Chega uma hora em que muitos se perguntam: será que é a hora de um dos pais deixar de viver sozinho e morar com os filhos? “Esse é um assunto bastante difícil”, destaca o diretor científico da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Renato Bandeira de Mello. “É preciso levar em consideração a autonomia e a qualidade de vida.”

Esses dois conceitos são chave em qualquer tomada de decisão. Ver alguém tirar o controle de sua própria vida impacta a sensação de bem-estar e segurança, destaca o também professor de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Não à toa a OMS (Organização Mundial de Saúde) apregoa o conceito “aging in place” – a capacidade de viver em sua própria casa e comunidade de forma segura, independente e confortável, não importando a idade, a renda ou o nível de habilidade. “O cerceamento da liberdade pode prejudicar mais rapidamente a funcionalidade da pessoa.”

Por isso, diz Mello, antes de qualquer intervenção no sentido de buscar acompanhamento, seja na figura de um cuidador, seja numa instituição de longa permanência, seja morar com os filhos, é necessário investigar quais são os possíveis motivos de limitações. “Não existe fórmula mágica. Tem de se levar em conta o quanto a pessoa consegue fazer as atividades sozinha e se manter bem”, ressalta.


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O ideal, diz ele, é que a tomada de decisão sobre a necessidade de supervisão seja auxiliada por um agente externo, como um geriatra. “É possível fazer uma visita ao domicílio do idoso para retirar obstáculos e, com isso, permitir maior tempo de independência do idoso”, reforça.

Mas é preciso ter atenção a alguns sinais que podem indicar que os pais necessitam de ajuda extra ou se precisam morar com os filhos ou em uma instituição de longa permanência. São apenas indícios, que devem ser conversados com o familiar ou com o médico do paciente.

O melhor, diante da dúvida, é conversar com eles e procurar um especialista, que vai auxiliar a ponderar os prós e os contras. Assim como ajudar a determinar se é o momento de pensar em supervisão e, se sim, se parcial ou integral.


1. Deixar de realizar atividades domésticas

Se, antes, a casa era arrumada e estava sempre em ordem e, agora, ela parece uma verdadeira bagunça, há alguns motivos para preocupação. O primeiro é a mudança de padrão, que requer atenção para que seja identificado o que se alterou nesse período.

Mas a falta de limpeza, por si só, já deve ser um sinal amarelo. Pisos sujos, por exemplo, podem levar a quedas. Louça por lavar leva à proliferação de insetos e bactérias – alguns deles, transmissores de doenças. Deixar de cozinhar, por exemplo, pode impactar a alimentação e provocar desnutrição, segundo o diretor da SBGG.


2. Perder-se

Esquecer-se de destinos corriqueiros, como a feira, o mercado e o banco, é outro indicativo de alerta. Se um de seus pais não consegue mais encontrar esses caminhos sozinho, procure um especialista para detectar a causa.


3. Isolar-se

“O isolamento pode indicar doenças e distúrbios de humor e cognitivos”, afirma o médico, que acrescenta: “Assim como incontinência urinária e perda auditiva”. Não significa que seja preciso acompanhamento constante, mas requer uma visita ao especialista para identificar o motivo.


4. Cair ou se desequilibrar constantemente

Essa é uma das maiores preocupações entre a população mais velha. As quedas são um dos principais motivos de internação por lesões graves e a segunda causa de lesão medular em idosos.

Cabe a um especialista determinar até que ponto a mobilidade está prejudicada e se há formas de aprimorá-la. Por vezes, mudanças dentro de casa podem ser a solução antes de pensar em acompanhamento permanente.


5. Apresentar alteração de comportamento

“Tudo o que foge do padrão merece um olhar mais cauteloso”, destaca o médico. “Há estados de confusão que são provocados por doenças físicas. É preciso identificar a causa, porque muitas são controláveis e tratáveis.”


6. Demonstrar falta de higiene

Usar a mesma roupa no dia a dia, estar com os cabelos sujos e deixar de cuidar da pele e dos dentes são indícios de falta de motivação ou habilidade. “As limitações de cuidados básicos da vida diária, como se cuidar ou se levantar, merecem atenção”, destaca o diretor da SBGG.


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