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Pessoas mais velhas têm sintomas diferentes de depressão

Segundo a OMS, doença será a segunda mais incapacitante até 2020; hábitos saudáveis ajudam na prevenção

depressão
Lopolo/Shutterstock

Falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas, desesperança e tristeza sem fim. Muita gente sabe quais são as principais características da depressão, um transtorno do humor que afeta o modo de pensar, sentir e lidar com atividades diárias. Mas, nos adultos mais velhos, ela pode ser acompanhada de sintomas menos conhecidos, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento.

Cansaço, mau humor e problemas de atenção e para dormir são alguns deles. Há ainda confusão mental, alteração de memória e comportamentos repetidos, ressalta o médico e psicólogo Roberto Debski, especialista em medicina integrativa e diretor da Clínica Ser Integral, de Santos (SP). “As pessoas pensam no Alzheimer e na demência, mas muitas vezes isso acontece por causa da depressão.”

E o envelhecimento, por si só, já ajuda a dificultar o diagnóstico, uma vez que ele costuma vir associado a perda de memória e falta de concentração, além de fadiga e distúrbios do sono. Todos esses sintomas também estão relacionados à depressão.

Tem mais: há doenças que afetam e são afetadas por transtornos mentais, como as cardiovasculares e o câncer. E medicamentos que podem desencadear depressão, como alguns para hipertensão e reações alérgicas.

No mundo, 350 milhões de pessoas sofrem com a depressão, segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Menos da metade, pelos dados da entidade, recebe tratamento adequado – por motivos como falta de recursos ou de profissionais treinados, estigma relacionado a transtornos mentais e avaliações incorretas. Até 2020, deve ser a segunda doença mais incapacitante no planeta.

“O depressivo tem um ‘excesso de passado’ e uma ‘falta de futuro”

Para Debski, o ideal é que, em pessoas mais velhas, o tratamento da depressão seja feito por um especialista na área. E que um clínico geral, um geriatra ou um médico de família coordene os cuidados de saúde para avaliar interações entre medicamentos para outras condições, dosagens e efeitos colaterais que possam surgir.

Um dos principais recursos é o uso de antidepressivos. “Os mais utilizados são os que funcionam como inibidores da serotonina”, explica o neurocientista Aristides Brito. Os efeitos podem levar “algumas semanas, o que faz com que as pessoas não sintam resultados imediatos ao tratamento”. E completa: “A depressão acaba configurando mudanças químicas no cérebro, mas é muito mais do que isso. Ela se relaciona com as emoções, que são afetadas pelo ambiente, principalmente nos dias de hoje, com tanta pressão na vida moderna”.

Por isso, é preciso adotar hábitos saudáveis, não só para tratamento, mas para prevenção da depressão. “A atividade física regular e diária; a alimentação saudável e rica em nutrientes; o sono suficiente e reparador, que recupera o humor e organiza o pensamento e as memórias; os bons relacionamentos afetivos, que nutrem as emoções positivas, fortalecem e dão esperança e motivação; todos estes componentes fazem parte da prevenção e tratamento, não somente da depressão, mas de todas doenças crônicas”, explica o médico.

Debski finaliza: “O depressivo tem um ‘excesso de passado’ e uma ‘falta de futuro’. Vive remoendo acontecimentos, mágoas, arrependimentos e não consegue planejar sua vida em direção ao futuro ou tem metas ou projetos que o impulsionem para adiante. Fazer com que tenha ações e movimentos focados no presente e cuidados ativos com sua saúde estimulará uma nova percepção e redescoberta de seu corpo, de suas emoções e o reconectará com o fluxo da vida”.

 

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