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“Empreendedoras 6.0” criam modelo de moradia contra a solidão na velhice

Marta Monteiro e Veronique Forat formam comunidades cujos integrantes se ajudam no dia a dia e espalham pelo Brasil o conceito de “cohousing"

empreendedoras 6.0
Rawpixel.com/Shutterstock

Morar em condomínio pode trazer muitas dores de cabeça na relação com os vizinhos. Afinal, conflitos são quase inevitáveis quando tantos perfis e personalidades diferentes são obrigados a conviver no mesmo espaço. Existe, porém, um modelo de compartilhamento de moradia que parte do princípio de afinidade entre os condôminos.

O objetivo, no caso, é que dividam muito mais que uma xícara de açúcar, vivendo, de fato, como uma comunidade, em que um ajude o outro não só em tarefas cotidianas, mas também no suporte emocional contra a solidão, muitas vezes necessário nas idades mais avançadas.

Comum na Europa e nos Estados Unidos, o cohousing ou coliving (moradia compartilhada) prevê uma convivência com base na economia colaborativa entre as pessoas que moram juntas, com regras bem definidas que variam de acordo com o perfil de cada grupo.

É esse sistema que as “empreendedoras 6.0”, como passaram a ser conhecidas Marta Monteiro, de 63 anos, e Veronique Forat, 60, começam agora a implantar no Brasil, com o nome de Morar com Você.

A ideia surgiu quando Marta, que fez carreira no mercado imobiliário, e Veronique, especialista em marketing de relacionamento, conheceram-se em um workshop sobre reinvenção do trabalho após os 60, realizado em julho do ano passado. A dupla identificou, entre as pessoas de sua própria geração, uma necessidade de aproximação cooperativa em uma fase mais madura da vida.

 

“Em dez dias, recebemos 1.200 respostas, 85% delas favoráveis ao sistema [de cohousing]”

 

Formada em biologia, com pós em marketing e comércio exterior e 15 anos como corretora no currículo, Marta conta que partiu de uma necessidade própria para pensar no modelo de negócio que tem desenvolvido. “Já vinha fazendo algumas reuniões com o intuito de formar um grupo com afinidades para dividir moradia”, afirma ela, que é divorciada e vive sozinha.

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Em paralelo, diz perceber certo esgotamento em estratégias tradicionais de corretagem imobiliária, em que os profissionais se valem de abordagens de venda que considera ultrapassadas – caso de ligações telefônicas.

Após conversas iniciais, as empreendedoras fizeram uma pesquisa informal no Facebook para saber se haveria demanda no Brasil para o conceito de “cohousing”. O retorno da pesquisa foi melhor que o esperado, segundo Marta. “Em dez dias, recebemos 1.200 respostas, 85% delas favoráveis ao sistema”, diz. A partir desse resultado, resolveram colocar o projeto de pé.

Procuraram o programa Sebrae Canvas e o workshop Validation Rocket, que validam modelos de negócio, e fizeram um curso na Fundação Dom Cabral com a mesma finalidade.

Entre outubro e dezembro do ano passado, participaram de competições de apresentação de startups para investidores e logo chamaram a atenção da Kick Ventures, grupo que apoia negócios iniciantes e passou a prestar consultoria para a Morar com Você.

 

“A intergeracionalidade é muito bem vinda, independentemente de sexo, raça, religião e orientações sexuais ou políticas”

 

Em março, Marta e Veronique começaram a formar os primeiros dez grupos de interessados em compartilhar moradia. “O primeiro passo é congregar quem tenha valores e interesses em comum”, explica Marta.

“Temos uma comunidade só de mães, por exemplo, e outra de divorciados. Em média, são de seis a oito integrantes por grupo, em um total de 80 indivíduos, a maioria com mais de 40 anos. Mas queremos atender a todas as idades, a partir de 18 anos”, frisa. “Aliás, a intergeracionalidade é muito bem vinda, independentemente de sexo, raça, religião e orientações sexuais ou políticas.”

A etapa seguinte consiste em procurar um imóvel para cada comunidade. “Há quem queira alugar, e também quem deseja adquirir um terreno para construir casas compactas”, conta a empreendedora.

A Morar com Você (clique aqui e acesse) por enquanto só atua na cidade de São Paulo, mas já recebeu sondagens de pessoas de Minas, do Rio, da Paraíba e até de Nova York. “É preciso ir com calma, começamos há apenas três meses”, diz Marta. As sócias ainda nem definiram como vão ganhar dinheiro com o negócio – uma alternativa é receber pela administração das compras conjuntas e das divisões de despesas dos grupos. O valor principal da plataforma, porém, está muito bem estabelecido: a harmonia de uma vida em comum.

 

Clique aqui e leia também: Casa compartilhada reduz custos e melhora qualidade de vida

 

 

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