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Podemos interferir no livre arbítrio dos outros?

Gustavo Boog discute sobre o livre arbítrio e diz que cada um deve ser 100% por seus atos e suas omissões, arcando com as consequências

livre arbítrio
Crédito: Por Sergei Drozd

Claramente a resposta é não! Quando nos relacionamos com outras pessoas, que estão no pleno exercício de suas vidas, a resposta é não, pois cada um deve ser 100% responsável por seus atos e por suas omissões, cabendo arcar com as consequências disto. 

Mas, o pleno exercício de suas vidas pode levar a diversas interpretações, e aí reside uma grande dificuldade. Com certeza, uma criança pequena rebelde que nega a alimentar-se bem, deve sim ser estimulada e no limite ser forçada a se alimentar bem. Ela não tem a maturidade para decidir isto. 

Mas, e os idosos? Um que já tenha dificuldades de coordenação motora e não enxerga bem, pode continuar a dirigir seu carro? Os filhos podem interferir nas decisões do idoso e impedi-lo de fazer isto? Um idoso que recusa tratamento médico deve ser respeitado? Lembro de uma senhora com mais de 80 anos, diagnosticada com um câncer incurável, recusou tratamento médico e viajou para passar seus últimos dias em lugares com os quais sempre sonhou. Um idoso, em estado terminal, determinou a suspensão de serviços médicos dispensáveis, pois morreria em poucos dias. Decisão acertada? E a lista é interminável. No livro “Mortais”, o médico e autor Atul Gawande, relata diversos casos de idosos em casas de repouso, que tiveram a possibilidade de terem animais em seus quartos, cães, gatos ou pássaros, e apresentaram melhoras em seus quadros de saúde, apesar das restrições dos médicos. Havia riscos, mas também havia a vontade do idoso. 

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Filhos, parentes, amigos, profissionais de saúde costumam colocar a segurança e saúde do idoso como a primeira prioridade, e isto muitas vezes priva o idoso de alegrias que teria, mesmo correndo algum risco. O idoso deve ficar em seu quarto, pois tem dificuldades de locomoção, ou pode ser autorizado a caminhar com um andador num jardim, apreciar as árvores e flores, curtir um sol da manhã, mesmo que isto represente algum risco de queda? Creio que se o idoso estiver no pleno exercício de sua vida, sua decisão deve ser respeitada. 

Como se vê, as questões de livre arbítrio não são simples. Antes da fase final da vida, algo que é muito útil é a preparação de um “testamento vital”, no qual o idoso define os tipos de tratamento que aceita e que rejeita. Isto é uma vontade que deve ser respeitada, e tem apoio legal. A destinação de seu patrimônio é outra decisão que deve ser tomada, para evitar conflitos familiares posteriores à sua morte. 

Gustavo é escritor e coach, apoia pessoas, idosas ou não, a tomarem decisões para serem mais plenas, terem clareza de objetivos e de significados de vida. Conduz palestras e workshops sobre temas comportamentais, criou o grupo “Mais Velhos, Mais Sábios” no Facebook. É escritor de mais de 20 livros e E-Books sobre desenvolvimento pessoal e organizacional.

 Email: gustavo@boog.com.br    Site:   www.boog.com.br                               Fones: (11) 5183-5187 ou 5183-5096   Celular: (11) 99137-7691 

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