Há quem chame de triagem, há quem chame de desapego. O fato é que especialistas são unânimes ao afirmar que não há como manter a casa organizada sem descartar o que não se usa mais ou foi comprado em excesso. “Com o passar do tempo, é muito fácil juntarmos muitas coisas: roupas que não servem, coisas que ganhamos e não gostamos, objetos que pertenceram a pessoas já falecidas, quilos de papéis sem utilidade, livros que nunca lemos, louças que não usamos, canetas que não funcionam”, exemplifica Cris Cabral, dona de casa por quase três décadas, mãe de dois filhos e que se descobriu uma personal organizer por acaso, em 2014, aos 52 anos.

“É comum acharmos que não temos espaço suficiente nos armários, mas, na verdade, eles estão sempre cheios de coisas inúteis e que muitas vezes nem lembramos que estão lá”, complementa a hoteleira Flavia Taulois, 42 anos, que, em 2000, ao lado de sua mãe, começou a organizar residências de alguns conhecidos “por pura vocação” e desde o ano passado dedica-se ao seu próprio negócio, o Ateliê da Casa Organizers. “A pergunta que você precisa se fazer é: eu uso este objeto? E não analisar quem deu”, questiona. “E aqueles livros na estante. Vai reler? E as apostilas do curso que você fez há 3 anos. Já abriu? E os manuais? Pra que guardar se estão na internet?”

Para iniciar o processo de organização, “é necessário envolvimento e principalmente o desejo de que ela realmente aconteça”, diz Cris. Além de dividir o trabalho por ambientes, também é interessante fazer por partes. “Comece com a triagem de uma gaveta, depois a segunda e assim por diante. Se for tirado tudo de uma vez, é mais fácil entrar em pânico”, ensina a especialista, que integra a Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade. Flávia recomenda iniciar pelo que estiver mais difícil: “Se você arrumar várias coisas de uma vez, pode se sentir desmotivado a terminar. A satisfação de ver um cômodo finalizado trará ânimo para terminar o resto.”

Para selecionar os itens de desapego, Cris aconselha separar caixas com os seguintes dizeres: guardar, doar, descartar e manutenção. “O momento da triagem é ideal para verificar se um sapato precisa de salto, uma camisa está sem botão ou um blazer está manchado. Se um dos benefícios da organização é a economia de tempo, não faz sentido guardar alguma coisa que não está em perfeitas condições de uso. Essas peças devem ir para a caixa de manutenção”, explica. “Em uma quinta caixa, é muito bem-vinda a sugestão de venda.”

As ideias para desapego incluem: o que não está em condições de uso; itens vencidos; livros que não pretende ler, roupas que não servem e documentos desatualizados, entre outros (veja relação abaixo). “Selecionar o que não foi usado no último ano pode ser uma indicação para doar/vender, mas, para objetos de apego sentimental, essa regra não funciona. Caso tenha planos de passar o inverno em outro país, também não se encaixa na regra de desapegar dos agasalhos, por exemplo.”

O QUE DEVE SER DESCARTADO

  • Alimentos, remédios e cosméticos vencidos;
  • Bolsas já danificadas pelo uso;
  • Caixas vazias sem utilidade;
  • Calçados muito gastos;
  • Embalagens vazias;
  • Louças e copos lascados, quebrados ou trincados;
  • Objetos quebrados e que não têm conserto;
  • Panelas sem cabo ou com o antiaderente desgastado;
  • Papéis que já perderam o valor;
  • Roupas, panos de copa, rouparia (cama, mesa, banho) furadas ou muito manchadas.

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Mas, depois do desapego, como manter a casa organizada? Após o trabalho concluído, a determinação é fundamental, pois requer comprometimento e mudança de hábitos. “Se as coisas não forem colocadas nos lugares definidos, elas não voltarão sozinhas”, brinca Cris. “É como emagrecer: não adianta querer, você precisa adquirir disciplina e seguir regras”, afirma Flávia. “Não é agradável lavar a louça, limpar o banheiro e guardar suas roupas, mas os benefícios que você vai alcançar se mantendo firme no objetivo valerão a pena.”

Para ela, meia hora pela manhã e meia hora à noite são suficientes para manter tudo em ordem. “É o necessário para você fazer a cama, lavar a louça, tirar o lixo, recolher as roupas e limpar o banheiro – sim, ele precisa ser limpo todos os dias.” Para isso, ela sugere manter uma cestinha com os principais produtos usados. “Em dez minutos”, diz, “você consegue limpar o vaso, a pia e o chão. Deixe a limpeza pesada para o fim de semana. Alterne limpar o piso num dia; no outro, a roupa que precisa ser colocada de molho e tirar o pó”.

Se não der tempo de colocar no lugar logo após o uso, deve ser determinado um dia ou um momento pra que isso aconteça, ressalta Cris. “Uma coisa que sugiro é a caixinha do ‘depois eu guardo’: tudo o que não der tempo de guardar na hora é colocado ali. É preciso colocar um prazo de no máximo uma semana para essas coisas voltarem para os seus devidos lugares. Se não voltarem, corre o sério risco de a bagunça voltar rapidinho.” Ah, e não vale usar um contêiner como caixinha!

CHECK-LIST DOS AMBIENTES

 COZINHA

Cheque se...

- a disposição dos móveis garante boa circulação;

- todos os eletrodomésticos são usados com frequência: descarte os nunca/raramente usados;

- a quantidade de produtos armazenados na despensa é a média do consumo mensal ou se o estoque está elevado;

- há produtos abertos: armazene-os em potes herméticos;

- os móveis têm pontas: proteja-as;

- há uma área reservada para trabalho;

- objetos mais usados estão em prateleiras acessíveis nos armários.

Deixe à mão:

- luvas protetoras para recipientes quentes;

- panos de copa;

- utensílios para preparo dos alimentos;

- lanterna.

Dica de segurança: mantenha as panelas nas bocas de trás do fogão, para evitar acidentes.

BANHEIRO

Cheque se...

- há vazamentos no sifão ou na descarga;

- a iluminação está adequada;

- a quantidade de produtos armazenados na pia ou nos armários é a média do consumo mensal ou se o estoque está elevado;

- um banquinho/cadeira daria mais autonomia dentro do boxe;

- barras de apoio são necessárias ao lado do vaso e dentro do boxe;

- objetos mais usados estão em prateleiras acessíveis nos armários.

Deixe à mão:

- papel higiênico e lenços umedecidos;

- escova de dente, creme dental, fio dental e enxaguante bucal;

- desodorante, perfume e creme de uso diário;

- escova de cabelo;

- espelho de aumento;

- sabonete líquido;

- toalhas;

- maquiagem do dia a dia;

- aparelho e creme de barba;

- lanterna.

Dicas de segurança: instale piso antiderrapante; troque sabonete em barra por líquido; evite cortinas no boxe e desnível no chão

QUARTO

Cheque se...

- a disposição dos móveis garante boa circulação;

- a cama está em uma altura que permita que a pessoa encoste completamente os pés no chão quando sentada;

- o criado-mudo tem a mesma altura da cama e quinas arredondadas;

- o abajur ou o interruptor estão acessíveis da cama;

- as portas dos armários e as gavetas abrem e fecham com segurança;

- há tela de proteção na janela: ela evita a entrada de insetos;

- tapetes e passadeiras estão fixados com fitas adesivas antiderrapantes;

- há fios expostos em aparelhos de TV e ventiladores, entre outros;

- colchas, mantas e cortinas não estão arrastando no piso.

Deixe à mão:

- lenços de papel;

- chinelos que não escorreguem;

- medicamentos de uso imediato (bronco dilatadores, sublinguais etc) e uma garrafa de água;

- papel e caneta;

- lanterna.

Dicas de segurança: deixe o telefone à mão com números de emergência e contatos de familiares ou vizinhos e retire da beira da cama tapetes que se dobram com facilidade.

SALA

Cheque se...

- a disposição dos móveis garante boa circulação;

- a mesa de centro tem cantos arredondados e não possui vidro ou espelho;

- há fios expostos em aparelhos de TV e ventiladores, entre outros;

- colchas, mantas e cortinas não estão arrastando no piso.

Deixe à mão:

- próximo à porta de entrada, um suporte para as chaves principais (casa e carro);

- e também um aparador, para deixar carteira/bolsa, celular, carregador e agenda de telefones úteis;

- controles remotos;

- lanterna.

Dicas de segurança: sinalize escadas e fixe tapetes e passadeiras com fitas adesivas antiderrapantes.

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