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Deficiência Intelectual e o envelhecimento inesperado: um convite à celebração

A relação entre os progressos na qualidade de vida do povo e o aumento da expectativa de vida de quem apresenta algum tipo de deficiência intelectual

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Idoso recebe assistência na sede da APAE | Crédito: Pedro Abreu

O aumento da longevidade populacional é uma tendência e alcançou a população com Deficiência Intelectual (DI), possibilitando uma celebração nunca vivenciada. Nas últimas décadas a expectativa de vida para pessoas com DI rompeu paradigmas e superou os 19 anos estimados na década de 1930. Atualmente, pessoas com DI de grau leve podem alcançar a mesma expectativa de vida da população geral, exceto nos casos com diagnóstico de Síndrome de Down (SD).

No Brasil, os dados que comprovam o aumento da expectativa de vida nessa população ainda são incipientes. Em países da Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, China, Taiwan e Israel esse perfil populacional é melhor compreendido, devido ao crescente número de publicações cientificas e um melhor entendimento sobre o envelhecer dessa população.

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Crédito: Pedro Abreu

Um fato que norteia o envelhecer da pessoa com DI diz respeito à heterogeneidade, ou seja, as diferenças e especificidades presentes em um mesmo grupo de pessoas, consideradas muitas vezes apenas como deficientes intelectuais em processo de envelhecimento. No entanto, nesse mesmo grupo, dependendo da etiologia, podem ocorrer padrões distintos de envelhecimento, com expectativas de vida diferentes e necessidades específicas de atenção em saúde e cuidados.

“A intervenção precoce no envelhecimento da pessoa com DI é fundamental para o aumento da longevidade e garantia da qualidade de vida dos anos vividos”

Na SD, além do envelhecimento precoce, a pessoa pode apresentar maior vulnerabilidade para o desenvolvimento de demência do tipo Alzheimer, que requer, assim como em outras síndromes, um planejamento de vida singular com ações e medidas específicas de assistência em saúde.

De maneira geral, se comparada com a população sem DI, esta fase da vida é marcada por maior incidência precoce de doenças como: obesidade, diminuição da aptidão física, alterações psiquiátricas e comportamentais, osteoporose, distúrbios da tireoide, doenças do coração não isquêmicas, alterações sensoriais (perdas auditivas e visuais), epilepsia, doenças da pele, alterações dentais, doenças gastrointestinais e necessidades do uso de polifarmácia ao longo de toda vida.

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As alterações presentes no envelhecimento da pessoa com DI podem ser identificadas pelo declínio funcional, evidenciado por um maior comprometimento das habilidades necessárias para o desenvolvimento das atividades de vida diária, se comparado à infância e idade adulta. O declínio funcional nesta fase da vida, normalmente vem associado a um aumento de prejuízos funcionais, envolvendo áreas fundamentais da vida, ou seja, as habilidades de comunicação (compreensão e expressão), autocuidado, interação social, aspectos cognitivos (memória, funções executivas entre outras), alterações comportamentais, emocionais e de saúde.

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Crédito: Pedro Abreu

A intervenção precoce no envelhecimento da pessoa com DI é fundamental para o aumento da longevidade e garantia da qualidade de vida dos anos vividos. A intervenção em promoção de saúde no envelhecer, torna-se um desafio. Pesquisas na área de promoção de saúde no envelhecimento dessas pessoas revelam que cerca de 40% dos idosos com idades acima 75 anos não são ativos, além disso, a maioria deles apresenta uma doença de base ou uma comorbidade associada à própria DI. Isso implica na necessidade da atenção diferenciada e um planejamento em saúde com intervenção de uma equipe multidisciplinar.

Apesar das necessidades, limitações e dificuldades vivenciadas pela pessoa com DI e seus familiares, diariamente somos convocados a celebração da longevidade da pessoa com DI. Entendemos que os desafios são inúmeros e reconhecemos a necessidade de implementação de uma assistência integral como foco na prevenção de doenças, na inclusão social, na qualidade de vida e na defesa e garantia de direitos. No entanto, a ruptura do paradigma cronológico, nos possibilita a realização de uma comemoração inesperada, porém real.

Sabemos que os serviços especializados no atendimento a essa população nesta fase de vida no Brasil ainda são uma raridade. No entanto, a APAE DE SÃO PAULO, pioneira no atendimento à população com DI, realiza atendimento diferenciado com uma equipe multidisciplinar especializada em Envelhecimento Humano, através do seu Departamento de Envelhecimento.

 

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Leila Regina de Castro é supervisora do Departamento de Envelhecimento da APAE DE SÃO PAULO. Pioneira no atendimento à população com Deficiência Intelectual, no Brasil, a Organização realiza atendimentos diferenciados através de equipe multidisciplinar especializada em Envelhecimento Humano. 

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