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Paternidade tardia pode influenciar na saúde do filho, indicam estudos

Visão tradicional de que os espermatozoides não seriam afetados pelo envelhecimento está mudando

Paternidade tardia
Crédito: Fotomontagem

O impacto da idade da gestante na saúde dos filhos já vem sendo debatido e estudado há muito tempo. Não havia, porém, preocupação com os possíveis efeitos da idade avançada do pai. Ao contrário, a visão tradicional era de que os espermatozoides não seriam afetados pelo envelhecimento do homem. Mas isso está mudando.

Estudos recentes têm demonstrado que a paternidade tardia também tem, sim, seu quinhão de ônus. De acordo com Edson Borges Jr., sócio-fundador do Fertility Medical Group e diretor científico do Instituto Sapientiae (Centro de Estudos e Pesquisa em Reprodução Assistida), a idade superior a 45 anos já pode ser considerada tardia para a paternidade.

 

 ELES FORAM PAIS DEPOIS DOS 50

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Borges Jr., que fez doutorado em urologia, explica que, biologicamente falando, o retardo da paternidade pode levar a diversos potenciais problemas, como aborto espontâneo a partir de 20 semanas de gestação, defeitos do tubo neural, catarata congênita, defeitos de redução de membro superior e Síndrome de Down.

Pesquisas apontaram ainda uma relação muito importante entre idade avançada do pai e fenda palatina _ uma condição sobre a qual a idade da mãe não tem nenhuma influência_, além de problemas do desenvolvimento neurológico, principalmente autismo e esquizofrenia.

 

“A associação entre a boa qualidade de vida e a melhor condição dos gametas já está bastante estudada e definida”

 

Segundo Borges Jr., apesar de o espermatozóide ser produzido a cada 65-70 dias, as células precursoras (espermatogônias) sofrem alterações decorrentes das constantes divisões, podendo levar os espermatozóides a sofrer pequenas modificações genéticas com o tempo.

Por isso, as escolhas que o homem faz durante a vida vão influenciar a qualidade da sua herança genética. “A associação entre a boa qualidade de vida e a melhor condição dos gametas [célula reprodutiva madura] já está bastante estudada e definida”, explica o especialista. “Fatores ambientais como cigarro, álcool, alimentação, radiações eletromagnéticas, medicações e estresse já demonstraram ser lesivos à qualidade espermática”, garante ele.

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Edson Borges Jr., sócio-fundador do Fertility Medical Group e diretor científico do Instituto Sapientiae; Crédito: Arquivo Pessoal.

 

Ainda não existem estudos sobre esse tema no Brasil, mas a literatura científica sobre o assunto disponível em outros países já concluiu que os principais efeitos adversos para a saúde infantil causados pelo atual aumento na faixa etária dos pais são potencialmente graves, porém, têm pouca importância estatística, ou seja, não são muito frequentes, devido tanto à raridade das doenças quanto dos casos de paternidade tardia.

De qualquer forma, é melhor prevenir. Para aqueles que pretendem adiar o momento de se tornar pais, Borges Jr. recomenda a criopreservação, também uma alternativa nos casos em que existe potencial de o homem ficar estéril (cirurgias testiculares, câncer, rádio/quimioterapia) e também válida para os casos em que a concentração e a qualidade espermáticas são muito alteradas.

 

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