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A Comunicação Funcional como elemento de inclusão social de idosos com DI

Comunicação Funcional
Créditos: Nullplus/Shutterstock

A comunicação constitui um dos aspectos fundamentais da vida do homem. É por meio da comunicação que o ser humano interage e expressa seus sentimentos. Estudos envolvendo os aspectos cognitivos, linguísticos e comunicativos no envelhecimento das pessoas com Deficiência Intelectual evidenciam prejuízos nas habilidades de memória, resoluções de problemas, raciocínio verbal, compreensão e expressão da linguagem que podem interferir no uso funcional da comunicação.

A expectativa de vida da pessoa com Deficiência Intelectual aumentou consideravelmente nos últimos anos e, como consequência dessa evolução, surgem questões específicas de atenção e cuidados. Portanto, o uso da comunicação e da linguagem no contexto de vida cotidiana torna-se indispensável para o empoderamento, inclusão social e promoção da autonomia e independência.

No envelhecimento da pessoa com Deficiência Intelectual podem ocorrer déficits comunicativos e de linguagem mais acentuados se comparados com a população idosa sem deficiência. Portanto, é imprescindível a avaliação das habilidades adquiridas ao longo da vida e principalmente a forma e o uso desses recursos comunicativos no seu contexto diário enquanto comunicadores. 

Apesar dessa sobreposição, pessoas idosas com Deficiência Intelectual normalmente são capazes de validar sua comunicação de maneira funcional.

Compreendemos que os déficits comunicativos e de linguagem nessa população podem ser considerados dos elementos mais importantes de limitação, participação e exclusão social, assim como ocorre na população sem deficiência que vivencia estes mesmos déficits. Nesse contexto, faz-se necessário considerar o uso funcional da comunicação pela pessoa idosa com Deficiência Intelectual em seu espaço de convivência e interação.  

A comunicação funcional da pessoa com Deficiência Intelectual em processo de envelhecimento envolve prejuízos nas habilidades de receber e transmitir mensagens de maneira autônoma e independente, dificuldade de compreender diferentes contextos simultaneamente e limitação para responder prontamente as exigências do ambiente.  

Nessa população é comum ocorrer ausência do ensino formal (baixa escolaridade) na maioria dos casos, convivência social restrita e um ambiente com poucos interlocutores não familiares. Além disso, existem as diferenças e especificidades oriundas da própria Deficiência Intelectual sobreposto ao processo de envelhecimento. Esses elementos corroboram para um perfil comunicativo e de linguagem diferenciados. 

Apesar dessa sobreposição, pessoas idosas com Deficiência Intelectual normalmente são capazes de validar sua comunicação de maneira funcional. Isso ocorre através da utilização de elementos simples, como: fazer perguntas, pedidos, responder, afirmar, negar situações, fazer sugestões, dar ordens e emitir opiniões sobre um determinado assunto e seus sentimentos. No entanto, a utilização destes recursos comunicativos na maioria das vezes é limitado, marcado pela presença de um discurso simples.  

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Além dos elementos acima citados, um fator importante que pode interferir na interação social da pessoa com Deficiência Intelectual que envelhece enquanto comunicadores, diz respeito à dificuldade de realizar inferências discursivas, ou seja, compreender elementos mais subjetivos na conversa (piadas, anedotas, expressões populares, provérbios entre outros). Por isso, é difícil para uma pessoa com Deficiência Intelectual idosa imaginar o que seu interlocutor está querendo dizer no seu discurso. Portanto, para uma comunicação efetiva com esses interlocutores, é imprescindível a clareza, a objetividade do assunto e a mediação.   

Nenhum ser humano com ou sem Deficiência intelectual em qualquer fase da vida será incluindo e aceito se a sua comunicação não for validada.

Durante uma conversa com esse idoso, o interlocutor assumi indiretamente o papel de mediador do discurso, desenvolvendo o “poder de escuta” e relevando principalmente os déficits existentes durante o uso da comunicação. Portanto, como mediador é necessário compreender que, durante uma conversa, eles normalmente são limitados em relação ao desenvolvimento do assunto, tem dificuldades para realizar mudanças de tópicos e finalizar uma conversa é sempre muito difícil para maioria. 

Apesar dessas limitações, pessoas com Deficiência Intelectual em processo de envelhecimento apresentam iniciativa comunicativa e têm grande interesse em comunicar-se.  No entanto, é importante uma abordagem fonoaudiológica, que avalie e intervenha de maneira direta preconizando o uso funcional da comunicação com foco na estimulação e treino das habilidades preservadas, potencializando os recursos comunicativos adquiridos ao longo da vida.  

Compreendemos que a quantidade de interlocutores, qualidade da escuta, a frequência das conversas e os espaços de convivência para promoção da comunicação ainda é restrita para a maioria desses idosos, considerando principalmente o histórico de institucionalização e a convivência com os mesmos interlocutores por longos anos. Isso implica numa rede de comunicação restrita, diminuindo a possibilidade de experimentação e uso da comunicação funcional com novos interlocutores em outros espaços.  

No atendimento prático a esse público, nota-se o incentivo e a busca pela validação de seus direitos em diferentes frentes. No entanto, vale resaltar que a comunicação é uma das áreas da vida de extrema relevância para promoção da longevidade e da qualidade de vida.  

Nenhum ser humano com ou sem Deficiência intelectual em qualquer fase da vida será incluíndo e aceito se a sua comunicação não for validada. Portanto, o empoderamento comunicativo desse idoso é uma via de transfomação, validação, consolidação e efetivação dos seus direitos como sujeitos protagonistas da sua própria história.  

 claudia-lopes-carvalho

Fonoaudióloga, graduada em Fonoaudiologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Aprimoramento em Gerontologia, MBA em Gestão Estratégica da Saúde, Especialização em Fonoaudiologia Clínica com ênfase em Neurolinguística pela Universidade de São Paulo – USP, Especializada em Reabilitação Neuropsicológica/Cognitiva pelo Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas – FMUSP. Experiência na área de Fonoaudiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Deficiência Intelectual e Envelhecimento Humano, Reabilitação Neuropsicológica/Cognitiva, Reabilitação da Comunicação e da Linguagem do adulto e do idoso. Atua como Fonoaudióloga no Serviço de Envelhecimento da APAE DE SÃO PAULO desde 2011. 

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