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Envelhecimento populacional: uma questão de ângulo

envelhecimento populacional
Por AjayTvm/Shutterstock

A não ser entre profissionais da área, sempre que se aborda a questão do envelhecimento populacional, as referências se debruçam sobre ‘viver bem e por mais tempo’, o que significa insistir na qualidade de vida, na preservação da saúde e dos bons e saudáveis hábitos. Como se isso fosse possível para a maioria da nossa população.

Mas não entremos no âmbito das políticas públicas. Vamos permanecer em nossa humilde filosofia de vida, que anseia por mais prazer e menos melancolia. Isso, sem falar na busca da felicidade e no significado de vida.

O fato é que, para quem mora numa cidade grande, que não é – nem de longe – sustentável, qualidade de vida é nome de matéria escolar ou licença poética. Idas e vindas não-virtuais pelos transportes públicos requerem mais do que a prática diária de meditação e de visualizações criativas.

Uma pessoa linda e mais do que querida, que trabalha comigo, gasta mais de 3 horas e meia, diariamente, nos ônibus e metrôs lotados, sobre o que ela comenta, quando chega ao escritório: – Doutora! A senhora nem sabe, vim desmaiando. Só não fui caí porque estava tão apertado, mas tão apertado, que podia ter desmaiado e permanecido em pé durinha-molinha, ali mesmo, que ninguém iria reparar.

Como variação, em noutro dia  me saiu com essa: – A senhora não sabe! Eu vim o tempo todo cheirando sovaco. É, so-va-co. Não dava nem para virar a cabeça. Tinha um sujeito alto, de cheiro forte, segurando na barra em cima, que de tão apertado estava o trem, nem ele nem eu se mexia. Enfiei meu rosto no sovaco dele e fiquei, o tempo todo. Só respirei o ar poluído da rua quando desci.

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Garanto que, de saúde ela também entende. Eu sou boa de explicar. Ela, boa de resistir e de esperançar. Eu sairia de uma viagem dessas com os nervos à flor da pele. Ela sai bufando, mas logo emplaca um sorriso vitorioso, só por ter conseguido chegar.

E o que dizer dos bons e saudáveis hábitos? Não gritar com os filhos. Receber visitas. Correr pelo menos 3 dias por semana, nem que seja por meia horinha. Saborear os alimentos coloridos, ainda que requentados. Dormir oito horas de bom sono, enquanto o tiroteio próximo acerta a cabeça dos vizinhos. Sentir-se grata por acordar – mas antes é preciso ter adormecido em paz.

Aos trancos e barrancos, a população – em média – ainda assim vai avançando. Ganham-se anos de vida, anos estes que se distribuem diferentemente entre os ricos e os pobres. Provável que, a grande diferença entre uns e outros não seja genética, mas de tamanho de bolso, onde caiba um excelente seguro médico-hospitalar e um local seguro para morar.

O resto, talvez uma questão de sorte. De geografia? Ou de efeitos primaverís? O que pouco ou nada se diz é que, para que uma população envelheça como um todo, não basta a quantidade de pessoas que teimam em não morrer.

Um ‘pulo do gato’ que não é mencionado é que, os especialistas afirmam que o fator mais importante, que leva ao envelhecimento da população, é a inibição da taxa de natalidade e, não a diminuição da taxa de mortalidade.

Assim é de se pensar: porque, então, aquilo que é divulgado ao modo popular, bate sempre na mesma tecla? A da compra de medicamentos que mantém a juventude, alimentos bem preparados, bailes e turismo, escolas da maturidade e tênis confortáveis para o caminhar.

Tudo isso nos faz bem, com certeza. Nos dá muito prazer, inclusive fazer sexo – aqueles que gostam e fazem questão, dizem que orgasmos prolongam a vida. Ou que morrer disso garante entrada e estabilidade no paraíso.

Se a questão do envelhecimento populacional depende mais do número de criancinhas do que de velhinhos, vamos insistir com nossos filhos para que façam mais filhinhos, por que fazer netinhos… Ah, isso ainda não deu para inventar.

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