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“Temos que nos reinventar”, diz presidente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon

Nilton Molina conta casos de quem mudou de profissão e diz que o preconceito impede que mais pessoas façam o mesmo

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O presidente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, Nilton Molina; crédito: Renato Stockler

Há oito anos, em uma viagem para os EUA, o presidente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, Nilton Molina, 81 anos, teve de alugar um carro. O motorista era um engenheiro de 68 anos, fundador de uma metalúrgica pequena, vendida para uma gigante do setor, que viu sua renda de US$ 6.000 cair pela metade e teve de cortar gastos, incluindo lazer em família e viagens. “Ele deprimiu”, relembrou Molina ontem (28), na palestra “Longevidade: por que é preciso se preparar para viver mais”, um dos eventos da Virada da Maturidade, que segue até este domingo em São Paulo. 

A solução do americano foi simples. Fez um curso de guia de turismo, comprou um carro e completou a renda. Com algumas vantagens em relação à atividade anterior, entre elas a de escolher quando trabalhar. “Ele venceu o próprio preconceito”, avalia, sobre a troca da engenharia pela atividade de motorista. 

E por que o presidente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon começou a contar essa história para um público de cerca de 50 pessoas? Ele responde com números, gráficos, tabelas, projeções. Porque, diz ele, a conta da Previdência Social não fecha.  

A redução da taxa de natalidade e o aumento da longevidade farão 1) reduzir o número de pessoas que alimentam o sistema de seguro social; e 2) aumentar o número de aposentados. Como a Previdência é um pacto de gerações – é pago pelos que produzem porque não há, grosso modo, uma poupança –, os benefícios terão de ser reavaliados. 

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A solução seria permitir que aposentados voltassem a trabalhar, diz ele, acrescentando que o Instituto de Longevidade Mongeral Aegon é idealizador do RETA (Regime Especial de Trabalho do Aposentado), um projeto de lei elaborado em parceria com a USP (Universidade de São Paulo). Na prática, ele não muda a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), mas cria condições para que essas pessoas sejam absorvidas pelas empresas (clique aqui para saber mais). 

“A minha imagem de velhice era a minha avó, velhinha, velhinha, naquela cadeira de balanço” 

Não somos mais como as gerações passadas, explica ele. “A minha imagem de velhice era a minha avó, velhinha, velhinha, naquela cadeira de balanço de palhinha. Morreu velhinha, velhinha. Tinha 62 anos”, diz Molina, levando a plateia à gargalhada. “Certamente, o espelho é um inimigo desgraçado, mas não estou numa cadeira de balanço.” 

A barreira para o emprego dos 60+ é cultural, diz ele. “Todos nós estamos, sim, possuídos de preconceito. Temos que nos reinventar. Essa reinvenção tem que vencer preconceitos. O preconceito de não querer mudar de patamar.” 

Como seria a reinvenção de Molina? Ele dispara, sem pensar: “Seria vendedor”. “Cada um de nós é alguma coisa – e eu sou vendedor. Tenho convicção de que eu, com uma pasta, poderia vender qualquer coisa”, considera ele, que é também presidente do conselho de administração da Mongeral Aegon Seguros e Previdência. 

Para quem pensa nos impactos da longevidade, ele indica: “Não esperem nada do Estado”. Todos os veículos de investimento são importantes – reservas financeiras, aluguel de imóveis, previdência privada.  

A forma de encarar o futuro vem em forma de outra história. No aniversário da esposa, com quem está casado há 58 anos, a família preparou um presente: um quadro com mensagens de filhos e netos. Nele, Molina escreveu: “Vamos juntos para os 90. O futuro, depois falamos”. 

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