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Saúde bucal previne e controla doenças sistêmicas

Envelhecimento não provoca perda dos dentes, diz odontogeriatra

Saúde bucal
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Cuidar dos dentes deve ser prioridade em qualquer fase da vida, mas é na terceira idade que essa prática pode enfrentar alguns obstáculos, ao mesmo tempo em que exerce maior influência sobre a saúde geral.
O comprometimento da saúde bucal tem sido relacionado “com o desenvolvimento de incapacidades, menor ingestão de nutrientes e perda de peso”, diz o professor Eduardo Hebling, coordenador do curso de especialização em odontogeriatria da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Esses fatores são associados com a síndrome da fragilidade (perda de reservas de energia, de capacidade física, de cognição e de saúde), que está diretamente relacionada ao aumento das taxas de mortalidade em idosos, afirma o especialista, que é presidente da Sociedade Latinoamericana de Gerodontologia.

Ele cita ainda a relação direta entre algumas moléstias e a boa conservação da boca. “A promoção de cuidados de saúde bucal aos idosos pode permitir a prevenção e controle de uma série de doenças sistêmicas, como a diabetes, as doenças cardiovasculares, as demências e o risco de pneumonia aspirativa”, enumera.

Segundo Hebling, diabetes, problemas cardiovasculares (como hipertensão e tromboses) e enfermidades pulmonares obstrutivas (como bronquite e enfizema pulmonar) são doenças inflamatórias crônicas, assim como as doenças periodontais (inflamação na gengiva), que afetam os dentes. Assim, todas desencadeiam no organismo processos semelhantes de defesa.

“Esse é um caminho de ‘mão dupla’, onde, quando se controla ou se trata uma doença, temos o controle ou tratamento melhor de outra doença. Hoje é sabido, por exemplo, que pessoas com diabetes e com doença periodontal controlada conseguem um melhor controle da diabetes. O inverso também é verdadeiro: pessoas diabéticas e com doença periodontal não controlada apresentam dificuldade de controle glicêmico da diabetes.”

 

“A cultura de que a boca não faz parte do corpo está mudando. Tudo começa pela boca: o sorriso, a socialização, a alimentação e a saúde”

 

O envelhecimento em geral provoca algumas mudanças que também podem influenciar na manutenção das boas condições dos dentes. Uma delas é a redução na produção de saliva, situação que pode ser agravada pela grande ingestão de remédios.

“O idoso usa vários medicamentos, e um dos efeitos colaterais é a boca seca. Ela prejudica a digestão, a fala, a retenção de próteses e aumenta a incidência de cárie e doença periodontal. Além disso, muitos medicamentos possuem açúcares em sua composição, aumentando o risco de cárie”, afirma Denise Tibério, presidente da Câmara Técnica de Odontogeriatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo.

Mas, apesar das dificuldades trazidas pelo avançar dos anos, ela ressalta que é possível manter a boca saudável. “O envelhecimento não leva à perda dos dentes. Isso é um mito que devemos quebrar.”

Para ela, a situação encontrada hoje, com muitos idosos desdentados, é “decorrente de uma falta de valorização dos dentes em décadas passadas”. “No futuro teremos idosos parcialmente e totalmente dentados que não querem perder os dentes. Hoje eles são adultos que estão cuidando de idosos e observam como não querem envelhecer.”

Denise aponta uma mudança de comportamento, que acredita que terá resultados no futuro. “A cultura de que a boca não faz parte do corpo está mudando. Tudo começa pela boca: o sorriso, a socialização, a alimentação e a saúde.”

Hebling também cita a mudança na atitude dos idosos como um estímulo para o cuidado com os dentes. “Essas pessoas, que ficavam restritas ao lar, atualmente estão mais participativas na sociedade, interagindo em grupos de terceira idade, em cursos, em bailes, em eventos esportivos. Essa realidade exige que essas pessoas tenham uma boa dentição para poder interagir com outras pessoas.”

Os cuidados com os dentes, segundo os especialistas, são os mesmos de outras faixas etárias: escovação mecânica, fio dental, enxaguante bucal, acessórios como unitufo etc.

O que pode mudar, diz Denise, é o tipo de escova _e o dentista é que poderá avaliar cada caso. “O envelhecimento não é igual para todos e não caminha na mesma velocidade. Assim, não existe uma escova dentária ideal para idosos. O que podemos reforçar é que, por terem uma mucosa frágil e diminuição da saliva, a escova macia é indicada para idosos.”

 

Hebling cita alguns hábitos saudáveis que devem ser adotados para ajudar a manter a saúde bucal:

 

. Higienizar a boca após as principais refeições;

 

. Reduzir o consumo de alimentos que provocam cáries, como doces e massas;

 

. Tomar no mínimo 8 copos de água por dia;

 

. Usar antisséptico bucal sem álcool.

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