O sonho de uma pessoa que tenha um parente enfermo é contar com ajuda especializada, alguém que possa oferecer conforto e cuidados em período integral. Mas contratar é apenas o primeiro passo. Cabe à família acompanhar para saber se a relação entre cuidador e idoso vai bem, segundo especialistas.

"Falar de idosos implica ampliar o olhar. O cuidador pode ser tanto um acompanhante, quando o idoso é lúcido e sua saúde não requer grandes cuidados, como também um enfermeiro, quando envolve doença média ou severa", observa a psicoterapeuta Poema Ribeiro, especializada em terapia familiar.

E como saber se a relação entre cuidador e idoso vai bem? Uma das maneiras mais óbvias é escutar o paciente. Se ele é lúcido e fizer queixas, o importante é distinguir se são pertinentes ou apenas implicância. Já se apresenta demência senil ou outra doença crítica, como Alzheimer, nem sempre a reclamação tem coerência ou, pior, é levada a sério. "Esses são os casos em que a atenção precisa ser redobrada", opina a especialista.

Poema lista o que pode – e deve – ser observado por familiares.

  1. Se o idoso:

- manifesta desconforto na presença do cuidador;

- apresenta mudança súbita de humor, surgimento de tristeza de uma hora para outra ou abatimento.;

- é lúcido e se recusa a comer ou a praticar alguma atividade na presença do cuidador;

- que não se comunica e não tem mobilidade se prostra ou demonstra desinteresse por algo;

- tem alteração de peso e de aspecto físico em geral;

- cai ou se machuca;

- passa a ter problemas repentinos, como a alimentação deixar de ser seguida regularmente.

  1. Se o cuidador:

- se interessa pelo idoso, por sua história, seu histórico médico, seus gostos e necessidades;

- demonstra empatia, através de gestos e ações;

- é gentil e administra os remédios e tratamentos com delicadeza;

- manifesta preocupação com o bem-estar e a higiene do idoso.

"Dificilmente a reclamação constante é apenas implicância por parte do idoso, pois algo ele está querendo dizer, estando lúcido ou não", acrescenta ela.


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Antes de contratar

Rute Velasquez, neuropsicóloga e professora de neurociências do curso de psicologia do Centro Universitário Newton Paiva, sugere às famílias que precisem de um cuidador procurar associações da categoria na cidade. É comum que os grupos mantenham cadastro e acompanhem o desempenho dos profissionais.

Algumas perguntas devem ser feitas, antes da contratação, para identificar os bons cuidados e a boa interação pessoal com o paciente. Certifique-se de que o candidato conheça técnicas básicas de enfermagem – como dar um banho seguro, usar as diferentes cadeiras de rodas –, e tenha conhecimentos de nutrição e de exercícios adequados à etapa de vida do idoso.

Observe, também, as características de personalidade do profissional e suas habilidades sociais. "Além das técnicas, os cuidadores diários passam a ter um envolvimento psicossocial com o idoso e com os seus familiares, devendo se manter equilibrados na frágil linha que separa a privacidade da intromissão", afirma Rute.

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