Há menos de dois meses, o conceito de idoso na Itália mudou: passou de 65 para 75 anos de idade. A decisão foi tomada por médicos da Sociedade Italiana de Gerontologia e Geriatria, que decidiram estender a meia-idade – ou encurtar a velhice – dos seus habitantes.

Segundo a organização, a alteração está relacionada às condições físicas e cognitivas dos cidadãos. As de uma pessoa de 65 anos de idade hoje seriam as mesmas de uma com 40 ou 45 anos há 30 anos, o que justificaria o aumento.

“Isso significa que a sociedade está em transformação e propõe que as sociedades pensem em como lidarão com o aumento de longevidade na prática”, destaca a presidente do departamento de gerontologia da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Vania Beatriz Herédia.

Expectativa de vida

A Itália se adianta nessa mudança porque é um dos países com mais idosos. Dados do Instituto Nacional de Estatística daquele país, divulgados no ano passado, indicam que a proporção é de 168,7 idosos para cada 100 jovens.

Em 20 anos, essa taxa será de 265 para 100, segundo cálculos da entidade. A expectativa de vida era de 80,6 anos para os homens e de 84,9 para as mulheres, o que coloca a Itália entre os países com as mais altas taxas de longevidade do mundo.

Segundo estudo da Universidade de Washington com dados de 195 países, em 2040, a Itália terá a 6ª maior expectativa de vida do mundo, com 84,5 anos. Perderá apenas para Espanha (85,8 anos), Japão (85,7 anos), Cingapura (85,4 anos), Suíça (85,2 anos) e Portugal (84,5 anos).

Conceito de idoso na balança

Para a representante da SBGG, a diferença de 10 anos – de 65 para 75 – no conceito de idoso na Itália pode não ser tanto. “A população ganhou 20 anos em expectativa de vida nas últimas décadas”, afirma Vania.

Mas reforça que a “terceira idade” não é uma população homogênea, seja na Itália, seja no Brasil. É preciso colocar na balança disparidades regionais, qualidade de vida e condições de envelhecimento, entre outros fatores.


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Ainda que a mudança não tenha tido efeito imediato em instituições públicas italianas, o posicionamento da Sociedade Italiana de Geriatria e Gerontologia vai pedir o envolvimento de pessoas de todas as idades em debates de temas sensíveis, como a aposentadoria.

A idade para deixar de trabalhar era de 66,6 anos para homens e 65,6 para mulheres no país europeu em 2016, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A expectativa era de que houvesse aumento na idade, chegando a 67 anos em 2019.

“Na Itália, a saída do mercado é um marcador importante porque a maior parte da população para de trabalhar. Significa aceitar o envelhecimento”, sinaliza Vania.

Existe, diz ela, um sentido positivo nessa mudança de conceito de idoso. “As pessoas estão vivendo mais.” Mas ele vem com o negativo, a da possível perda de direitos.

No restante do mundo

Para a presidente do departamento de gerontologia da SBGG, a alteração para 75 anos no Brasil seria “um grande problema”. “Até os 70, não há velhos tão doentes”, diz ela, reforçando que a expectativa de vida no país, de 76 anos, é inferior à italiana.

Mas é um alerta para o que está por vir, segundo ela: mais anos de vida – o que exigirá um olhar cuidadoso para si e um acompanhamento de como a sociedade, incluindo o governo, vai tratar o tema.

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