanã/Se eu perder esse trem...”, entoou a plateia, em coro, o samba de Adoniran Barbosa.

balada-60-Marcos (Medium O pé de valsa Marcos Aurélio Mazzola, 59 anos, frequentadores de bailes da terceira idade; crédito: José Peixoto /Divulgação Liga Solidária

A Balada 60+ chegava ao fim. Para tristeza do dançarino profissional Marcos Aurélio Mazzola, 59 anos, que soube do evento por um amigo. “Vim preparado para dançar até as 19h. Moro perto da av. Paulista. Acordo de manhã, escolho uma roupa adequada e só volto pra casa à noite. Há vários clubes pra dançar na cidade”, revela.

Na saída, a psicóloga e gerontóloga Cristiane Felipe, gestora do Geros Center, conta que Isolina sofre de Alzheimer, mora no do Lar Sant’Anna e deve ter em torno de 90 anos. A instituição de longa permanência, assim como o centro dia Geros Center, pertence à Liga Solidária, que neste ano completa 95 anos de vida.

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Redação