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Engenheiro que projetou barco de Amyr Klink também é cantor

Aos 76 anos, José Carlos Belford Furia comanda sua própria empresa, integra o coral de São Paulo e pratica ciclismo e musculação

Amyr Klink
O engenheiro naval José Carlos Belford Furia; crédito: Na Lata

Em 1984, Amyr Klink partia da costa da Namíbia, na África, para cruzar, sozinho, a remo, o Atlântico Sul em uma viagem de cem dias até o litoral da Bahia, a bordo de um barco de quase seis metros de comprimento e feito de madeira laminada. É nos pormenores da embarcação que a aventura do navegador se cruza com a história do engenheiro naval José Carlos Belford Furia, hoje com 76 anos.

Foi ele quem projetou o IAT/Paraty, que conduziu Klink entre ondas e tubarões nem sempre amistosos. Furia conta com orgulho que até hoje ele o menciona em suas palestras motivacionais. Também o citou no livro que escreveu sobre a travessia, “Cem dias entre céu e mar” (José Olympio Editora, 1985). O navegador o procurou com a incumbência do projeto do IAT/Paraty a partir de uma indicação do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).

Obras de engenharia que se tornam conhecidas já são uma tradição em sua família. O avô materno, José Nunes Belfort de Mattos, engenheiro civil e cientista, foi o responsável pela construção do antigo Observatório Astronômico e Meteorológico de São Paulo, ao lado de sua casa, na avenida Paulista – inaugurado em 1912, o observatório deu lugar, na década de 1930, à rua que margeia o Masp (Museu de Arte de São Paulo). O pai de Furia, por sua vez, foi engenheiro químico industrial.

Desde criança, a paixão de José Carlos eram os veículos em movimento – na terra, no ar ou na água. “Além de jogar bola, eu e os meninos da rua ficávamos desenhando carros de competição”, afirma. Mas fazer desse tipo de projeto uma profissão no Brasil não era exatamente factível, dada a inexistência de uma indústria automotiva nacional quando Furia prestou o vestibular, no final dos anos 1950. Assim, não escolheu engenharia mecânica “para mexer com carros de corrida”; tampouco engenharia aeronáutica, visto que seu irmão não tivera uma boa experiência nesse curso do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

“Cheguei à conclusão que patrão não é um bicho confiável”

Restou, então, o meio aquático. Formou-se em engenharia naval na Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) em 1963. Trabalhou em companhias importantes como a empreiteira Engevix e, em 1975, abriu sua própria empresa, a JCF Engenharia, por chegar “à conclusão de que patrão não é um bicho confiável”. É com ela que atua no mercado até os dias de hoje.

Amyr Klink
Desde criança, a paixão de José Carlos eram os veículos em movimento; crédito: Na Lata

O engenheiro navega bem por mares além do profissional. Um deles é o das ondas sonoras. Ainda nos tempos de Poli-USP, foi marinheiro de primeira viagem em um coral. Só mais de 40 anos depois, em 2005, a partir do convite de um vizinho, retomou a atividade, desta feita no Clube Alto dos Pinheiros.

Em 2006, passou a integrar a Associação Canto Coral Exsultate, e, desde 2010, é membro da Associação Coral da Cidade de São Paulo. Com entusiasmo, enumera os espetáculos dos quais já participou com o coral municipal – entre eles, execuções de Carmina Burana e da Nona Sinfonia de Beethoven. “Neste ano, faremos o Requiem de Mozart em comemoração aos 15 anos do coral”, afirma.

A proximidade com Amyr Klink o levou à prática do remo, em 1986, na Associação dos Remadores Veteranos do Estado de São Paulo. “Larguei três anos depois, quando a coisa começou a ficar mais tensa do lado da engenharia”, diz.

Na seara dos esportes, então, seu avanço, hoje, é por terra. Além de fazer musculação, pedala cerca de oito quilômetros a cada visita à academia, frequentada quatro vezes por semana. Também é adepto do ciclismo ao ar livre; não raro, contabiliza percursos que beiram os 50 km.

Casado com Maria Cecilia Rios Furia, 76, há 52 anos, José Carlos tem uma filha de 52 anos e dois filhos de 48 e 51. Paulistano, mora na Vila Madalena, bairro da zona oeste de São Paulo.

Suas histórias rendem horas de conversa, e sempre há algo de novo a contar. Afinal, como bem se sabe, um verdadeiro capitão não abandona seus barcos.

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