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Viver mais exigirá novos aprendizados, pausas e recomeços

Os períodos de trabalho podem ser intercalados com capítulos de aprendizagem, preparando o caminho para novas carreiras e opções, diz especialista

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A AARP é provedora deste conteúdo.

Debra Whitman

Como uma mãe ocupada, que trabalha fora, gasto a maior parte do meu dia correndo contra o relógio. Voo de uma reunião para outra, deixo meus filhos na escola e nos campinhos de futebol e depois volto para casa para fazer o jantar e passar um tempo com a família.

Mesmo trabalhando na área de envelhecimento, demorei para perceber que o tempo está realmente se expandindo. Nossos dias corridos ainda duram apenas 24 horas, é claro, mas as pessoas estão vivendo mais.

Isso proporciona uma oportunidade incrível: se pudéssemos capturar um tempo precioso que tenha sido adicionado ao fim de nossas vidas e usá-lo agora, isso abriria novas possibilidades para nossos dias.

E faria ainda mais. Se pudéssemos aproveitar esse recurso inexplorado quando somos mais jovens, melhoraríamos muito nosso bem-estar quando envelhecermos.

Vi a barreira para isso como um problema de design.

Para a maioria de nós, a atual progressão da vida inclui três fases distintas. Nós vamos para a escola, seguimos para o trabalho e finalmente nos aposentamos. Fim da história.

“Um design mais flexível de nossas vidas pode abrir caminho para mais anos de experiência e segurança financeira”

Mas, se tivéssemos a opção de mexer com essas fases, como poderíamos redesenhar nossas vidas?

Para fazer essas mudanças no tempo, precisamos pensar de uma nova forma sobre a trajetória tradicional de vida. Em vez de uma linha direta educação-trabalho-aposentadoria, imagine uma com curvas e rotações, com fases se movem para frente e para trás, às vezes se repetindo ou se sobrepondo de maneiras diferentes.

Os períodos de trabalho podem ser intercalados com capítulos de aprendizagem, preparando o caminho para novas carreiras, experiências e opções.

Não precisamos estar presos nos rígidos estágios de vida da geração de nossos pais. Por que não emprestar tempo de nossos “anos de trabalho” para ganhar habilidades ou usar parte de nossos “anos de aposentadoria” para continuar ganhando dinheiro com essas novas habilidades?

Um design mais flexível de nossas vidas pode abrir caminho para mais anos de experiência e segurança financeira.

Mas isso não acontecerá por acidente. Aproveitar ao máximo essas emocionantes possibilidades exigirá mudanças em nossas instituições, em nossas políticas sociais e na maneira como pensamos nossas próprias vidas.

Importante, o redesenho do curso de vida é uma forma de interromper o envelhecimento, um objetivo essencial que é explicado pela presidente da AARP, Jo Ann Jenkins, nesta edição do The Journal (clique aqui para ler). O empenho da AARP visa reconhecer que as pessoas devem ser definidas por quem elas são – não por quantos anos têm – e que elas devem ser capazes de fazer contribuições em qualquer idade.

Quando isso acontece, toda a sociedade se beneficia.

“Se a geração “Baby Boomer” sair da força de trabalho rapidamente, muitos empregadores podem sofrer com a escassez de habilidades nas equipes”

Para muitas pessoas, a trajetória tradicional da vida já não faz sentido. Um número crescente de trabalhadores mais velhos enfrenta um futuro de insegurança financeira e vê opções limitadas para ajudar a si mesmos.

Essas pressões fazem com que permanecer produtivo e preservar a saúde e as habilidades de que precisam para continuar gerando renda seja ainda mais importante.

Ao mesmo tempo, as economias modernas precisam do know-how de trabalhadores experientes. Se a geração “Baby Boomer” sair da força de trabalho rapidamente, muitos empregadores podem sofrer com a escassez de habilidades nas equipes. Eles oferecem experiência, conhecimento institucional e estabilidade, o que pode ser altamente valioso para os empregadores.

Felizmente, as mudanças na tecnologia estão facilitando a permanência no mercado de trabalho.

Em economias avançadas e baseadas no conhecimento, a maioria dos trabalhadores pode continuar contribuindo enquanto permanecer mentalmente ativa. A tecnologia também facilita o trabalho remoto, dando assistência a quem não deseja se deslocar ou que prefere horas flexíveis.

Mas as pessoas que desejam redesenhar sua própria trajetória de vida ainda enfrentam muitos obstáculos. Nossas instituições básicas e nossos programas públicos também devem ser redesenhados.

Nos Estados Unidos e na maioria das nações desenvolvidas, os comportamentos públicos, as instituições sociais, as políticas governamentais (incluindo o financiamento para educação, treinamento e aposentadoria) e os empregadores assumem uma progressão tradicional do nascimento para o trabalho, depois para a aposentadoria e, por fim, para a morte.

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Considere a Seguridade Social ou outros sistemas públicos de aposentadoria. Eles são projetados para um mundo em que se trabalha até uma determinada idade e, então, para. A partir daí, você depende de pensões e poupança, mas não mais de trabalho remunerado.

“E se os trabalhadores pudessem reivindicar um benefício educacional de um programa público de Previdência antes de se aposentar?”

Sabemos, no entanto, que muitos trabalhadores mais velhos desejam novas opções de carreira ou precisam de novas habilidades na medida em que a demanda pelas ocupações mais longevas diminui ao longo dos anos. O problema é que eles geralmente não podem abandonar seus empregos e pagar por educação para, assim, colocar outras oportunidades ao seu alcance.

Este não é um desafio insuperável. Exige apenas um pensamento inovador.

E se os trabalhadores pudessem reivindicar um benefício educacional de um programa público de Previdência antes de se aposentar?

Isso poderia aumentar suas escolhas – e a um custo que o sistema pode absorver. Os benefícios de aposentadoria poderiam ser ajustados para neutralizar o da educação no orçamento. Isso poderia até fortalecer o sistema de Previdência, já que mais pessoas aguardariam para pedir o benefício e continuariam a pagar impostos.

Esse é apenas um exemplo. Muitos programas públicos projetados para uma progressão linear da vida podem ser redesenhados para dar suporte a uma trajetória com mudança de tempo.

“Para ajudá-los a redesenhar suas vidas, a cultura das instituições educacionais deve ser transformada para receber pessoas de todas as idades”

Uma solução poderia ser encontrar novas maneiras de dar apoio à aprendizagem contínua, algo crítico para as pessoas prosperarem nos tempos atuais.

A educação online tem dado mais opções de baixo custo para os indivíduos adquirirem habilidades, mas é necessário muito mais.

Para ajudá-los a redesenhar suas vidas, a cultura das instituições educacionais deve ser transformada para receber pessoas de todas as idades.

Isso exigirá uma mudança dramática na forma como pensamos as faculdades e todas as instituições educacionais. Potencialmente, isso pode afetar o currículo, os serviços oferecidos, os horários das aulas e a consciência da própria missão da escola.

Neste novo mundo, os estudantes não serão majoritariamente os que estão no fim da adolescência ou que têm ao redor de 20 anos. Alunos com a idade dos pais ou avós deles estariam mais amplamente representados – e o campus tradicional precisará se transformar para receber todas as idades.

Os empregadores também precisam se envolver, pois os indivíduos seguem um curso de vida mais flexível. Políticas corporativas quanto a licenças, agenda, teletrabalho, treinamento, desenvolvimento e aposentadoria têm potencial para apoiar ou impedir quem deseja usar o tempo de maneiras inovadoras.

Criar modelos que apoiem cuidadores na ausência do local de trabalho são essenciais. Em muitos casos, pode-se adaptar as políticas existentes de licença maternidade e paternidade para ajudar cuidadores de familiares, que enfrentam enormes e demoradas responsabilidades.

Há um forte impulsionador para isso: a qualquer momento, trabalhadores de diferentes idades tentam subir degraus, afastar-se ou mover-se horizontalmente para novos papéis.

Ao implementar estratégias para apoiar esses esforços, os empregadores irão melhorar a produtividade e a disposição dos trabalhadores. As organizações com políticas corretas prosperarão, atraindo talentos e uma força de trabalho energizada.

No final, o redesenho da trajetória de vida exigirá muito dos próprios indivíduos.

“Encontrar maneiras de diminuir o estresse é um investimento pessoal que pode gerar recompensas quando queremos permanecer produtivos”

Pensar de forma mais holística sobre o tempo de nossas vidas pode influenciar as decisões que tomamos hoje. Investir em nossa própria saúde com exercícios regulares e dietas saudáveis pode acrescentar muitos anos.

Encontrar maneiras de diminuir o estresse é um investimento pessoal que pode gerar recompensas quando queremos permanecer produtivos. O objetivo deve ser reconhecer que o tempo em que somos ativos e saudáveis é um bem valioso, e que se pode otimizá-lo e estendê-lo.

Quando se é jovem, pode ser difícil planejar uma fase de vida que está a décadas de distância. Mas são os jovens que têm mais a ganhar com isso, porque são os que mais têm tempo para trabalhar.

Todos os segmentos da sociedade podem lucrar quando indivíduos tomam medidas para redesenhar suas progressões de vida. As economias nacionais serão fortalecidas por uma infusão de habilidades e energia, e os indivíduos terão poderes para ter vidas mais gratificantes e seguras.

Aproveitar as possibilidades trazidas por nossos anos adicionais nos permitirá realizar coisas que as gerações anteriores só poderiam sonhar.

 

Debra Whitman, chefe de políticas públicas da AARP, é uma liderança global, apoiando e promovendo os interesses dos indivíduos com mais de 50 anos e de suas famílias. Supervisiona o Instituto de Políticas Públicas da AARP, a AARP Research, o Escritório de Desenvolvimento e Integração de Políticas Públicas, a Thought Leadership e a AARP International.

 

Artigo original: http://journal.aarpinternational.org/a/b/2017/01/redesigning-the-course-of-our-lives

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