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Conheça os problemas da falta de vitamina D no organismo

Nutriente é necessário para a saúde dos ossos e dos músculos

Vitamina D
Image Point Fr/Shutterstock

 

Nos últimos tempos a vitamina D ganhou espaço na lista das discussões médicas. Afinal, a chamada vitamina do sol é fundamental para a saúde dos ossos e dos músculos, ao mesmo tempo em que a exposição à luz solar, a principal fonte de produção desse nutriente, tornou-se cada vez mais escassa, seja por receio de câncer de pele ou pelo estilo de vida nas grandes cidades, em que as pessoas passam a maior parte do tempo em ambientes fechados.

O resultado é que existe uma elevada incidência de deficiência de vitamina D em todo o mundo, inclusive no Brasil, segundo diagnóstico apresentado no documento “Recomendações da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D”, publicado em 2014.

E os riscos da deficiência desse nutriente são altos: perda de massa óssea e fraqueza muscular, em adultos, e raquitismo e retardo do crescimento, em crianças.

Como a vitamina D obtida dos alimentos é insuficiente, tomar suplementos é a solução? Depende, responde a endocrinologista Victoria Borba, uma das autoras do documento e professora de clínica médica da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

A primeira providência do médico, diz ela, é analisar os hábitos do paciente e verificar se ele se encaixa nos grupos de risco:

  • pessoas com osteoporose, raquitismo ou síndromes que reduzem a absorção (como fibrose cística, doença inflamatória intestinal, doença de Crohn, cirurgia bariátrica)
  • idosos com história de quedas e fraturas
  • obesos
  • grávidas
  • casos de insuficiência renal ou hepática
  • usuários de medicações que interfiram no metabolismo da vitamina D (como anticonvulsivantes, antifúngicos e antirretrovirais)
  • pacientes em que a exposição ao sol é rara (pessoas acamadas) ou contraindicada (existência ou predisposição a doenças como câncer de pele e lúpus)

“Uma pessoa saudável, jovem, que vai à praia todo ano, caminha na rua e se expõe mais ao sol provavelmente não vai precisar suplementar”, afirma a médica, que é diretora do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da SBEM e vice-presidente da Abrasso (Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo).

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O exame para medir os níveis da vitamina também não é recomendado indiscriminadamente. “A gente só recomenda medir para quem tem fator de risco, doenças ósseas e crônicas. Vai medir quando precisa ter certeza de que aquela pessoa tenha níveis adequados de vitamina D”, diz ela.

 

ALIMENTAÇÃO 

Segundo a médica, a alimentação dificilmente consegue suprir a necessidade de vitamina D. Isso porque as principais fontes desse nutriente não são muito presentes na dieta do brasileiro: cogumelos secos ao sol, salmão selvagem e óleo de fígado de bacalhau, por exemplo, lideram a lista.

 

SOL

A principal recomendação médica é tomar sol em média por 15 minutos por dia, em 6% do corpo (braços e pernas). Como a vitamina D produzida é cumulativa (fica armazenada no fígado), também funciona reduzir a periodicidade para dois ou três dias por semana, aumentando o tempo de exposição.

A produção de vitamina D pela exposição solar, porém, não é igual para todos: vai depender do tipo de pele. Quem tem menos melanina absorve melhor os raios ultravioletas e produz mais rapidamente o nutriente.

E é bom lembrar que filtro solar e vidraças atrapalham. Segundo ela, estudos mostram que o filtro solar número 8 bloqueia totalmente a absorção. E o vidro atua também como barreira.

 

TERCEIRA IDADE

Nos idosos, no entanto, o processo não funciona da mesma forma. “A pele também envelhece, e a capacidade de produzir vitamina D pelo estímulo solar vai diminuindo. O idoso produz, mas é significativamente menos [do que as pessoas mais jovens]”, afirma Victoria.

“Vale estimular o idoso a tomar sol, por ser saudável, mas dificilmente ele vai conseguir suprir sua necessidade de vitamina D só com exposição solar.”

Como justamente nessa faixa etária aumenta a incidência de osteoporose e de fraqueza muscular, os idosos estão no grupo de risco, diz a médica.

 

OBESIDADE

Para os obesos, o problema é que a gordura “sequestra” a vitamina D, tornando-a indisponível para o organismo. E quem se submete a cirurgia bariátrica ou algum outro tipo de intervenção que retire parte do intestino também pode apresentar deficiência, porque é nesse órgão que o nutriente é absorvido.

 

SUPLEMENTAÇÃO

Para Borba, a suplementação é bastante segura se a pessoa não apresenta contraindicação clínica (algumas doenças levam ao aumento do cálcio).

O documento da SBEM, dirigido à comunidade médica e produzido por sete especialistas que analisaram a literatura científica sobre o assunto, indica, como doses de manutenção diárias para tratamento da deficiência da vitamina D, entre 400 UI (unidade internacional) e 800 UI para a população geral. Para os grupos de risco, de 400 UI a 2.000 UI, dependendo da faixa etária e das condições clínicas apresentadas.

O texto alerta que, apesar de estudos observacionais terem mostrado associação entre baixas concentrações de vitamina D e doenças cardiovasculares e autoimunes, câncer, diabetes e declínio da função cognitiva, entre outras enfermidades, ainda não existem pesquisas que comprovem uma relação de causa-efeito e uma eventual eficácia da suplementação como forma de prevenção.

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