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47% dos pequenos empresários do Brasil não pensam em se aposentar

Donos de negócios se preocupam mais com a sobrevivência e o crescimento de suas empresas do que com o benefício previdenciário

 Pressmaster/Shutterstock
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Em um momento em que lideranças políticas discutem os rumos da Previdência no país, grande parte dos pequenos empresários brasileiros deixa a questão em segundo plano para se preocupar com a sobrevivência e o crescimento de seus próprios negócios.

É o que mostra uma pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) divulgada no mês passado. Os dados levantados apontam que 47% dos donos de pequenos negócios no Brasil estão mais focados em tocar a empresa do que na perspectiva de parar de trabalhar. Ainda segundo o estudo, 8% dos empreendedores já são aposentados, e 45% pensam em se aposentar algum dia.

“Quero continuar trabalhando, quero morrer trabalhando, isso é o essencial da vida, é o que me dá fôlego para acordar todo dia”

Não é o caso de Gilberto Magalhães, de 56 anos, dono da Pirulito Fantasia, que fica no bairro do Ipiranga (zona sul de São Paulo) e há sete anos faz pirulitos de chocolate e outras guloseimas para crianças. Cansado de trabalhar no mercado de propaganda e publicidade, ele resolveu empreender e montou a empresa de doces no mesmo endereço em que mora. “A fábrica fica na frente, e minha casa, nos fundos”, diz.

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Gilberto Magalhães, 56 anos, dono da Pirulito Fantasia, em São Paulo; crédito: divulgação

Ele está entre aqueles que não se veem longe do universo produtivo: “Eu não quero me aposentar, eu estou preocupado é em crescer. Quero fazer esse país respirar ares empreendedores. Quero continuar trabalhando, quero morrer trabalhando, isso é o essencial da vida, é o que me dá fôlego para acordar todo dia. Até voltei a estudar, no ano passado me formei em gestão de negócios e inovação”.

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Entre as vantagens de comandar a própria empresa, Magalhães menciona a de não ter chefe. “Não preciso bater cartão ou dar satisfações”, argumenta. “E vou seguindo adiante, sou um grande otimista. Tenho grandes planos de franquia para a minha marca. No final de maio, buscarei especialistas no próprio Sebrae que me ajudem a formatar esse projeto.”

Em relação ao benefício da aposentadoria, que deverá receber pelos anos como empregado e também pelas contribuições como MEI (Microempreendedor Individual), tipo de pessoa jurídica que escolheu para o negócio, ele diz que vai investir esse capital no desenvolvimento da própria empresa.

Os microempreendedores individuais – cujo teto de faturamento é R$ 60 mil anuais –, por sinal, são os que mais esperam receber a aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), de acordo com o estudo do Sebrae. Segundo a pesquisa, 61% deles têm a expectativa de contar com o benefício da previdência pública.

No geral, entre os donos de pequenos negócios que pretendem parar de trabalhar um dia, 57% dizem acreditar que sua aposentadoria será paga pelo INSS, enquanto 19% contam com um plano de previdência privada e 18% esperam se manter com investimentos próprios.

“Eu resolvi continuar a trabalhar porque não posso parar. Recebo do governo uma quantia ridícula”

Muitas vezes, mesmo quem já recebe uma aposentadoria pública continua à frente da empresa que fundou pela razão de o benefício ser insuficiente para cobrir os gastos pessoais. É nessa situação que se encontra a economista Sonia Regina Tamburro, de 66 anos, dona de uma assessoria para o terceiro setor, a Ativa.

“Uma vergonha”, diz ela, referindo-se ao montante que recebe após anos de contribuição – e também aos termos da reforma previdenciária em curso no país. “O problema não é a idade da aposentadoria ou a previdência que está quebrando”, avalia. “É termos benefícios milionários para alguns poucos, como políticos que recebem três ou quatro vezes o valor que já ganhavam”, diz. “Mas a corda arrebenta do lado mais fraco, e quem sofre é o povo brasileiro, que tem sido humilhado.”

“Eu resolvi continuar a trabalhar porque não posso parar. Recebo do governo uma quantia ridícula, que nem paga o meu plano de saúde”, explica. Sonia conta que montou a assessoria, há cerca de dez anos, com a experiência adquirida na área de câmbio em um banco de investimentos. Ela também criou o Instituto Brasil do Terceiro Setor, que realiza projetos socioculturais voltados para crianças e adolescentes.

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