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As angústias da “geração-sanduíche”

Como encontrar equilíbrio entre cuidar dos filhos jovens e dar apoio aos pais idosos _ e ainda gerenciar a carreira?

geração sanduíche
Photographee.eu/Shutterstock

Imagine a cena: a professora de seu filho marcou uma reunião para o mesmo dia de uma conferência importante, na qual você tem que estar presente. Outra: a família inteira vai à apresentação de balé de sua filha, mas, na última hora, seu chefe decide reformular um projeto – o que impede você de chegar a tempo de ver a pequena no palco.

As situações acima são absolutamente comuns na rotina de pessoas que fazem malabarismos para equilibrar a vida pessoal e a profissional. Essas demandas são triplicadas quando, somada a essas, há a tarefa de cuidar dos pais. Afinal, com a decisão de ter filhos mais tarde, as famílias vivem um encontro de gerações – crianças pequenas e seus avós idosos, que muitas vezes requerem cuidados específicos.

Em geral, a “geração-sanduíche” tem entre 45 e 60 anos de idade, trabalha, tem filhos em idade escolar ou que ainda são dependentes e que começa a sentir a demanda para dar suporte aos pais. E que tem uma pergunta em mente: como dar conta de tudo isso e ainda manter a qualidade de vida de todos os envolvidos?

É um tema que preocupa até mesmo quem optou por não ter crianças. Porque, apesar de tomarmos a decisão de não sermos pais ou mães, sempre seremos filhos. E o desafio de cuidar dos pais na velhice tem sido um dos assuntos mais debatidos da atualidade no mundo todo, pois traz demandas reais e práticas, além de uma série de angústias.

Nos Estados Unidos, cerca de 43 milhões de pessoas cuidam de algum membro da família ou de um amigo com mais de 50 anos de idade. Esse é um número que vem crescendo nas últimas décadas. E a maioria não se preparou para essa tarefa, tanto do ponto de vista pessoal quanto do financeiro.

“O primeiro passo a ser tomado é também o mais difícil: ter uma conversa franca com os pais sobre suas finanças e sobre como pretendem passar essa fase da vida”

Há, geralmente, três formas de providenciar esses cuidados: dar aos pais a assistência para serem independentes em suas próprias casas, colocá-los em algum tipo de moradia assistida ou trazê-los para viver com a família.

A última opção, que costuma ser a mais comum, traz a necessidade de adaptar os lares – com instalação de rampas e barras de apoio, entre outros – para receber familiares que estão envelhecendo. Sem falar na mudança no dia a dia de todos na casa.

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Por isso o primeiro passo a ser tomado é também o mais difícil: ter uma conversa franca com os pais sobre suas finanças e sobre como pretendem passar essa fase da vida.

O segundo passo é preparar-se para lidar com os impactos – que podem ser significativos – dessa mudança na vida pessoal. Há a possibilidade de que a relação com os filhos e o cônjuge seja alterada, assim como a dinâmica familiar.

Na esfera profissional, muitas vezes será necessário se ausentar do escritório para levar os pais a compromissos ou consultas ou gerenciar interrupções por questões de urgência.

“Alternativas para garantir o bem-estar, a qualidade de vida, a saúde e a segurança dos mais velhos têm despontado cada vez mais”

Essa tarefa de oferecer suporte aos mais velhos tem afetado tanto os americanos que há profissionais deixando a carreira para se dedicar ao tema, como fez Stephanie Tilenius, ex-vice-presidente comercial da gigante de tecnologia Google e ex-executiva da companhia de investimentos Kleiner Perkins Caufield & Byers.

Depois de anos de desgaste tentando conciliar o trabalho exigente com a missão de dar assistência médica aos pais, ela fundou a Vida Health, focada em doenças crônicas relacionadas à terceira idade. O lançamento mais recente da empresa é um aplicativo que permite aos pacientes consultar um time de profissionais, incluindo médicos, enfermeiros e nutricionistas, pelo smartphone.

Outras soluções têm surgido. Vão desde serviços para acompanhar idosos em exames e consultas ou em atividades de lazer e compras até orientação médica e farmacêutica por telefone, passando por aplicativos que informam os responsáveis sobre a rotina e o bem-estar dos pais.

Nos Estados Unidos e na Europa – e recentemente no Brasil –, há também empresas com o conceito “aging in place”, no qual as pessoas mais velhas recebem auxílio para manter a rotina e a autonomia e, assim, ter qualidade de vida. Entre as facilidades estão acompanhamento a compromissos, dispositivos com GPS com botão de emergência e consultorias que fazem alteração em moradias para torna-las mais seguras.

Alternativas para garantir o bem-estar, a qualidade de vida, a saúde e a segurança dos mais velhos têm despontado cada vez mais. Cabe aos filhos se preparar e se planejar para o envelhecimento dos pais – e rapidamente, já que a “geração-sanduíche” é uma das que mais devem ser impactadas pelo envelhecimento no Brasil e pela falta de preparo das famílias para as mudanças.

Márcia Sena, 45 anos, farmacêutica e bioquímica com MBA na Marquette University (EUA), é fundadora da Senior Concierge, empresa que cria condições para a terceira idade viver em suas próprias casas com conforto, autonomia e segurança. Ex-executiva de multinacionais, tem quatro filhos e pais que começaram a ter dificuldades pertinentes ao processo de envelhecimento.

 

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